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Tripé da sustentabilidade: o que é e qual sua relação com investimentos?

Tempo de leitura: 11 minutos

A relação entre as empresas, a sociedade e o planeta é cada vez mais relevante e passou a ser discutida sob a ótica das práticas sustentáveis. Como consequência, um dos conceitos para avaliar ao investir é o tripé da sustentabilidade.

Ele é formado por três elementos que devem se comportar de maneira harmônica em busca do desenvolvimento sustentável. Como isso tem impactos econômicos, o mercado financeiro também está envolvido com esses três pilares e em seu funcionamento.

Para entender como o tema pode interferir na elaboração da sua estratégia, saiba qual é a relação entre o tripé da sustentabilidade e os investimentos!

O que você verá neste artigo:
O que é o tripé da sustentabilidade?
Como esse tripé funciona?
Para que serve o tripé da sustentabilidade?
Qual é a relação entre tripé da sustentabilidade e ESG?
Qual é a relação entre o mercado financeiro e sustentabilidade?
Quais são os investimentos sustentáveis?
Vale a pena fazer investimentos sustentáveis?
Como usar o tripé da sustentabilidade para investir?

O que é o tripé da sustentabilidade?

O tripé da sustentabilidade (triple bottom line, em inglês) envolve os critérios que ajudam a determinar como é aplicada a sustentabilidade nos negócios e na sociedade. Esse conceito foi desenvolvido para orientar e fortalecer a ideia de união entre o desenvolvimento econômico e o cuidado com o planeta.

Com isso, a adoção desses critérios é útil para orientar iniciativas e fazer com que elas estejam alinhadas às principais necessidades e características do planeta.

Como esse tripé funciona?

Saber qual o funcionamento do tripé de sustentabilidade exige conhecer quais são os pontos que os orientam. Nesse sentido, os três aspectos são:

  • social;
  • ambiental;
  • econômico.

Logo, para alcançar uma configuração sustentável, é necessário que os três critérios funcionem harmonicamente. Diante disso, não basta que uma atividade seja lucrativa se ela não considerar os impactos na sociedade e no meio ambiente, por exemplo.

Ao mesmo tempo, uma abordagem estritamente focada na questão ambiental pode não ser lucrativa e se tornar inviável. Por esse motivo é tão importante que haja harmonia entre esses aspectos.

Para que serve o tripé da sustentabilidade?

Considerando as características de funcionamento, o tripé de sustentabilidade é útil para orientar o avanço da sociedade e da economia, em harmonia com a natureza. Logo, ele existe como um mapa para orientar como é possível alcançar esse tipo de resultado equilibrado.

Ademais, devido ao aspecto econômico, o tripé da sustentabilidade é especialmente voltado para as empresas e sua atuação no mercado. Com o avanço das discussões sobre esse assunto, mais empresas passaram a se preocupar com a capacidade de atuar de maneira sustentável.

Qual é a relação entre tripé da sustentabilidade e ESG?

Agora que você sabe sobre o conceito e a finalidade do tripé da sustentabilidade, é importante saber que foi desenvolvido um conceito de apoio: o ESG. Ele também é formado por um tripé, mas é ligeiramente diferente.

A sigla tem o seguinte significado:

  • E: environment ou meio ambiente;
  • S: social e;
  • G: governance ou governança.

Ou seja, o ESG pode ser visto como uma evolução do tripé da sustentabilidade. Assim, serve para medir e acompanhar a capacidade da empresa de atuar de modo sustentável e integrado.

Descubra como os critérios podem ser avaliados!

Ambiental

A atuação ambiental de uma empresa envolve diversas questões, incluindo a exploração de recursos (como matéria-prima), a emissão de poluentes e o descarte de resíduos.

Empresas que precisam de licenciamento ou certificação ambiental, por exemplo, devem se preocupar em atender a todos os critérios. Além disso, a legislação ambiental aplicável também deve ser considerada e incorporada aos processos.

Dependendo do caso, a empresa pode desenvolver ações para mitigar impactos ambientais, como o reflorestamento de áreas degradadas. Ou seja, o objetivo é diminuir a pegada ambiental da empresa, o que requer reduzir seus impactos na natureza.

Social

O aspecto social de uma companhia, do ponto de vista da sustentabilidade, manifesta-se interna e externamente. No ambiente interno, isso significa estabelecer responsabilidade social com os colaboradores, como por meio da oferta de condições dignas de trabalho, salários justos e condições de igualdade e diversidade.

Em relação ao ambiente externo, a empresa deve ser capaz de se comunicar e de se conectar com a comunidade. Também é preciso buscar maneiras de reduzir possíveis impactos e de favorecer o desenvolvimento da região.

Governança

Já o aspecto de governança corporativa envolve a transparência no gerenciamento e na comunicação. É preciso garantir que a empresa siga boas práticas consolidadas e mantenha boas relações internas e externas — por exemplo, com os acionistas.

Portanto, é esperado que empresas com alto nível de governança divulguem seus dados de forma transparente para os investidores e que atuem de modo competitivo e ético. Outro aspecto importante se refere às questões de compliance e combate à corrupção corporativa.

Qual é a relação entre o mercado financeiro e sustentabilidade?

Após descobrir o que é o ESG e o tripé da sustentabilidade, é interessante entender que existe uma relação direta com o mercado financeiro.

Como as empresas passaram a adotar práticas sustentáveis, muitas começaram a se tornar mais atraentes para os consumidores e a gerar mais resultados. Dessa forma, passaram a se valorizar e a chamar a atenção dos investidores.

Seguindo esse movimento, existem os chamados investimentos sustentáveis. Eles são alternativas que focam em iniciativas que atendem aos critérios ESG de diferentes maneiras. Assim, surgem oportunidades de investir usando esse tipo de critério para a escolha.

Quais são os investimentos sustentáveis?

Para aproveitar as possibilidades sustentáveis na sua estratégia de investimentos, é essencial conhecer como funcionam as alternativas do mercado. A partir desse conhecimento, você poderá tomar uma decisão informada e alinhada com suas características, como perfil de investidor e objetivos financeiros.

A seguir, acompanhe quais são as principais oportunidades de investimento financeiro sustentável e entenda como funcionam!

Ações de empresas verdes

O investimento em ações consiste na aquisição de papéis que concedem o direito de participar dos resultados de uma companhia. Para tanto, esses ativos são negociados na bolsa de valores.

Nesse sentido, para que o investimento seja sustentável, o foco pode estar em empresas verdes ou que atendam aos demais critérios de sustentabilidade. É o caso de investir em companhias que desenvolvem projetos de responsabilidade social ou ambiental.

O mesmo vale para empresas que apresentam alta governança corporativa. Também pode ser interessante buscar negócios que desenvolvem soluções focadas no tripé da sustentabilidade. Investir nas ações de uma empresa de energia limpa, por exemplo, é uma forma de explorar os critérios sustentáveis.

Fundos com estratégia ESG

Outra oportunidade é composta pelos fundos de investimento. Essas são modalidades financeiras que funcionam de modo coletivo. Para investir, é necessário adquirir cotas de participação. Depois, os recursos são movimentados por um gestor profissional, conforme a estratégia do fundo. 

Nesse caso, o foco em sustentabilidade é dado pela adoção de estratégia ESG. Um fundo de ações com essa proposta, por exemplo, buscará investir em empresas que sejam sustentáveis e adotem o tripé da sustentabilidade.

Também é possível pensar em fundos multimercados ou fundos internacionais que tenham essa abordagem. Porém, note que a atuação ESG de um fundo não é uma classificação e, sim, uma estratégia de investimento.

ETFs

Entre os fundos de investimento sustentáveis, os fundos de índice (ETFs) se destacam. Eles contam com uma gestão passiva, cujo objetivo é replicar a carteira teórica de um indicador de referência. No aspecto ESG, é possível recorrer aos ETFs que têm por base índices de sustentabilidade.

Uma das principais alternativas da B3, a bolsa de valores brasileira, é o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Ele é composto pelas empresas que atendem com mais intensidade aos critérios de sustentabilidade definidos. Por exemplo, você pode encontrar o ISUS11 como ETF do indicador.

Também existe o Índice de Carbono Eficiente (ICO2). Ele é formado por empresas que fazem parte do índice IBrX-50 e buscam reduzir o impacto de geração dos gases que causam o efeito estufa. Nesse caso, o ETF correspondente ao índice é o ECOO11.

Green bonds

Os green bonds ou títulos verdes são investimentos que, frequentemente, fazem parte da renda fixa. Eles correspondem a títulos de dívidas de empresas cujos recursos captados só podem ser usados em projetos de proposta sustentável.

Por exemplo, uma empresa pode emitir green bonds para instalar uma solução de energia solar ou para incorporar um processo de tratamento de resíduos. Logo, esses títulos são especialmente voltados para quem deseja oferecer apoio a projetos verdes e ainda obter rentabilidade.

Vale a pena fazer investimentos sustentáveis?

Diante do crescimento da discussão a respeito dos investimentos sustentáveis, eles podem ser alternativas interessantes. Inicialmente, essa é uma forma de criar uma carteira com propósito. Mais que buscar resultados, você poderá apoiar iniciativas que ajudam o planeta e os recursos naturais.

Além disso, é uma alternativa que pode se consolidar ao longo do tempo. Como é crescente a preocupação com esse tema, empresas que adotam boas práticas nesse sentido tendem a se destacar no mercado.

Outro ponto a ser considerado é a influência do comportamento dos consumidores. Segundo um levantamento da Deloitte, 32% dos consumidores estão altamente comprometidos com a adoção de um estilo de vida mais sustentável.

Ademais, 28% dos clientes deixaram de adquirir certos produtos ou marcas devido às preocupações ambientais. Também é preciso considerar que a geração Z demonstra um comportamento mais sustentável que os demais grupos e detêm um alto poder de compra.

Diante disso, a tendência é que o assunto se fortaleça e direcione a tomada de decisão dos compradores. Portanto, investir em ESG permite explorar o potencial de crescimento que a área pode apresentar.

Como usar o tripé da sustentabilidade para investir?

Caso você tenha interesse em realizar investimentos com foco na sustentabilidade, é preciso considerar as diversas etapas necessárias para compor seu portfólio. A seguir, veja quais são os passos mais relevantes!

Conheça o seu perfil de investidor

Antes de fazer qualquer investimento — sustentável ou não —, é fundamental identificar seu perfil de investidor. Ele varia entre conservador, moderado ou arrojado e indica o seu nível de tolerância ao risco.

Como visto, existem investimentos sustentáveis tanto na renda fixa quanto na renda variável. Então, dependendo de quanto risco você tolera correr, a aplicação do tripé da sustentabilidade na sua carteira ocorrerá de modo diferente.

Avalie objetivos financeiros e prazos

Também é necessário pensar nos prazos. No geral, o tripé da sustentabilidade tende a gerar impactos em médio e longo prazo — e não é diferente para fundos ou empresas voltadas para ESG.

Ainda, os investimentos em renda fixa também costumam ter os riscos diluídos em períodos mais longos. Dessa forma, vale considerar a possibilidade de investir com esse horizonte, desde que ele esteja alinhado ao que você pretende alcançar.

Elabore um plano de investimento

Com as informações dos passos anteriores, você pode definir sua estratégia de investimentos sustentáveis. Vale a pena entender as alternativas da renda fixa e da renda variável, além de compreender qual é o impacto do tripé da sustentabilidade em cada opção.

Essa é uma forma de se preparar para compor uma carteira robusta e que aproveite a atuação sustentável a favor dos resultados financeiros.

Escolha uma instituição financeira de qualidade

Para acessar os investimentos sustentáveis, também é fundamental abrir uma conta em uma corretora de valores. Por meio dela, você poderá utilizar o home broker e aproveitar as opções da bolsa de valores, por exemplo.

Ainda, é interessante pensar na plataforma de investimentos da corretora, que apresentará alternativas variadas, conforme o portfólio da instituição. Então a escolha da instituição deve ser estratégica para que você tenha acesso aos investimentos de interesse.

Diversifique a carteira

Embora o tripé da sustentabilidade traga oportunidades que podem ser interessantes no mercado financeiro, não significa que os riscos devem ser ignorados. Mesmo uma empresa considerada altamente sustentável pode sofrer quedas ou não atingir os resultados esperados, por exemplo.

Por isso, o ideal é adotar a diversificação de investimentos. Pense em ações e fundos distintos ou em green bonds de diferentes características, seguindo o seu perfil e objetivos. Desse modo, você dilui parte dos riscos e pode favorecer os resultados da sua carteira.

Faça o rebalanceamento de carteira

Após realizar os investimentos e compor o portfólio, acompanhe o seu desempenho. Verifique os resultados da carteira, seus objetivos e as práticas sustentáveis ligadas aos ativos.

Conforme a necessidade, é possível realizar mudanças por meio do rebalanceamento. Assim, você mantém o perfil de risco da sua carteira e faz com que ela continue sendo relevante considerando as suas necessidades.

Como você acompanhou, o tripé da sustentabilidade deu origem à abordagem ESG. Esses conceitos podem ser aplicados ao mercado financeiro, permitindo que investidores foquem em investimentos sustentáveis, desde que se alinhem às suas estratégias.

Para ter acesso às diversas oportunidades do mercado, você precisará contar com a parceria de uma boa instituição financeira. Então aproveite a oportunidade e abra sua conta na Guide Investimentos!

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