Cotações por TradingView

Tributação CDB: como funciona as taxas desse título de renda fixa?

Tempo de leitura: 8 minutos

Os investimentos de renda fixa costumam atrair a atenção de investidores por sua segurança e previsibilidade. Nesse grupo, os produtos emitidos por bancos e instituições financeiras, como os CDBs, podem apresentar características interessantes em seu funcionamento.

No entanto, antes de realizar suas aplicações, é indispensável entender como funciona a tributação dos CDBs. Além disso, outra etapa fundamental consiste em saber como incluir esses títulos na sua declaração de Imposto de Renda.

Para compreender melhor essa temática, neste artigo você entenderá os principais detalhes sobre CDB e entenderá como é sua tributação. Boa leitura!

O que é e como funciona um CDB?

Os certificados de depósitos bancários (CDBs) são títulos de renda fixa emitidos por bancos e instituições financeiras. Desse modo, eles funcionam como um instrumento para captação de recursos por essas organizações.

Na prática, é possível entender esses produtos como uma espécie de empréstimo. Ou seja, o investidor está disponibilizando seu capital para a instituição ao adquirir o título. Em troca, ele receberá os juros dessa operação no futuro.

Além disso, vale destacar que há uma data de vencimento para os CDBs. Isso significa que, no momento do aporte, o investidor já sabe quando poderá receber os retornos da sua aplicação. No entanto, existem cenários em que é possível fazer o resgate antecipado.

Outro aspecto importante do CDB é a maior segurança, por estar na renda fixa. Afinal, o investidor compreende de antemão quais são as regras de remuneração — o que pode ser interessante para a previsibilidade da carteira de investimentos.

Ademais, os CDBs contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Dessa maneira, caso a instituição financeira dê calote, o investidor tem a garantia de recebimento de até R$ 250 mil por CPF e emissor. No entanto, há um teto global de R$ 1 milhão, renovado a cada quatro anos.

Quais são as formas de rentabilidade do CDB?

Como você viu, os títulos de renda fixa como os CDBs contam com uma regra predefinida de rentabilidade. Mas ela pode se dar de três formas: prefixada, pós-fixada e híbrida.

Confira as características!

CDB prefixado

Os CDBs de rentabilidade prefixada são aqueles em que os juros da aplicação são apresentados no momento do aporte. Isto é, o investidor sabe quanto o título trará de lucros logo quando realiza o investimento.

Essa taxa permanecerá fixa até o vencimento da aplicação. Dessa maneira, independentemente de mudanças nas taxas de juros brasileiras e eventuais crises ou instabilidades políticas e econômicas, a porcentagem prefixada é imutável.

No entanto, é preciso ter em mente que tal taxa só será alcançada no vencimento do CDB, visto que o título está sujeito à marcação a mercado. Com isso, mesmo que seja uma alternativa conservadora, um resgate antecipado pode gerar prejuízo ao investidor.

CDB pós-fixado

Outro tipo de rentabilidade para os CDBs é a pós-fixada. Nesse caso, o investidor só conhecerá os rendimentos de sua aplicação no vencimento ou resgate da aplicação. O motivo para isso está no fato de a rentabilidade desses títulos estar atrelada a um indicador ou taxa do mercado.

O mais comum é que o indicador de referência seja o Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Dessa maneira, os rendimentos estarão relacionados diretamente a essa taxa.

É importante saber também que, em títulos pós-fixados com alta liquidez, um resgate antecipado não trará prejuízos — pois a rentabilidade acontece diariamente.

CDB híbrido

Por fim, há os CDBs de rentabilidade híbrida. Eles se caracterizam por conciliar ambas as formas de rentabilidade que você viu até aqui. Ou seja, há uma taxa pré e outra pós-fixada— que, normalmente, acompanha o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Por isso, os títulos híbridos se destacam por sempre remunerarem o investidor acima da inflação. Contudo, assim como ocorre com os prefixados, é preciso aguardar até o vencimento para atingir a taxa acordada, pois há exposição à marcação a mercado.

Existe tributação do Imposto de Renda em CDBs?

Assim como acontece em outros títulos de renda fixa, como os títulos públicos do Tesouro Direto, as aplicações em CDBs contam com tributação do Imposto de Renda (IR). A alíquota atinge apenas o lucro do investimento e é determinada de acordo com a tabela regressiva do IR.

Isso significa que a cobrança é menor quanto maior é o tempo da aplicação. As alíquotas acompanham a seguinte lógica:

Aplicação de até/ entre (dias) Alíquota %
180 22,5%
181 e 360 20%
361 e 720 17,5%
Maiores que 720 dias 15%

Também vale destacar que essa cobrança acontece no vencimento ou resgate do seu investimento — e é descontada na fonte. Desse modo, o montante que você receberá já terá o desconto do IR.

Se você quiser gerenciar melhor os impostos, é interessante analisar o prazo da aplicação junto das taxas de rentabilidade antes de realizar o aporte. Isso pode ser benéfico para fazer escolhas mais acertadas e trazer uma maior previsibilidade de lucros para a sua carteira de investimentos.

Quais os outros tipos de taxas e tributos de um CDB?

Como você viu, há incidência de IR sobre os lucros da sua aplicação em CDBs. No entanto, esse não é o único tributo que incide sobre esses títulos.

Conheça outros custos que podem existir ao investir em CDB:

Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)

Além do IR, os lucros da aplicação em CDBs também podem ter a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Entretanto, a cobrança do IOF acontece apenas em um cenário específico.

Como você entendeu, existem títulos que permitem o resgate antecipado. Isso significa que não é preciso aguardar até o vencimento. Contudo, caso esse processo aconteça antes da aplicação completar seus 30 primeiros dias, ocorre a cobrança do IOF.

Assim como acontece no IR, a alíquota do IOF também é regressiva. Dessa forma, se o resgate acontecer no primeiro dia, por exemplo, ela incidirá sobre 96% dos lucros. Essa porcentagem reduz diariamente até ser zerada no 30° dia.

Deságio no resgate antecipado

Os CDBs normalmente não apresentam outras cobranças, como taxas de administração ou custódia. No entanto, é possível que exista a incidência de custos adicionais no resgate antecipado — geralmente sob forma de deságio.

Nesse caso, o título passa a ser negociado no mercado secundário ou o próprio emissor o adquire de volta. Desse modo, o investidor opta por correr o risco de precisar arcar com eventuais custos desse resgate antes do vencimento, já que a marcação a mercado dos títulos pode gerar perdas.

Como declarar CDB no IR?

Agora que você conhece as principais características referentes às taxas e tributos dos CDBs, pode estar se perguntando como incluí-los na sua declaração do IR. É preciso ter em mente a necessidade de declarar tanto os títulos que já resgatou quanto aqueles que ainda estão na sua carteira.

Em ambos os casos, é indispensável que você tenha posse do seu informe de rendimentos. Esse documento é enviado pela corretora de valores e detalha as principais informações que você deve adicionar na declaração.

Veja como declarar seus CDBs!

Para CDBs não resgatados

Embora muitos investidores possam não saber, é preciso declarar no Imposto de Renda os CDBs que ainda estão na sua carteira. Afinal, eles fazem parte do seu patrimônio. Para isso, você deve acessar a aba “bens e direitos”, no programa da Receita Federal.

Nessa área, você pode declarar outros investimentos em renda fixa além dos CDBs. Assim, deve separar todos os seus títulos de acordo com a instituição emissora. Caso seus investimentos sejam com a Guide, por exemplo, é preciso nos adicionar como custodiante.

Após esse momento, você detalha os títulos que ainda não foram resgatados de sua carteira. Durante o processo, é fundamental ter atenção para o preenchimento correto de todos os dados.

São eles:

  • Código: 45 (referente aos CDBs e demais títulos de renda fixa);
  • Localização (país): 105 – Brasil;
  • CNPJ: da instituição custodiante dos produtos;
  • Discriminação: detalhar as características do investimento;
  • Situação (final do ano anterior ao da declaração): apresentar o saldo que havia nessa data (se você não tinha o CDB, pode colocar 0);
  • Situação (ano fiscal da declaração): informar o saldo em CDB nessa data.

Para CDBs já resgatados

Como vimos, você recebe os rendimentos dos CDBs já com os descontos do IR. No entanto, ainda é preciso fazer a declaração caso suas aplicações tenham atingido o vencimento ou você tenha feito um resgate antecipado do título.

Nesse contexto, é preciso acessar a aba “rendimento sujeitos à tributação exclusiva/definitiva” na mesma plataforma e preencher os dados solicitados:

  • Tipo de rendimento: Rendimento de Aplicações Financeiras (06);
  • Tipo de beneficiário: apresentar o titular ou dependente;
  • CNPJ da fonte pagadora: informar os dados da instituição custodiante do título;
  • Nome da fonte pagadora: indicar o nome da custodiante;
  • Valor: destacar os rendimentos obtidos com o título.

Lembre-se: para qualquer que seja a sua situação, é fundamental acompanhar os prazos para a declaração de IR. Não fazer a declaração pode acarretar multas e gerar uma pendência em seu CPF.

Agora você sabe como funciona a tributação de um CDB. Assim, é possível ter uma melhor compreensão sobre os resultados que pode atingir com esse investimento. Além disso, ao entender como declará-los no Imposto de Renda, você minimiza as chances de problemas com a Receita Federal.

Quer saber mais sobre investimentos de renda fixa? Conheça qual rende mais entre CDB, LCI e LCA!

Relacionados

CDB ou Fundo DI: em qual opção investir?

Ao analisar o universo dos investimentos e se deparar com as inúmeras alternativas do mercado, muitos podem ficar em dúvida sobre [...]

Guide Investimentos - 11/01/2022

CDB com liquidez diária: como funciona e quando investir?

Uma das principais características presentes nos títulos de renda fixa, como os CDBs, é o seu prazo de vencimento. Contudo, isso [...]

Guide Investimentos - 07/01/2022

CDB ou Tesouro Direto: qual a melhor opção de investimento?

A renda fixa conta com diferentes tipos de investimento, os quais podem ser adequados a investidores com interesses distintos. Entre as [...]

Guide Investimentos - 05/01/2022
Logo o guia financeiro

Entrar

Como deseja continuar?

Abra sua conta

Preencha os campos abaixo
ou use uma das opções