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Terry Smith: ideias, estratégias e as Big Techs

Terry Smith, que administra o famoso fundo Fundsmith, é frequentemente chamado de Warren Buffett da Inglaterra. A razão para isso é que ambos possuem a filosofia de investir em negócios de alta qualidade por muitos anos. Neste texto, quero falar um pouco da seus pensamentos e ideias de investimentos no mercado financeiro.

Sua estratégia é chamada de ODD, sigla que advém da frase em inglês: “Only invest in good companies; Don’t overpay; Do nothing” (“Apenas invista em boas empresas; Não pague em excesso, Não faça nada”, em tradução livre). A palavra “odd”, em inglês, pode ser traduzida como “diferente”.

Uma característica do Fundsmith é que seus gestores são extremamente criteriosos, visto que as empresas precisam de fundamentos muito bons para convencê-los a comprar suas ações.

Falando do método de Smith, uma curiosidade legal é que ele nunca olha para os preços das ações antes de comprá-las. A razão para isso é que o investidor acredita que os preços das ações são uma coisa, e realidade é outra. E o fundo prefere focar os esforços de análise (como fazer valuation) na realidade, pois os preços se movem por qualquer motivo, por mais estranho ou irrelevante que seja.

O Fundo Fundsmith

Sobre o desempenho do fundo, as cinco ações que mais contribuíram para sua performance em 2019 foram: Microsoft, Estée Lauder, Facebook, PayPal e Phillip Morris. Enquanto isso, as que mais prejudicaram foram: 3M, Colgate Palmolive, Clorox, Brown-Forman e Reckitt Benckiser.

Esta foi a quinta aparição seguida da Microsoft nessa lista e a terceira do PayPal. Muitos investidores dizem que ninguém fica pobre caso decida realizar os lucros. Smith concorda em partes com esse pensamento. Ele considera que, embora isso seja verdade, dificilmente alguém ficará rico caso se desfaça de patrimônio que deveria manter para o longo prazo. O segredo para o sucesso no mundo dos investimentos é continuar fazendo dinheiro com os velhos (e bons) amigos.

Segundo Smith, o Facebook foi uma das compras mais controversas do fundo, adquirido durante as denúncias de vazamento de dados. Na época, existiam muitas preocupações e incertezas, mas até agora tudo ocorreu como esperado. Ele faz questão de dizer “até agora” pois ele investe com um forte sentimento de superstição e paranoia, nunca declarando vitória.

A maioria dos críticos do Facebook alega que a empresa não tem muito mais o que fazer, que acabaram as “avenidas de crescimento”. Smith diz que o mesmo se fala a respeito da Microsoft há anos, e a empresa continua a surpreender e gerar grandes resultados. Outra crítica foi a respeito da competição contra o Tik Tok. O investidor achou engraçado a possibilidade de as pessoas terem medo do Facebook roubar seus dados, mas não de um aplicativo chinês fazê-lo.

O caso Google e Apple

Muitos acionistas questionam o motivo do fundo não possuir ações do Google ou da Apple. Smith diz que gosta muito de ambas e que analisam elas constantemente. No entanto, preferem outras opções no momento.

Sobre o Google, o investidor disse que é uma empresa com bastante vantagem competitiva, um monopólio no segmento de mecanismo de pesquisa online. E é parte um duopólio, junto com o Facebook, em publicidade online. Para ele, qualquer pessoa que pensa em anunciar um produto online imediatamente lembra do Google ou do Facebook, pois são onde as pessoas estão.

No entanto, duas coisas incomodam-no. A primeira são os retornos do Google (17%), que não são tão altos quanto o das empresas do Fundsmith, O segundo é em relação à qualidade de alocação de capital da Alphabet (dona do Google), que já realizou 235 aquisições e nenhuma delas se provou um grande sucesso quanto sua principal empresa. No entanto, Smith acredita que essa pode ser uma estratégia da companhia: comprar os concorrentes, livrar-se deles e aumentar os retornos quando não houver mais competição, o que seria uma grande jogada.

Quanto à Apple, a razão que faz eles não possuírem é o medo de ser uma das ações da moda, que surgem de tempos em tempos. Segundo o investidor, as pessoas estavam convictas que a Nokia seria a empresa do futuro, o que fez suas ações serem negociadas a altos preços na época.

Segundo Terry Smith, os chamados “fashion business” os assustam pois, historicamente, necessitaram de um gênio à frente para terem sucesso. Eles não performaram bem quando esse cara não estiver mais no comando. Smith teme que Steve Jobs pode ter sido um desses gênios, que revolucionou o mundo inventando os smartphones, e que a Apple não tenha o próximo, que consiga entregar a próxima grande inovação.

Para ele, o fato das vendas e fluxo de caixa operacional terem crescido pouco nos últimos anos e as ações se multiplicado por mais de 3 vezes não é justificável. Além disso, desde a morte de Jobs, a Apple não apresentou nenhuma invenção disruptiva, apenas melhorias incrementais nos produtos (no entanto, esqueceram de mencionar os novos produtos e serviços lançados).

A Amazon também é lembrada pelos acionistas, que sempre questionam os gestores o que pensam sobre ela. Segundo Smith, muitas pessoas acreditam que o Alibaba seja o principal concorrente da empresa de Jeff Bezos. No entanto, ele acredita que seja as grandes empresas de varejo, como o Walmart e a Costco.

As principais razões para isso é o alcance fantástico dessas empresas e a vocação delas de ofertar os produtos mais baratos (e rentáveis) possíveis aos seus clientes. Um quesito em que a Amazon não vai muito bem, visto que o valor do seu ticket médio de compra é US$ 8,32, contra US$ 10,59 de custo de fulfillment.

Terry Smith é um dos meus investidores favoritos no mundo de hoje. Além disso, acho primordial ouvir o que uma pessoa como ele tem a dizer a respeito das grandes de tecnologia, que se tornam cada dia mais importantes em nossas vidas. Para mim, ele não é o Warren Buffett da Inglaterra. Terry Smith é Terry Smith, único e merecedor de ser reconhecido pelo seu próprio nome.

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