Terceira via: quem são os pré-candidatos que cogitam enfrentar a polarização eleitoral criada por Lula e Bolsonaro

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A pouco mais de um ano das eleições presidenciais de 2022, ainda é difícil imaginar que algum postulante presidencial superará a polarização política criada pelo incumbente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula Da Silva. Se as eleições fossem hoje, o petista e o capitão da reserva certamente estariam no 2º turno. No melhor dos cenários para a terceira via, todos os demais candidatos juntos não atingem 20% das intenções de votos. Entre eles, se destacam Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB) como os únicos nomes a superarem o limiar de 5p.p.

Em junho de 2017, Bolsonaro registrava 15% das intenções de voto, empatado com Marina Silva (Rede) e com metade dos 30% registrados por Lula. Ainda era uma realidade muito distante do cenário que viria a se concretizaria em 2018. Há tempo suficiente para uma transfiguração de igual ou maior magnitude até 2022? Ainda é muito cedo para declarar a inviabilidade da terceira via, mas o cenário eleitoral atual é um tanto desafiador.

Também é importante destacar que ainda estamos na etapa das pré-candidaturas, durante qual a lista de candidatos que estarão presentes nas urnas de 2022 continua indefinida. Sendo assim, os nomes de postulantes que disputarão o primeiro turno podem mudar, como ocorreu recentemente com o presidente do partido Novo, João Amoedo, e o apresentador da rede Globo, Luciano Huck, ambos pré-candidatos que abandonaram a corrida eleitoral.

O que segue é uma breve introdução aos principais nomes que pretendem disputar as eleições de 2022.

Ciro Gomes (PDT)

O experiente político nascido no estado de São Paulo com profundas raízes no estado do Ceará disputará a sua terceira eleição presidencial. Ciro já ocupou uma longa lista de cargos públicos, de deputado estadual a ministro da Fazenda, com passagens pela prefeitura de Fortaleza e o governo do CE. Em 2018, foi terceiro colocado no primeiro turno com 12,47% dos votos, ocupando espaço similar nas pesquisas autuais, onde o vice-presidente do PDT já se aproxima do limiar de dois dígitos.

Ciro tem se esforçado para se posicionar como uma alternativa ao ex-presidente Lula no campo da esquerda, lançando duras críticas ao petista que ele rotulou como “antiquado” e o “o maior corruptor da história moderna brasileira”. O ex-ministro da Fazenda contratou João Santana, o marqueteiro de peso responsável pelas campanhas vitoriosas do PT em 2006, 2010 e 2014.   

Os três tucanos

No PSDB, ainda existem quatro nomes com interesse em representar o a sigla na campanha eleitoral de 2022. Os três principais são o governador de São Paulo, João Doria, o govenador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o senador Tasso Jereissati (CE).

O único que figura regularmente nas pesquisas eleitorais é João Doria, que conquistou espaço no plano nacional devido ao seu protagonismo na busca por vacinas junto ao Instituto Butantan, que providenciou a grande maioria das doses disponíveis à Campanha de Imunização Nacional nos primeiros meses em que os imunizantes foram disponibilizados. Doria também ganhou notoriedade devido às suas constantes trocas de farpas com presidente Jair Bolsonaro em torno das medidas de isolamento social e distribuição da Coronavac.

Eduardo Leite também merece destaque. O governador conquistou os holofotes do noticiário político no início do mês após ter confirmado rumores em torno da sua sexualidade no programa “Conversa com o Bial”. No programa, Leite afirmou ser um “governador gay, e não um gay governador”. Antes disso, o tucano defendeu a implementação de um plano de ajuste fiscal de R$ 63 bilhões que inclui corte de gastos, aumento de tributação e a privatização de estatais para recuperar o rombo nas contas do seu estado. 

Os dois, juntos ao experiente senador Tasso Jereissati, se enfrentarão nas previas do PSDB para determinar quem representará o partido nas eleições de 2022. Doria sofreu uma derrota recente nas discussões internas do partido que resultou em um sistema menos favorável à sua candidatura ao reduzir o peso dos votos dos filiados ante o peso dos políticos do sigla.

Deputado Henrique Mandetta (DEM-MS)

O ex-ministro da Saúde virou o centro das atenções do mundo político no início da pandemia devido aos seus constantes desentendimentos com o presidente Bolsonaro. Os dois defendiam visões divergentes a respeito das medidas cabíveis ao governo federal para combater a crise sanitária. Após pouco mais um mês de divergências, Bolsonaro demitiu Mandetta, efetivamente criando um rival político pronto pra desafiar a sua campanha de reeleição. Desde então, Mandetta tem revelado uma série de detalhes comprometedores a respeito da atuação de Bolsonaro nos primeiros meses da pandemia. O ortopedista ainda não conquistou resultados expressivos nas pesquisas, geralmente registrando em torno de 3p.p. nas enquetes do primeiro turno, mas a sua oposição à amplamente criticada gestão do presidente Bolsonaro durante a crise sanitária deve gerar uma narrativa política com forte apelo eleitoral.     

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