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Teoria de Dow: quais os seus fundamentos e quando utilizar?

8 de junho de 2022
Escrito por Guide Investimentos
Tempo de leitura: 11 min
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Tempo de leitura: 11 min

Quem quer especular na bolsa de valores precisa estudar o mercado com cuidado para adotar as melhores estratégias e não tomar decisões equivocadas. Diante disso, compreender a Teoria de Dow e seus fundamentos é essencial.

Desenvolvida por Charles Henry Dow, essa análise do comportamento no mercado financeiro permite aos traders avaliar as oscilações de preço. Isso faz com que suas decisões sejam tomadas de forma mais racional, evitando posturas emocionais que podem trazer uma série de prejuízos.

Quer compreender o que é a Teoria de Dow e como aplicá-la em suas estratégias de especulação na bolsa? Então continue a leitura deste artigo e aprimore suas habilidades!

O que é análise técnica?

Antes de conhecer a Teoria de Dow e seus fundamentos, é necessário compreender o que é uma análise técnica na bolsa de valores. Isso porque a Teoria de Dow se relaciona, especificamente, a esse tipo de avaliação do mercado financeiro.

A análise técnica é uma metodologia de avaliação de ativos e derivativos que tem como objetivo perceber padrões e tendências na variação dos preços negociados. Assim, é possível analisar as tendências da bolsa com maior precisão.

Essa avaliação também é chamada de análise gráfica, uma vez que ela é realizada com base em informações obtidas graficamente. Nesse contexto, são utilizados tanto indicadores quanto padrões gráficos para visualizar os movimentos de preços e volumes de negociações.

Como a análise técnica funciona?

Em relação ao funcionamento, a análise técnica tem como base dois conceitos importantes — ambos desenvolvidos a partir da Teoria de Dow. Os dois são essenciais para que a análise técnica seja feita de forma adequada.

São eles:

  • os preços refletem os acontecimentos relevantes do mercado;
  • o mercado se movimenta a partir de tendências.

Além dessas premissas, a Teoria de Dow também trabalha outros fundamentos importantes.  Por isso, compreender essa teoria de forma aprofundada é indispensável para traçar estratégias consistentes na hora de operar na bolsa de valores.

O que é a Teoria de Dow?

Agora que você entende o que é a análise técnica, é possível conhecer a Teoria de Dow e como ela pode ser utilizada como ferramenta de análise. Nesse sentido, é importante compreender que a teoria é fundamental na hora de estudar gráficos e ver oscilações de preços.

Isso ocorre porque é natural que o mercado apresente variações de ativos — que acontecem por diversos motivos. Assim, a Teoria de Dow serve para auxiliar na compreensão de como essas oscilações acontecem.

Para tal, ela é baseada em seis fundamentos centrais. A partir do entendimento desses fundamentos, o especulador pode perceber tendências nos movimentos dos preços dos ativos e derivativos, com base nos gráficos que tiver à sua disposição.

Dessa forma, a clareza a respeito dos conceitos trabalhados pela Teoria de Dow permite ao especulador avaliar melhor a dinâmica dos preços das cotações. Dessa forma, se torna possível perceber, com um nível maior de precisão, quais momentos podem ser mais adequados para comprar e vender na bolsa de valores.

Como essa teoria surgiu?

Além de saber o que é a Teoria de Dow, é importante entender como ela surgiu. Como vimos, essa teoria foi desenvolvida por Charles Henry Dow — motivo pelo qual o termo tem esse nome.

Ele passou grande parte de seu tempo fazendo estudos aprofundados a respeito dos movimentos do mercado. A partir de suas análises, Dow formulou conceitos essenciais, que deram origem às bases da análise técnica.

Sua teoria foi desenvolvida em 1887. Também nessa época, ele desenvolveu o índice Dow Jones — um indicador bastante conhecido pelos investidores norte-americanos. Entretanto, apesar de sua teoria ser antiga, ela ainda é utilizada e valorizada nas negociações realizadas atualmente.

A popularização dos conhecimentos da Teoria de Dow ocorreu por meio de S.A Nelson e William Hamilton, que também se dedicaram a aprimorá-la. Nelson publicou o livro “O ABC da especulação na bolsa”, utilizando pela primeira vez o conceito de Teoria de Dow.

Já Hamilton publicou a obra “O barômetro do mercado de Ação”. Nela, ele explica de maneira detalhada como a teoria funciona na prática e quais são os seus fundamentos essenciais.

Quais são os seus fundamentos?

Depois de compreender o que é a Teoria de Dow e como ela surgiu, é possível aprofundar o assunto e analisar os fundamentos que a compõem. É importante notar que todos eles devem ser considerados em conjunto para que a leitura técnica seja realizada.

Confira cada um dos fundamentos!

Primeiro fundamento: o mercado apresenta 3 tendências

O primeiro fundamento determinado por Down diz que o mercado da bolsa de valores possui 3 tendências. Para explicá-las, é comum fazer uma relação com os movimentos do oceano. Assim, a tendência primária pode ser assemelhada aos movimentos realizados pelas marés.

Isso quer dizer que ela apresenta movimentos contínuos e fortes, que duram um período maior do que as demais. A tendência primária é considerada a principal tendência e sua duração mínima é de um ano, levando em conta intervalos diários ou mensais.

Já a tendência secundária pode ser equiparada às ondas. Dessa forma, ela é compreendida como as interrupções parciais da tendência primária, acontecendo no médio prazo. Essas ondas duram de três semanas até três meses e corrigem de 33% a 66% do movimento primário.

Por fim, a tendência terciária é compreendida como as marolas. Elas dizem respeito aos movimentos de poucos dias até cerca de 2 semanas, sendo visualizadas em gráficos intraday. Essa movimentação modifica a tendência secundária por alguns momentos ou dias.

Segundo fundamento: é possível dividir a tendência primária em 3 fases

O segundo fundamento estipulado pela Teoria de Dow aponta que a tendência primária pode ser dividida em 3 fases distintas. Nesse aspecto, ela começa com a acumulação, em que os investidores fazem a entrada na posição, uma vez que há subvalorização dos preços.

Com o passar do tempo, a força compradora começa a aumentar, chamando mais atenção. Os indicadores demonstram esse movimento e os topos e fundos são formados. Aqui, quem adota a postura de seguir tendência inicia a compra de papéis no mercado, aumentando o valor das negociações.

Por fim, há a fase de distribuição. Essa tendência ganha o conhecimento do público, uma vez que é bastante divulgada. Nessa fase, quem seguiu o processo de acumulação começa a se desfazer das posições, pois agora há sobrevalorização.

Terceiro fundamento: os índices já consideram os descontos

O terceiro fundamento da Teoria de Dow aponta que os índices relacionados aos preços dos ativos já levam em consideração os descontos — sejam eles quais forem. Isso significa que impactos de notícias e informações corporativas já são imediatamente mensurados e incorporados pelas cotações dos ativos.

Dessa forma, índices como o Ibovespa, por exemplo, naturalmente apresentam em si o reflexo de todos os fatores que influenciam as cotações das ações, por exemplo. Isso engloba, até mesmo, situações imprevisíveis, devido ao dinamismo do mercado.

Quarto fundamento: índices e médias devem se confirmar

Outro fundamento importante delineado por Dow sustenta que os índices e médias se confirmam na dinâmica do mercado financeiro. Assim, diferentes setores — mas que são ligados e apresentam equiparação — confirmam uma tendência de alta ou baixa.

Dow criou esse quarto fundamento quando relacionou o índice da atividade industrial com os indicadores de transporte da economia estadunidense. De acordo com ele, com a indústria em alta, o setor de transporte de mercadorias também seria aquecido. Logo, a tendência é confirmada.

Quinto fundamento: o volume acompanha a tendência

Já em seu quinto fundamento, a Teoria de Dow aponta que é necessário que o volume acompanhe a tendência para haver confirmação. Dessa maneira, é possível perceber que o mercado está comprometido com o movimento visualizado pelos fundamentos anteriores.

Sexto fundamento: as tendências continuam até serem revertidas

Por fim, o sexto fundamento está relacionado com a percepção de que o mercado de ações apresenta diversos ruídos. Por isso, seria necessário encontrar maneiras de minimizá-los na hora de avaliar tendências e seus sinais de reversão.

Então Dow desenvolveu princípios para nortear a avaliação. De acordo com suas análises, o fechamento de preço acima de um topo ou um fundo anterior é sinal de uma reversão que modifica a tendência. Caso isso não ocorra, não se pode dizer que esses movimentos indicam uma ruptura.

Quais as críticas à Teoria de Dow?

Embora tenha mais de 100 anos de utilização no mercado, a Teoria de Dow em certos momentos também é alvo de críticas. Isso ocorre porque especialistas acreditam que há uma perda significativa dos movimentos antes de se perceber os sinais de tendência.

Esse intervalo pode prejudicar os resultados dos especuladores. Como o mercado de ações é muito veloz, a perda de observação pode causar escolhas equivocadas e tardias.

Contudo, o principal argumento para a importância dessa teoria não está em sua infalibilidade, mas em sua proposta. O intuito de Dow não era apontar uma análise perfeita e de previsibilidade, mas captar uma parcela grande dos movimentos do mercado — permitindo, assim, identificar tendências.

Por isso, apesar das críticas, os fundamentos da teoria ainda são importantes para quem deseja dominar os instrumentos de análise gráfica — principalmente como instrumento de gestão de risco.

Por que vale a pena conhecê-la?

Como você viu, a Teoria de Dow é uma ferramenta de análise técnica que apresenta fundamentos importantes para quem deseja especular. Afinal, ela permite compreender os gráficos que representam as movimentações frequentes do mercado.

Além disso, a teoria procura reunir princípios que ajudam o trader a lidar com as oscilações de forma racional, evitando decisões emocionais. Esse é um ponto central, pois existe uma tendência de especuladores serem iludidos pelos próprios desejos.

Por exemplo, muitas pessoas operam na bolsa buscando confirmar suas vontades — analisando o mercado com o objetivo que desejam alcançar em mente. Assim, elas procuram os sinais de que estão certas, por meio de uma visão tendenciosa e enviesada.

Dessa maneira, compreender a Teoria de Dow permite que a análise técnica seja feita com base em fundamentos mais imparciais de avaliação. Ela oferece métodos de identificação mais claros e objetivos, fazendo com que as decisões sejam menos ambíguas e mais pautadas na realidade.

Como utilizar a Teoria de Dow na prática?

Até aqui você entendeu as principais informações sobre a Teoria de Dow, como ela funciona e qual a importância de conhecê-la na hora de fazer suas análises técnicas. Entretanto, ainda é necessário saber como utilizar essa teoria na prática.

Com relação a esse aspecto, confira as informações a seguir:

Conheça sua estratégia

O primeiro passo para utilizar a Teoria de Dow de forma adequada é ter clareza com relação à sua estratégia. Sem você compreender o que deseja alcançar a partir de suas operações, as probabilidades de tomar decisões equivocadas são altas.

Estude o mercado frequentemente

Além de conhecer sua estratégia, é importante manter-se estudando o mercado. Embora ele tenha certos comportamentos padrões e, seja possível avaliar tendências por meio da análise técnica, é necessário sempre atualizar seus conhecimentos sobre as negociações e movimentos.

Não acompanhe a manada

Como você viu, a Teoria de Dow é um importante instrumento para que você possa tomar suas decisões de forma racional, evitando escolhas emocionais. Nesse sentido, é importante tomar cuidado para não cair no viés do efeito manada, acompanhando um movimento.

É comum que o mercado tenha movimentos intensos em determinadas direções em curto espaço de tempo. Quando isso ocorre, alguns operadores podem ser movidos pela emoção de medo ou euforia, mas se deixar levar pela manada pode gerar grandes erros e prejuízos.

Saiba quando parar

Toda atividade tem momentos em que é necessário saber fazer uma pausa. No mercado financeiro não é diferente. Se você perceber um dia em que as operações não estão caminhando para um resultado positivo, considere parar.

Nesses momentos, contar com a Teoria de Dow pode ser fundamental. Afinal, ela pode ajudá-lo a ter maior clareza a respeito dos motivos pelos quais os resultados não estão sendo satisfatórios. Lembre-se de que ela é um instrumento para auxiliá-lo a controlar suas emoções e agir de forma racional.

Como vimos, é necessário compreender a Teoria de Dow para entender a movimentação dos ativos e derivativos de forma adequada. Portanto, fazer esse estudo e aplicá-lo em sua estratégia pode permitir especular melhor e evitar tomadas de decisões emocionais.

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