São Paulo: a cidade dos prédios icônicos

É a segunda vez que esse economista mineiro, que vos fala, mora em São Paulo. É impossível para quem não é da cidade se maravilhar com o tamanho e altura dos prédios, principalmente os que permeiam a região da Faria Lima. Todos enormes, de vidro e aço, alguns superando os 30 andares. Mas não são os prédios da Faria Lima que me chamam mais a atenção e sim aqueles da região do centro, principalmente os modernistas, como o Copam.

A dica cultural de hoje, é obviamente um afago aos 465 anos de São Paulo. É o livro: “São Paulo nas alturas” de Raul Juste Lores. O livro retrata a época de ouro da arquitetura brasileira e, por consequência, os seus reflexos na cidade de São Paulo que, até o início da construção de Brasília, era o principal canteiro de obras do país.

Nessa época (1950-1960) brotaram prédios icônicos na cidade, como o Terraço Itália que fica próximo à Praça da República. Era uma época que ainda existia certa ousadia no design dos prédios. Tal ousadia se configurou em uma revolução, como o próprio subtítulo do livro ressalta: A revolução modernista da arquitetura e do mercado imobiliário nos anos 1950 e 1960.

O que houve no meio do caminho que fez com que os prédios icônicos parassem de brotar e só surgissem os prédios em formato de caixa, sem graça, apenas de concreto reto e vidros planos?

O mercado imobiliário sofreu grandes mudanças ao longo dos anos 60, principalmente com a construção de Brasília que inflacionou o preço dos materiais de construção de uma forma que inviabilizou a continuidade de diversos projetos.

O livro revela como o mercado imobiliário funcionava na época. Como ainda existia certa desorganização no mercado de crédito brasileiro, em um momento onde os juros eram limitados por lei (12%a.a no máximo), não existiam instrumentos eficientes de financiamento. Logo, os prédios eram construídos em um esquema de mensalidades:

“Projetava-se um prédio, juntavam-se 50 interessados, e se todo mundo pagasse o prédio ficava pronto. ”

 O livro mostra um período realmente interessante da cidade de São Paulo, e por consequência da arquitetura brasileira e dos movimentos artísticos que tanto influenciaram, mesmo que por um breve período, na forma e beleza das nossas cidades.

É interessante saber de onde vieram os prédios que tanto mexem com nossos pescoços quando passamos perto deles. Impossível não ir a região da Praça da República e não ficar maravilhado com a beleza (meio brutal) do Copam e do seu vizinho de frente, o Terraço Itália. Basta sair da estação República do metrô que você os verá.

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