Reabertura dos EUA: como o país pretende retomar as suas atividades

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Enquanto todos se refugiam em suas respectivas moradias, chefes de Estado mundo afora confrontam o dilema de arriscar uma abertura precoce ou uma eventual destruição irreversível das suas economias. A China foi o primeiro país a relaxar as medidas de quarentena, mas o seu grau de autoritarismo e dúvidas sobre os dados divulgados pelo Partido Comunista Chinês dificultam a exportação do modelo sínico.  Na semana passada, os EUA apresentaram uma série de diretrizes que devem influenciar como o resto do mundo encara esse dilema.

Coronavírus nos EUA

Os EUA caminham em direção a um milhão de infectados pelo novo coronavírus. Já são quase 820 mil casos confirmados e mais 45 mil óbitos como consequência da síndrome do desconforto respiratório agudo causado pela Covid-19. A Espanha, país com o segundo maior número de pacientes, tem pouco mais de um quarto de infectados. Só no estado de Nova York, já são mais de 250 mil casos confirmados e quase 15 mil mortes. O aumento repentino na aplicação de testes diagnósticos aplicados nas últimas semanas explica, em partes, os dados alarmantes. Mesmo assim, não existe dúvida que o EUA está entre os países mais afetados pela pandemia do coronavírus.

Diretrizes de abertura

Apesar de tudo isso, na semana passada o presidente americano, Donald Trump, revelou um plano ambicioso que detalha como e quando a maior economia do mundo será reaberta. “Abrindo a América de novo”, o nome dado ao plano divulgado pela Casa Branca, inclui uma série de diretrizes que determinarão a implementação de três fases distintas de quarentena. Os vários estados que compõe a federação americana progredirão pelas etapas, cada vez menos restritivas, de acordo com o número de novos casos suspeitos e confirmados, além da disponibilidade de leitos hospitalares.

Para cada estado um cronograma

A escala continental e uma composição que mescla grandes centros urbanos e vastas áreas rurais significam que o impacto da epidemia apresenta grande variação entre os 50 estados e mais de 3 mil munícipios americanos. Além disso, a construção republicana da União norte-americana garante aos entes inferiores um grau de autonomia muito maior do que em países com estruturas governamentais mais centralizados a nível federal.

Enquanto Nova York contabiliza mais casos do que qualquer nação no mundo, estados como Wyoming, Montana e o Alaska ainda não atingiram 500 diagnósticos do vírus. Por todas estas razões, não haverá uma única reabertura no país e sim inúmeros cronogramas que dependerão da evolução da crise em cada estado, além da estratégia implementada por cada governador.

Critérios de progressão

Para que os estados progridam de uma etapa mais restritiva para uma fase de medidas mais relaxadas, o governo federal aconselha que três métricas sejam ponderadas. A primeira destas é uma queda no número de casos suspeitos que apresentam sintomas de influenza ou de Covid-19, durante período de 14 dias. O segundo indicador envolve uma redução na trajetória de casos confirmados, como proporção do total de testes realizados, durante o mesmo período de duas semanas — será necessário realizar um número igual ou superior de testes do que na quinzena antecedente para que a tendência decrescente seja confirmada.  Por último, os estados devem garantir tanto o pleno funcionamento dos hospitais, quanto um sistema amplo de testes para os profissionais da saúde.

Fase 1

Caso sejam atendidos os critérios supramencionados, o governo federal sugere que os estados apliquem a primeira fase de afrouxamento das medidas de quarentena.  Durante esta etapa da abertura, cinemas, restaurantes, estádios, locais de culto e até academias já poderão resumir a suas operações desde que sigam padrões rigorosos de distanciamento social. Mesmo assim, escolas, bares e similares continuarão fechados. Casas de repouso devem continuar proibindo visitas e os indivíduos que se enquadram no grupo de risco devem continuar isolados.

Fase 2

Na segunda etapa da reabertura, escolas retomaram as suas atividades presenciais e viagens não essenciais poderão ser realizadas. Parques, shopping centers e áreas de recreação externa serão reabertas desde que não ocasionem aglomerações de mais de 50 pessoas. Os restaurantes, cinemas e estádios que foram abertos na primeira fase poderão reduzir as medidas de isolamento anteriormente impostas. Bares serão abertos, mas só poderão operar com ocupação reduzida. Indivíduos do grupo de risco devem manter o isolamento e as empresas devem continuar incentivando o home office.

Fase 3

Na última etapa da quarentena que antecede o retorno integral à normalidade, indivíduos do grupo de risco poderão surgir do isolamento, mas sem abandonar as boas práticas que evitam a contaminação. Os estádios poderão operar com medidas de distanciamento ainda mais brandas e as visitas às casas de repouso poderão ser retomadas.

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