Investimentos sem imposto de renda: conheça quais são

Tempo de leitura: 10 minutos

Ao decidir investir é natural a preocupação com o imposto de renda, afinal dependendo de quanto será ou não tributado, a rentabilidade pode ser impactada consideravelmente.

Se antes a poupança era vista como a única alternativa para investir com isenção fiscal, nos últimos anos, os investimentos livres de IR, tanto na renda fixa, quanto em algumas operações em renda variável, ganharam espaço.

Se você deseja conhecer melhor os investimentos sem imposto de renda, continue a leitura deste guia financeiro e entenda como eles podem contribuir com o retorno de suas aplicações.

O que veremos neste artigo:
O que é imposto de renda?
Por que alguns investimentos são isentos de impostos de renda?
Como fazer investimentos sem pagar imposto de renda?
O que são rendimentos isentos e não tributáveis?
Quais são as aplicações em renda fixa sem imposto de renda?
Quais são os fundos de investimento sem imposto de renda?
Vantagens e desvantagens de investimentos sem imposto de renda?
Até quanto em ações posso investir sem imposto de renda?
Poupança paga imposto de renda?
Investimentos com ou sem IR. Qual escolher?
Para não esquecer: lista dos investimentos sem imposto de renda
Qual o melhor investimento sem imposto de renda?
Conclusão

O que é imposto de renda?

Imposto de Renda (IR) é um tributo federal que incide sobre a renda dos brasileiros. Ele funciona como uma espécie de controle do governo que, através da declaração anual de imposto de renda, consegue acompanhar o patrimônio dos contribuintes.

Através da declaração de IR, o governo pode confirmar se o que foi informado pelo contribuinte condiz com as receitas e despesas obtidas ao longo do ano.

Cada modalidade de investimento tem sua regra específica de recolhimento. Em alguns casos, o imposto é retido direto na fonte, como nos fundos de investimentos. Já em outros, é necessário que o investidor recolha via DARF – Documento de Arrecadação da Receita Federal.

Por que alguns investimentos são isentos de Imposto de Renda?

De maneira geral, o governo categoriza algumas modalidades de investimentos como isentas de imposto de renda como forma de incentivar a captação de recursos em determinadas áreas do mercado.

Investimentos isentos de imposto de renda é uma maneira de estimular o fluxo de dinheiro para atividades estratégicas na economia brasileira, como o agronegócio e o setor imobiliário.

Como fazer investimentos sem pagar imposto de renda?

Ao se falar em investimentos sem imposto de renda, por muito tempo a poupança foi a principal referência no Brasil. Contudo, hoje os investidores buscam novas alternativas também isentas de IR e com mais chances de lucro.

Nesse contexto, alguns títulos de renda fixa são opções seguras e com retorno atrativo, são eles: LCAs, LCIs, CRAs, CRIs e as debêntures incentivadas. Além destes, os rendimentos de Fundos de Investimentos Imobiliários e dividendos também são alternativas para os que se expõem mais ao risco em busca de melhores retornos, sem abrir mão da isenção fiscal.

O que são rendimentos isentos e não tributáveis?

Rendimentos isentos e não tributáveis são aqueles em que o contribuinte pessoa física não paga nenhum imposto. Se enquadram nessa categoria os rendimentos da poupança, de alguns títulos de renda fixa, aposentadoria, seguro desemprego, dentre outros informados pela receita federal.

De acordo com a Receita Federal, todos que tiveram rendimentos tributáveis abaixo de R$28.559 ou não tributáveis de até R$40 mil durante o ano de 2020, são considerados isentos em 2021.

Mas atenção, ainda que as aplicações sejam isentas, elas precisam ser declaradas. Lembre-se: a declaração anual de imposto de renda funciona como uma prestação de contas com o governo.

Quais são as aplicações em renda fixa sem imposto de renda?

Dentre os tipos de aplicações em renda fixa, é comum que muitos investidores tenham a poupança como referência de investimento isento de imposto de renda. Mas além dela, existem outros ativos que representam muito bem essa modalidade de investimentos, tais como:

CRA e CRI

Os certificados de recebíveis agrícolas (CRA) e imobiliários (CRI) são emitidos exclusivamente por securitizadoras com objetivo de captar recursos para financiar o agronegócio e o mercado imobiliário, respectivamente.

Em geral, esses títulos privados possuem baixa liquidez e por este motivo são destinados aos investidores moderados com horizonte de investimento de médio a longo prazo, que buscam por retornos consistentes sem a volatilidade da renda variável.

LCA e LCI

Já as letras de crédito agrícolas (LCA) e imobiliários (LCI) são títulos emitidos exclusivamente por bancos e que, assim como o CRA e CRI, são destinados ao financiamento dos setores agrícola e imobiliário.

Além do benefício fiscal, esses títulos de renda fixa, por serem emitidos por bancos, contam com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que assegura ao investidor uma cobertura de até R$250 mil por CPF (limitado a 1 milhão) e instituição, no caso de inadimplência do emissor do título.

Considerada por muitos a “queridinha” dos brasileiros, em especial dos mais conservadores, a poupança segue liderando o ranking como aplicação mais tradicional no Brasil.

Poupança

Seu rendimento é baseado na taxa selic e taxa referencial (TR), sendo creditado a cada 30 dias, na data de aniversário da aplicação. E, assim como outros tipos de investimentos em renda fixa, a poupança também conta com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito – FGC.

Contudo, o atual cenário econômico tem comprometido o seu retorno, fazendo com que a caderneta perca a atratividade quando comparada a outros ativos da mesma classe.

Debêntures incentivadas e a isenção do imposto de renda

Debêntures são títulos privados com vencimentos mais longos, baixa liquidez e costumam remunerar melhor os investidores. Algumas são isentas de imposto de renda e por isso denominadas como debêntures incentivadas.

Elas correspondem aos títulos de dívidas, emitidos por empresas que atuam no setor de infraestrutura, com o objetivo de captar recursos para financiar obras. É válido destacar que as debêntures incentivadas não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, logo possuem maior risco de crédito.

Por este motivo, fazer uma análise criteriosa da empresa emissora do título antes de adquiri-lo é indispensável. Outra forma de investir nessa modalidade é através dos fundos de debêntures incentivadas. Por meio deles, o investidor conseguirá aplicar seu dinheiro em vários títulos através de uma única cota.

Quais são os fundos de investimento sem imposto de renda?

Além dos fundos de investimentos em debêntures incentivadas, os fundos de investimentos imobiliários – FIIs também contemplam o investidor pessoa física com o benefício fiscal. Neste caso, a isenção acontece sobre os rendimentos pagos mensalmente ao investidor.

Entretanto, quando as cotas dos fundos imobiliários estão sendo negociadas acima do valor que foram adquiridas, ou seja, com valorização, e o investidor decide vendê-las, o lucro será tributado à alíquota de 20%.

Vantagens e desvantagens de investimentos sem IR

A principal vantagem de um investimento isento de IR e também o grande responsável por torná-lo atrativo é exatamente a ausência de cobrança tributária sobre o rendimento obtido na aplicação, o que consequentemente reflete no retorno final.

Porém, ainda que o benefício fiscal seja um ponto importante, isso não significa que os demais tipos de investimentos sejam menos interessantes. Na verdade, aqueles que são tributados costumam ter uma rentabilidade mais atrativa, sobretudo os que possuem maior exposição ao risco.

Neste caso, o principal ponto de atenção ficará no prazo das aplicações, uma vez que a cobrança segue a tabela regressiva, que inicia com 22,5% e encerra com 15%. Sendo assim, o investidor que permanecer por mais tempo terá um retorno maior, enquanto o que ficar por menos tempo terá uma rentabilidade menor.

Até quanto em ações posso investir sem imposto de renda?

Nas negociações que não ultrapassam o volume de R$20 mil ao mês não há incidência de imposto de renda, exceto no day trade. Neste tipo de operação há cobrança de IR à alíquota de 20% sobre o lucro, independente do volume negociado.

Outra particularidade dos investimentos em ações é o pagamento de dividendos. Trata-se da participação nos lucros que o investidor tem direito ao tornar-se sócio de empresa negociada na B3 e que, semelhante aos rendimentos pagos pelos Fundos de Investimentos Imobiliários, os dividendos também são isentos de IR para pessoa física.

De todo modo, mesmo quando não há cobrança de imposto de renda, é necessário informar  os rendimentos na declaração de IR. No caso de venda de ações com valorização, o lucro será tributado.

Poupança paga Imposto de Renda?

A poupança é um dos tipos de investimentos em que não há a cobrança de imposto de renda. E, embora seus rendimentos sejam isentos de IR, isso não significa que eles não devam constar na declaração anual de imposto de renda.

De acordo com a Receita Federal, todos que receberam rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$40.000,00 também precisam declarar. Somente os contribuintes com saldo inferior a R$140,00 na poupança estão livres dessa obrigação.

Investimentos com ou sem IR? Qual escolher?

Depende! A escolha do melhor ativo para compor sua carteira de investimentos não deve ser necessariamente relacionada ao recolhimento ou não de imposto de renda. Na verdade, essa decisão deve ser pautada em premissas como perfil de risco, horizonte de investimentos e necessidade de liquidez.

Essas informações, de fato, serão balizadores importantes no processo de escolha dos ativos. É válido ressaltar que um portfólio diversificado é sempre bem-vindo e certamente aumentará seu potencial de retorno da carteira, além de mitigar os riscos.

Para não esquecer: lista dos investimentos sem Imposto de Renda

Qual o melhor investimento sem imposto de renda?

Isento de imposto de renda ou não, o melhor investimento é sempre aquele que atende às suas necessidades e objetivos, está de acordo com o seu perfil de risco, assim como é compatível com o seu horizonte de investimentos.

É claro que usufruir do benefício fiscal não deixa de ser uma forma de potencializar o retorno de sua carteira de investimentos, mas para que isso de fato aconteça, é fundamental saber fazer uma seleção correta dos ativos.

Avaliar o prazo de carência, liquidação, valores mínimos de movimentações, dentre outras premissas, aumentará a assertividade de suas escolhas e, consequentemente, seus rendimentos.

Conclusão

O mercado financeiro tem se tornado cada vez mais acessível aos investidores em geral. A variedade de produtos disponíveis permite que todos consigam investir em ativos que atendam tanto aos seus objetivos, como também ao seu perfil de investidor.

Nos últimos anos, devido ao cenário de juros baixos, a busca por investimentos mais arrojados se intensificou, mas isso não excluiu a procura também por ativos de renda fixa, sobretudo os isentos de IR.

Nesse sentido, seguir com um portfólio diversificado é uma alternativa para melhor rentabilidade e mitigar os riscos. Por isso, avalie com calma a distribuição atual de sua carteira e, de forma estratégica, escolha qual dos tipos de ativos apresentados acima podem contribuir com resultados melhores.

Quer saber mais sobre como declarar investimentos no Imposto de Renda? Então acompanhe a série de posts sobre o tema publicados pelo O Guia Financeiro.

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