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Primeiro o urgente, mas não se esqueça do importante

Não se trata de nenhuma novidade o fato de que o Brasil passa por uma grave crise fiscal há anos. Neste ano de 2020 caminhamos para o sétimo ano seguido em déficit fiscal, o que é a maior sequência negativa de nossa história. Mas é imperativo lembrar a diferença entre o que é importante e o que é urgente.

Importante é aquilo que você deve ter em mente para melhorar ao longo do tempo. Urgente é o que aparece no meio da trajetória e demanda que toda a sua atenção esteja focada, ou o importante, no fim das contas, nem terá sequer oportunidade de ser tratado mais adiante.

A situação atual do coronavírus no Brasil parece contornável, mas, seguindo a curva de casos ocorridos em outros países, mostra que estamos perdendo tempo em não caminharmos para um lockdown por aqui. Em diversos lugares estão fechando escolas, shopping centers, serviços não essenciais. Mas, no fundo, ainda parece haver certa resistência em dizer “por favor, fiquem em casa e só saiam em extremo caso de necessidade”.

Essa resistência tem nome. Ela se chama economia. E sim, a economia é muito importante.

Muitos colocam como argumento que não é possível que todos fiquem em casa porque, afinal de contas, “como é que vão fazer com as contas que seguirão chegando?”. De novo: economia realmente importa, o meio como as pessoas fazem para pagar suas contas também. Isso é claro.

Ainda assim, é preciso pensar em uma coisa: terá valido a pena ir contra o que as melhores práticas para reduzir a ampliação de um pandemia recomendam? Qual será a vantagem de ter sua receita mantida mas fazer parte da continuidade de transmissão de um vírus que afeta todo o mundo com uma rapidez assustadora?

Em 16 de março os casos fora da China superaram os que lá ocorreram. Na Itália, país mais afetado em número de casos após a China, já temos a superação em número de mortos do país onde começou a pandemia. Observando a curva de novos casos, no Brasil é possível que acabemos por superar a Itália – e, se lá o sistema de saúde já mostra sinais extremos de esgotamento, não é difícil imaginar o que pode ocorrer por aqui se não tomarmos medidas urgentes.

Mesmo em um país com o lado fiscal bastante estourado como o nosso, o urgente mostra-se notável diante do importante. Em entrevista para a CBN nesta quinta-feira, Mansueto Almeida, Secretário do Tesouro, lembrou sobre isso. “A meta é oferecer a ajuda que for necessária para superarmos esse momento de crise”. A União, mesmo diante de todas as dificuldades que passa há anos (o que não é diferente dos Estados e Municípios), estará atenta para oferecer o máximo de auxílio que puder. Neste ano, de fato a meta fiscal ficou para depois diante do enorme desafio que enfrentaremos.

E sabe qual a diferença de não esquecer do importante? Isso facilita muito as coisas quando o urgente acontece. Vejamos por exemplo o caso da Alemanha, que segundo sua premiê Angela Merkel enfrenta seu maior desafio desde a Segunda Guerra Mundial. Por lá, graças a existir um colchão de superávits fiscais seguidos, o país será capaz de oferecer, literalmente, ajuda ilimitada a empresas (liberando, logo de início, US$550 bilhões).

Voltemos para o nosso caso. É possível que, diante dos esforços realizados mundo a fora em termos de liquidez aos mercados e crédito direto a empresas, alguém por aqui diga: “e como o Brasil não consegue fazer a mesma coisa?”. A resposta está no entorno deste artigo: por aqui, ao longo dos anos, o importante não se faz presente, então o urgente assusta ainda mais. É exatamente por isso que precisamos seguir reformando logo após toda essa tempestade passar. Só assim, focando no importante, estaremos mais preparados para quaisquer urgências que surgirem mais adiante.

Mercados estão aí e seguirão existindo após toda essa pandemia. Ganhar dinheiro em sua atividade é algo que também vai seguir existindo. Torcemos fortemente para que um abalo deste tamanho ofereça o menor dano possível ao cenário econômico. Torcemos ainda mais para que o urgente, que é o controlar a disseminação deste vírus, possa se colocar mesmo que momentaneamente à frente do importante que é manter a economia seguindo em frente.

Podendo trabalhar de casa, trabalhe. Podendo evitar o contato com outras pessoas, evite. Quanto mais fizermos (nós, o poder público e as empresas) para reduzir a disseminação desta pandemia, mais cedo nos veremos livres deste urgente para podermos focar no que é importante. O risco de não fazermos nossa parte chama-se caos.

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