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PIB recua de novo nos EUA. É recessão que chama?

1 de agosto de 2022
Escrito por Terraco Econômico
Tempo de leitura: 3 min
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Tempo de leitura: 3 min

No último trimestre, a economia dos EUA encolheu 0,9%. Este é o segundo trimestre consecutivo em que a economia norte-americana se contraiu. Já que, nos três primeiros meses do ano, o PIB havia recuado 1,6%.

O que isso significa tecnicamente falando?

Economia em recessão: um termo que ninguém gosta

Dois trimestres consecutivos de crescimento negativo de economia são frequentemente considerados como uma recessão. Mas isso não é uma condição sine qua non, algo que necessariamente decide se uma economia está em recessão, por não se tratar de uma definição oficial.

No caso dos EUA, o estado de recessão econômica é definido por uma organização privada de pesquisas econômicas, sem fins lucrativos e apartidária, chamada NBER (National Bureau of Economic Research).  Trata-se de um comitê da NBER composto por oito economistas, considerando inúmeros indicadores da economia (PIB, emprego, renda etc), com a responsabilidade de determinar se a economia norte-americana está em recessão.

Segundo definição oficial da NBER, recessão consiste em: “um declínio significativo na atividade econômica que se espalha pela economia e dura mais do que alguns meses”.

Logo, mesmo com as últimas duas quedas no PIB, a economia nos EUA não necessariamente se encontra em recessão. E a atual taxa de desemprego no país contribui com essa dúvida, reforçando o argumento de que não há recessão.

Empregos em alta e recessão, um paradoxo?

A secretária do Tesouro, Janet Yellen, em uma recente aparição no programa Meet the Press do canal NBC, disse que, embora dois trimestres consecutivos de crescimento negativo sejam geralmente caracterizados como recessão, as condições atuais da economia são únicas.

De acordo com Yellen, uma economia que cria 400.000 empregos por mês não pode estar em recessão.

Além disso, quando o assunto é mercado de trabalho, os EUA enfrentam um fenômeno no mínimo curioso, de recorde de vagas de trabalho em aberto. É como se estivesse havendo uma demanda por trabalho das empresas bem superior à oferta de mão de obra das pessoas. É o que alguns chamam de “The Great Resignation”, o fato de muitos americanos abrirem mão de seus empregos para trabalharem no que gostam ou simplesmente ficarem deitados sem fazer nada.

Seja como for, a economia está enfraquecida, com o relatório do PIB mostrando um recuo das empresas. Os empréstimos se tornaram mais caros com o Federal Reserve aumentando as taxas de juros, resultando na redução de dinheiro – e na disposição – para investir.

Mesmo que haja um suposto paradoxo, entre aumento na taxa de emprego e “recessão”, essa situação não se sustenta, não resistindo à prova do tempo. Se a queda na economia continuar, em algum momento o mercado de trabalho também será negativamente afetado.

A recessão na política

Uma economia em recessão é altamente prejudicial para qualquer governo, especialmente quando se trata de um ano com eleições.

Imagina o quão isso poderia ser utilizado pela oposição?

No caso dos EUA, 2022 é ano de midterm elections, com eleições para a Câmara e Senado.

Por essa razão, o governo Biden quer evitar ao máximo que o país esteja em recessão. O que faz dos índices de emprego servirem como uma espécie de tábua de salvação – pelo menos no curto prazo.

O próprio presidente Biden chegou a citar o crescimento recorde de empregos e o investimento empresarial estrangeiro como sinais de retomada econômica. Concluindo que uma economia com esses índices não poderia estar em recessão.

E os economistas?

Em uma sala com 10 economistas é muito provável que haja 11 opiniões diferentes. Esse popular ditado pode ser aplicado para as análises acerca da situação da economia norte-americana.

Enquanto existem análises considerando que os EUA já estão em recessão, outras consideram que esse ainda não é o caso.

Porém, uma coisa parece ser unanimidade, inclusive entre os economistas: o recuo da economia tende a permanecer, com isso se configurando em recessão no futuro próximo (provavelmente já para 2023).

Então, sobre os recuos no PIB norte-americano, o nome mais correto é recessão futura, ao menos tecnicamente ou politicamente falando.

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