Os resultados do 1º turno como termômetro para o bolsonarismo

O 1º turno das eleições municipais não produziu os resultados desejados pelo presidente Jair Bolsonaro. O seu principal apadrinhado a disputar uma prefeitura (São Paulo), o deputado Celso Russomano (Republicanos-SP), só conquistou 10,50% dos votos – um resultado menos expressivo do que os candidatos do PSDB, PSOL e PSB –, e foi incapaz de avançar para o 2º turno.  

Na capital fluminense, o candidato bolsonarista, o incumbente Marcelo Crivella (Republicanos), foi favorecido por um campo pulverizado, onde o voto do eleitorado de esquerda foi dividido entre candidatos do PDT e PT. Agora, no 2º turno, Crivella enfrenta a difícil tarefa de superar Eduardo Paes (DEM), que lidera as pesquisas eleitorais de votos valido por 30 p.p.  

A disputa por representação nas câmaras municipais também não trouxe sinalizações positivas. Os dois nomes mais associados ao presidente – o seu filho, Carlos Bolsonaro, e sua ex-mulher, Rogéria Bolsonaro – tiveram performances decepcionantes. Rogéria só angariou 2.033 votos e não se elegeu. Carlos, por sua vez, teve êxito na sua campanha de reeleição, mas perdeu 35 mil votos em relação ao seu resultado em 2016, quando foi o vereador mais votado na cidade do Rio de Janeiro com 106 mil votos.         

É importante frisar que a disputa por pleitos municipais e a disputa pela presidência seguem dinâmicas distintas; muitas tendências evidenciadas nas eleições locais não se replicam no próximo ciclo eleitoral. A política municipal é menos ideológica e melhor reflete os resultados concretos da gestão política. Contudo, ainda é possível extrapolar algumas tendências e lições que ajudam a contextualizar a próxima disputa pelo Planalto.  

Para o presidente Jair Bolsonaro, o 1º turno foi uma experiência de aprendizado. O seu envolvimento tímido, restrito na maioria dos casos a breves menções dos seus aliados, não aparenta ter sido a estratégia mais apropriada. Alguns candidatos, principalmente os que buscavam se eleger às câmaras, teriam se beneficiado de um endosso mais enfático e presente por parte do presidente. Ao mesmo tempo, o envolvimento de Bolsonaro tornou estas candidaturas um termômetro para a sua força política. Desta forma, a envoltura tépida do presidente mesurou a sua força, sem o benefício completo de toda a sua influência. 

Essa participação limitada resultou, em grande parte, do fato de que o presidente continua sem filiação partidária. A tentativa de criar uma sigla bolsonarista, A Aliança pelo Brasil, foi desfavorecida pela demora do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em regulamentar a validade de assinaturas digitais para cumprir o requisito mínimo de assinaturas (500 mil) necessárias par erguer um novo partido.  

Em retrospectiva, o embate iniciado por Bolsonaro com Luciano Bivar, o presidente do seu antigo partido, que ocasionou a cisão da sigla que o elegeu, aparenta ter sido um erro estratégico – principalmente em vista de que o próprio presidente já contemplou publicamente um retorno à sigla que ele mesmo implodiu.   

Fora esta questão partidária, muito foi dito em relação ao resultado expressivo dos partidos “de centro”, como DEM, PMDB, PSD, entre outros. Os ganhos destas siglas, junto a performance fraca do PT, foram vistos como uma sinalização de que o eleitorado já não possui o mesmo apetite pelos partidos com identidade ideológica mais definida – seja ele de esquerda ou de direita.  

Enxergo essa análise com um pouco de suspeita, devido às peculiaridades das eleições municipais supramencionadas, mas não duvido que este resultado reflita, parcialmente, a crescente rejeição do presidente nas capitais, que serviram como métrica para o sucesso destas siglas.  

O caminho para a eleição de 2022 ainda é longo e o governo ainda detém tempo hábil para registrar conquistas antes que o eleitorado vá as urnas para avaliar a atuação do presidente Bolsonaro. Os resultados do 1º turno trouxeram uma série de sinalizações mistas para o bolsonarismo. A performance fraca dos candidatos associados ao presidente foi contrabalançada pelo resultado fraco do seu principal rival, o PT. Ao que tudo indica, o futuro eleitoral do presidente Bolsonaro continua sob o seu controle, por bem ou por mal. 

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