Juros fecham em alta com pressão do câmbio e pessimismo sobre quadro fiscal

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Os juros futuros terminaram a última sessão de agosto em alta, recompondo parte dos prêmios devolvidos na sexta-feira, ainda em função do cenário fiscal preocupante e nesta segunda-feira, 31, também num dia desfavorável a moedas de economias emergentes, incluindo o real. Desse modo, o avanço foi um pouco mais firme nos vencimentos longos.

De maneira geral, a sessão foi de liquidez fraca em todos os vértices, com o mercado em compasso de espera pela divulgação do Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2021 e por novidades do programa Renda Brasil, além da agenda da semana que tem como destaque o resultado do PIB do segundo trimestre na terça-feira. Nesta segunda, o resultado do setor público consolidado de julho, mesmo com déficit menor do que apontava a mediana das estimativas, ficou em segundo plano.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subiu de 2,823% no ajuste de sexta-feira para 2,84% e a do DI para janeiro de 2023 passou de 4,014% para 4,04%. O DI para janeiro de 2025 encerrou a sessão regular com taxa de 5,88%, de 5,824% no ajuste anterior, e o DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 6,85%, de 6,783% no ajuste de sexta.

A curva inclinava mais pela manhã, quando a dinâmica do câmbio também era pior, com a moeda americana se aproximando dos R$ 5,50 novamente em meio à disputa pela formação da Ptax de fim de mês. À tarde, o dólar se acomodou na casa dos R$ 5,46 e contribuiu para reduzir o ritmo de avanço das taxas. “A sexta-feira tinha sido boa, mas sem um sinal fiscal forte, e o fim de semana foi vazio de notícias”, disse a gestora de renda fixa da MAG Investimentos, Patricia Pereira.

O evento mais esperado do dia, o anúncio do Orçamento 2021 que será encaminhado ao Congresso, acabou não mexendo com as taxas. “O risco não está no PLOA, mas no que falta ser divulgado. Se o Renda Brasil tivesse sido divulgado no ‘Big Bang day’ da semana passada, ele estaria no PLOA”, afirmou Patricia Pereira, lembrando das pressões do presidente Bolsonaro por um benefício mínimo de R$ 300, além da dificuldade dele em aceitar a extinção de alguns programas para custear a iniciativa.

“O ponto é o que vem pela frente, porque o Orçamento veio ‘incompleto’, pelo menos pelo que sabemos do desejo do governo de botar o Renda Brasil de pé”, acrescentou o especialista em contas públicas Guilherme Tinoco.

O PLOA de 2021 calcula em R$ 1,485 trilhão o limite do teto de gastos. O projeto ainda prevê uma insuficiência de R$ 453,715 bilhões para o cumprimento da regra de ouro no próximo ano. Esse é o valor de despesas previstas na peça orçamentária que estão condicionadas à aprovação de um novo crédito suplementar pelo Congresso Nacional em 2021.

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