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Os Bons Companheiros e a economia do crime

5 de agosto de 2022
Escrito por Terraco Econômico
Tempo de leitura: 3 min
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Tempo de leitura: 3 min

Na história do cinema, diferentes filmes retratando o dia-a-dia de poderosas máfias e ricos gângsteres conseguiram entrar no imaginário popular das pessoas, alcançando grande popularidade em todo o mundo.

Um desses filmes é o famoso “Os Bons Companheiros”, do original “Goodfellas”. Lançado em 1990, o filme, dirigido por Martin Scorsese e estrelado por astros como Robert De Niro e o saudoso Ray Liotta, mostra a ascensão e queda de Henry Hill, um poderoso mafioso americano de origem italiana e irlandesa.

O filme apresenta um recorte sobre o funcionamento de uma máfia, permeado por códigos e riscos, em uma organização voltada para o ganho de lucros por meios ilegais. É praticamente uma análise cinematográfica da economia do crime!

O que é a economia do crime?

A economia do crime consiste na utilização de instrumentos de análise das ciências econômicas para estabelecer relações causais entre variáveis criminológicas e variáveis de cunho econômico, social, político, etc.

Essa abordagem já é bem antiga, com antecedentes que vêm desde o século XVIII com Jeremy Bentham. Mas, a sua consolidação só ocorreu mesmo no final da década de 1960, a partir dos trabalhos de Gary Becker.

A teoria desenvolvida por Becker se baseia no comportamento do criminoso, destacando os fatores que podem motivar e inibir a realização de crimes. Com isso, o mercado de crimes seria um mercado de trabalho semelhante a qualquer outro – exceção feita para a questão da legalidade, claro – em que o criminoso agiria de maneira racional, respondendo a incentivos.

Assim, antes de agir, um criminoso avalia os ganhos e os custos relacionados com a sua ação.

Em Os Bons Companheiros é possível observar os incentivos que alguém recebe para entrar em uma máfia – como dinheiro, status, amizades -, ao mesmo tempo em há um enorme incentivo para quem já se encontra dentro de uma máfia não sair. Sair de uma máfia é quase como assinar um atestado de morte.

Isso também tem uma lógica econômica! Imagina uma máfia, cheia de segredos a respeito de crimes graves, com vários ex-mafiosos? O “negócio” estaria sendo constantemente ameaçado.

Competição e teoria do jogos

No geral, as máfias possuem uma espécie de verniz, passando a imagem de “amigos unidos pelo crime”. Essa imagem se torna especialmente forte quando o assunto são máfias italianas, como é muito bem mostrado no filme.

Porém, independente de ser italiana ou não, as máfias são extremamente competitivas, apresentando divisões internas e com indivíduos disputando posições de poder o tempo todo. Tudo isso pode ser visto durante a ascensão de Henry Hill.

Em meio a sorrisos efusivos e muitos tapinhas nas costas, Hill precisou estar em alerta, pois no mundo da máfia sinalizações nos gestos são mais importantes do que o gesto em si.

A esse respeito, é possível traçar um paralelo com o famoso dilema dos prisioneiros, em que dois prisioneiros precisam confessar ou não um determinado crime.

No caso da máfia, decisões difíceis devem ser tomadas o tempo todo, seja no instinto ou com base em informações privilegiadas. Uma confissão (decisão) certa no ambiente de máfia pode separar uma ascensão dentro do grupo de uma retaliação.

O que o filme Os Bons Companheiros tem a ver com economia?

Como vimos anteriormente, Os Bons Companheiros tem bastante relação com a economia.

O filme possui vários detalhes que parecem ter sido retirados diretamente de um manual de economia do crime.

A organização da máfia, com hierarquia e normas, assim como as sinalizações dos mafiosos, servem como um tipo de aplicação – na tela do cinema ou da televisão – da teoria dos jogos no crime, no qual decisões racionais são tomadas com base nos incentivos existentes.

Isso é Os Bons Companheiros, um excelente filme sobre máfias e economia do crime!

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