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Ondas de Elliot: o que são e como identificar na análise técnica?

9 de junho de 2022
Escrito por Guide Investimentos
Tempo de leitura: 11 min
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Tempo de leitura: 11 min

Entender o comportamento do mercado financeiro não é uma tarefa simples. Afinal, existem inúmeras variáveis envolvidas em suas movimentações. Contudo, é fundamental entender que grande parte das negociações realizadas nesse ambiente são mais influenciadas pelas emoções do que pela razão.

Essa é uma constatação publicada por um contador estadunidense que desenvolveu a teoria das Ondas de Elliot. Por meio da análise de padrões gráficos e de cálculos matemáticos, a teoria demonstra que seria possível compreender o ânimo do mercado e observar tendências.

Ao contar com esses dados, os especuladores terão mais informações para fazer projeções e montar estratégias no mercado financeiro. Desse modo, é possível aproveitar tanto os momentos de alta quanto os de baixa para gerar oportunidades de lucro.

Continue a leitura para entender como funcionam as Ondas de Elliot na análise técnica e descobrir como identificá-las. Confira!

O que são as Ondas de Elliot?

São muitos os critérios que podem ser avaliados ao buscar ganhos no mercado financeiro. Os pontos escolhidos para checagem estão relacionados ao tipo de análise que será realizada. Nesse contexto, as principais metodologias utilizadas são a análise fundamentalista e a análise técnica.

A primeira tem a função de averiguar os fundamentos de um negócio ou fundo de investimentos, servindo de base para investidores. O intuito é identificar perspectivas e tendências a médio e longo prazos, para entender o seu potencial de geração de lucro.

Por outro lado, está a análise técnica das tendências de ativos e derivativos do mercado financeiro Também conhecida como análise gráfica, as informações são dispostas visualmente e orientam investidores sobre negociações de papéis e outros ativos e derivativos na bolsa no curto prazo.

Dentro dessa segunda metodologia, é possível utilizar a teoria das Ondas de Elliot. Essa ferramenta se baseia na observação das grandes movimentações do mercado. Há três princípios que guiam esse tipo de análise: emoção, impulsão e subjetividade.

Ou seja, acredita-se que a dinâmica do mercado não é racional, visto que varia conforme o humor dos players. Essa característica fica ainda mais evidente quando se trata de operações de curto prazo, em que é necessário agir com certa rapidez.

Ao compreender o caráter subjetivo das oscilações da bolsa de valores, é possível identificar padrões de comportamento diante de diferentes cenários. Por exemplo, como o mercado responde a momentos de aquecimento e de desaquecimento.

Dessa forma, se torna viável buscar prever tendências e projetar cenários, ajudando a definir as operações de especulação na bolsa. Assim, por meio das Ondas de Elliot, você pode obter informações relevantes para tomar decisões ao abrir ou encerrar posições.

Como surgiu essa teoria?

As Ondas de Elliot são uma das maiores referências quando o assunto é análise técnica. Ela foi proposta pelo contador estadunidense Ralph Nelson Elliot. Em 1930, ele iniciou seus estudos sobre o comportamento dos ativos da bolsa de valores dos Estados Unidos.

O objetivo era encontrar um padrão entre as movimentações dos preços de ações. Para isso, ele recorreu à análise de gráficos de durações distintas, desde as curtas até as maiores, em diferentes cenários. Em 1938, Elliot concluiu a pesquisa e publicou o livro “The Wave Principle”.

A partir da transformação das ações humanas no mercado financeiro em gráficos, foi possível reconhecer padrões que se repetiam. Dessa forma, foram formadas figuras geométricas que se assemelhavam a ondas.

Ainda, existem dois detalhes bastante importantes sobre a teoria das Ondas de Elliot. O primeiro é o princípio de que os preços dos papéis se movimentam em ciclos, geralmente de subidas e quedas. O segundo princípio é a relevância das emoções nesse processo.

Desse modo, as variações de alta e de baixa são representações do ânimo dos investidores. Ou seja, a valorização ou o declínio de uma ação refletiam o entusiasmo ou o medo do mercado.

Essa característica, inclusive, é responsável por criar o “efeito manada”. Isto é, uma movimentação realizada por grande parte dos investidores que, ao observar um comportamento, tenta acompanhá-lo — mesmo que ele não seja o mais adequado para a sua estratégia.

Tempos depois, Elliot percebeu que seus cálculos matemáticos não se limitavam ao mercado financeiro. Em 1946, ele publicou o livro “Nature’s Law – The Secret of the Universe”. Nele, há uma associação da teoria das ondas à análise do comportamento humano como um todo.

Quais são os padrões das Ondas de Elliot?

Para aprender mais sobre essa teoria, é preciso compreender os diferentes padrões que podem ser formados com as Ondas de Elliot. Ao desenvolver a teoria, o contador estadunidense percebeu que as oscilações dos ativos funcionam por meio de ciclos.

Já esses ciclos variam conforme movimentos de impulsão e de correção formados por 8 ondas. Enquanto o primeiro curso conta com 5 ondas (1, 3, 5, A, C), o segundo é composto por 3 (2, 4, B).

Além de uma base na teoria do fractal, existe uma grande proximidade entre as Ondas de Elliot e Fibonacci. Por meio de cálculos que envolvem o “número de ouro” (1,618…), é possível identificar padrões geométricos que representam comportamentos do mercado.

São eles:

  • diagonal de finalização;
  • expansão horizontal;
  • correções de zigue-zague;
  • triângulos.

A seguir, você aprenderá mais sobre como as Ondas de Elliot funcionam!

Onda 1

Essa onda é percebida quando está em baixa o ânimo do mercado, podendo representar o começo de uma reversão de tendência. Trata-se de um momento em que há mais riscos relacionados aos ativos.

Ao identificarem a Onda 1, os operadores costumam se posicionar. O topo apresentará forte resistência, podendo confirmar um pivot (mudança de tendência). Outro ponto importante é em relação à extensão da Onda 1. Afinal, ela influenciará diretamente o tamanho das demais.

Onda 2

A Onda 2 indica um momento em que o mercado inicia o processo de reverter as posições. É possível que ela regresse quase ao nível da Onda 1 inteira — porém, sem ficar abaixo dela.

Aqui, entra em cena uma das 3 regras das Ondas de Elliot, a qual diz que a Onda 2 nunca é inferior ao início da Onda 1. Imagine que um ativo cotado a R$ 10 foi para R$ 15. Ao iniciar a regressão da Onda 2, o valor pode chegar próximo ao valor inicial de R$ 10, mas não ficará abaixo.

Embora existam pessoas que enxergam a Onda 2 como uma correção, ela também pode indicar uma série de altas. Ou seja, ao identificar esse movimento, pode ser o momento de redobrar a atenção para aproveitar as oportunidades que podem surgir.

Onda 3

A segunda regra das Ondas de Elliot está relacionada à Onda 3. Ela diz que essa onda nunca será a menor em tempo e extensão entre as ondas 1, 3 e 5. Ou seja, trata-se da onda de maior expansão dentro de um ciclo.

Nesse caso, o pivot (ou movimento-chave) já está confirmado — por isso, os movimentos são mais ágeis e refletem uma alta expressiva. O humor do mercado está aquecido, gerando mais entusiasmo em relação a um ativo e maior volume de negociações.

Veja uma continuidade do exemplo anterior. Um ativo foi de R$ 10 para R$ 15, depois regrediu para R$ 12 na Onda 2. Na Onda 3, o preço provavelmente passará dos R$ 17, pois trata-se do momento de maior expansão.

Desse modo, é preciso de muita atenção ao realizar as análises. Caso você perceba que a Onda 3 é menor do que as ondas 1 e 5, pode ser sinal de que aconteceu um erro na contagem.

Onda 4

A terceira regra diz que a Onda 4 nunca pode entrar na região da Onda 1. Retomando o exemplo anterior, suponha que a Onda 3 tenha atingido R$ 20. Nesse caso, a Onda 4 nunca será inferior a R$ 15 (topo da Onda 1). Novamente, caso isso aconteça, será preciso rever sua avaliação acerca das ondas.

As operações ligadas à Onda 4 são mais praticadas por especuladores que contam com uma certa experiência. Afinal, essa é considerada uma das mais difíceis de analisar. Embora ainda sinalize uma alta do mercado, o volume é menor e há mais riscos envolvidos.

Onda 5

O principal aspecto relacionado à Onda 5 é uma alta com baixo volume. Geralmente, a extensão é próxima da Onda 1, porém já indicando o fim de um curso de alta. É comum aparecerem divergências entre os indicadores, evidenciando uma diminuição do ânimo do mercado.

Se a Onda 5 não ultrapassar o topo da Onda 3, significa que existe uma grande força contra a tendência (reversão). Caso esse cenário se confirme, a previsão é que as ondas de correção (A, B e C) tenham, no mínimo, a extensão da Onda 4.

Continuando o exemplo citado, imagine que, no fim da Onda 4, o preço de um ativo chegou a R$ 17. Se o topo da Onda 5 for de R$ 19 (abaixo do auge da Onda 3), a perspectiva é que um pivot de queda se concretize.

Onda A

Já no campo das ondas de correção, a primeira delas é a Onda A. Sua principal característica é uma baixa intensa do preço do ativo ou derivativo. Contudo, é comum o mercado interpretar esse movimento como uma correção da alta anterior. Isso porque ainda não há muitos sinais de reversão da tendência.

Onda B

A Onda B é marcada por um movimento de alta, porém com baixo volume de negociações — o que significa um aumento dos riscos envolvidos. Desse modo, ela pode ser confundida com uma simples correção ou com a Onda 4.

Onda C

Enquanto as ondas A e B podem ser confundidas com correções, a Onda C apresenta uma forte desvalorização dos preços. Por isso, trata-se da confirmação de um movimento de queda. O fim de sua extensão pode ser percebido ao constatar divergências entre os indicadores técnicos.

Para que elas servem?

Agora que você já aprendeu o que são as Ondas de Elliot, é o momento de compreender qual é a utilidade desse método na análise técnica. Tanto as análises fundamentalistas quanto às análises técnicas têm objetivos em comum: orientar a tomada de decisão sobre as negociações no mercado financeiro.

Por meio das Ondas de Elliot, é possível identificar as movimentações de preços de um ativo, calculando tendências e realizando projeções. Ao avaliar o gráfico e o posicionamento de uma ação, é possível definir uma estratégia de para perspectivas de alta ou de baixa.

Diante de uma tendência de alta, por exemplo, você pode se posicionar na compra de um ativo, visando vendê-lo novamente após o movimento se concretizar. Por outro lado, diante da queda, você pode realizar operações vendidas, com a venda do ativo visando a recompra por um preço mais baixo.

Entretanto, é importante ter em mente que não existem garantias nas operações. Os movimentos projetados podem não se concretizar e resultar em perdas. Portanto, é fundamental ter estratégias para fazer um gerenciamento de riscos na especulação.

Como identificar as Ondas de Elliot?

Depois de ter essa forma de aplicar a análise técnica explicada, o próximo passo é descobrir como aplicá-la. Para isso, o primeiro passo é determinar qual é o ativo ou derivativo que pretende analisar. Após essa definição, será necessário estabelecer um tempo gráfico e um ponto de início da avaliação.

É normal surgirem dúvidas nas primeiras tentativas. Nesses casos, a recomendação é relembrar as principais características dessa teoria. Por exemplo, procure por um ciclo de 8 ondas. Em seguida, encontre um movimento de alta que apresente 5 ondas.

Ao identificar a primeira alta, é preciso que haja uma correção logo a seguir. Desse modo, você já terá as ondas 1 e 2. Logo após, é preciso haver um movimento de elevação com bastante volume. Geralmente, ela é percebida com facilidade. Trata-se da Onda 3.

Na sequência, deve estar uma correção, caracterizando a Onda 4. Por último, haverá uma elevação do preço do ativo, representando a Onda 5. Outra dica que será de grande auxílio no momento de identificação de um ciclo é conferir se as regras mencionadas foram confirmadas.

Se a Onda 2 for inferior ao início da Onda 1, a contagem está equivocada. Também é necessário se certificar de que a Onda 3 é a de maior extensão e que a Onda 4 não atinja o nível da Onda 1. Se todos esses critérios forem atendidos, você terá encontrado o ciclo todo.

Como foi possível perceber, as Ondas de Elliot são um método de análise técnica composta por padrões gráficos e cálculos matemáticos. Ao reconhecer o comportamento do mercado, você terá acesso a dados que podem ajudar na definição das suas estratégias!

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