+0,00% R$0,00
+0,00% R$0,00
Carregando...

O retorno do futebol no Brasil e o exemplo alemão

Devido a pandemia de Covid-19, o dia-a-dia do trabalho, da educação, do lazer e do esporte tiveram que ser severamente repensados ou suspensos. Entre as inúmeras atividades afetadas tem-se o futebol profissional, suspenso nos países que adotaram algum tipo de medida de isolamento ou distanciamento social.

É o caso do Brasil que, apesar toda a heterogeneidade – um eufemismo para a situação – acerca das práticas de combate a pandemia, suspendeu a realização de campeonatos futebol. Assim, os famigerados certames estaduais, juntamente com a Copa do Brasil, tiveram que ser interrompidos. Mas essa suspensão não deve ir muito longe, com forças políticas articulando o retorno do futebol brasileiro, desconsiderando que os casos da Covid-19 se elevam a cada dia no país – que acabou de bater a triste marca de quase vinte mil casos em 24 horas -, situação que tem levado ao colapso o sistema de saúde de várias cidades.

O grande argumento utilizado para um possível retorno do futebol no Brasil é a volta de outras ligas ao redor do mundo, mais precisamente, o retorno da Bundesliga. O presidente Jair Bolsonaro, inspirado pelo retorno da Bundesliga, chegou a pedir para que o Ministério da Saúde criasse um protocolo para o retorno dos jogos no Brasil.

A principal competição futebolística da Alemanha foi suspensa no dia 13/03, no momento em que o governo alemão começou a recrudescer as regras de isolamento social no país. Mais de dois meses depois, dia 16/05, a competição retornou, juntamente com o relaxamento das medidas de isolamento social, em um cenário de queda da transmissão da Covid-19 na Alemanha. Atualmente a situação alemã em relação ao controle da pandemia é bem diferente do cenário brasileiro.

Considerando o atual cenário brasileiro, de expansão dos casos e óbitos, o retorno do futebol é no mínimo temerário, podendo se desdobrar em graves consequências. Para avaliar isso, podemos pegar emprestado, mesmo que de maneira um tanto quanto superficial, o aparato da economia comportamental.

Primeiramente, podemos pensar no efeito sobre o aumento das aglomerações, pois mesmo que os jogos sejam feitos com os portões fechados, essas partidas sinalizam para que as pessoas se aglomerem em casa ou em bares. Além disso, há um incentivo para o deslocamento de pessoas em massa, dado que mesmo não podendo entrar nos estádios, torcedores podem ir atrás das suas equipes, mesmo que para ficar no lado de fora do estádio.

Outra questão perigosa acerca do retorno do futebol no Brasil está relacionada aos atletas. O planejamento para o retorno do futebol alemão considerou um rígido protocolo, que inclui, sobretudo, um sério cuidado quanto ao deslocamento dos jogadores para as partidas. Os jogadores do time da casa, por exemplo, só poderão se deslocar para os jogos com o próprio carro (e sem poder dar carona). Esse tipo de medida pode se tornar ainda mais complexa no caso do Brasil, um país que possui dimensões continentais. Fora que uma partida de futebol não é realizada apenas pelos jogadores em campo, dado que existe uma série de outros profissionais indispensáveis para a realização de uma partida, algo que traz ainda mais complicações para a atual situação.

Desse modo, o retorno do futebol no Brasil deveria ser postergado para um momento de queda de número de infectados pela Covid-19. O exemplo alemão nos alerta sobre isso, mostrando que o retorno do futebol só deveria ocorrer com todos os cuidados possíveis e apenas em um momento de controle evidente da pandemia de Covid-19.

Bitnami