Títulos públicos: o que são e como funciona o investimento?

Tempo de leitura: 12 minutos

Quando os brasileiros decidem experimentar investimentos além da poupança, logo descobrem os títulos públicos federais. Eles têm se tornado cada vez mais conhecidos, alcançando mais de 8 milhões de investidores em outubro de 2020. Isso representou um aumento de 65% em 12 meses!

O que veremos neste artigo?
O que são títulos públicos?
Quem emite títulos públicos no Brasil?
Por que o Governo vende títulos públicos?
Quais são os tipos de títulos públicos?
Quais são as diferenças entre títulos públicos e títulos privados?
Quanto custa um título público?
Os títulos públicos têm alta liquidez?
Como funcionam a tributação e as taxas dos títulos públicos?
Quais são as vantagens e desvantagens dos títulos públicos?
Quais são os riscos dos títulos públicos?
Na prática, como investir em títulos públicos?
Como vender títulos públicos?

As aplicações são consideradas os investimentos mais seguros do Brasil, e proporcionam recursos que financiam a dívida pública do país. Existem diversos tipos de títulos públicos, cada um com suas particularidades.

Neste post, você conhecerá todos os tipos de títulos públicos federais. Além disso, entenderá suas vantagens e desvantagens e descobrirá o que é Tesouro Direto. Por isso, continue a leitura!

O que são títulos públicos?

Títulos públicos são títulos de dívida que o Governo Federal emite e vende para investidores. A partir deles, o país capta recursos que possibilitam investimentos e financiam sua dívida.

Na prática, comprar um título público é o mesmo que emprestar dinheiro para o Governo. Você faz a compra e, no fim do período acordado, recebe seu dinheiro acompanhado de rendimentos.

Os títulos públicos estão relacionados com o Tesouro Direto. Aliás, muitas vezes, as duas coisas se confundem. Por isso, é importante entender bem o que é o Tesouro Direto.

Trata-se de um ambiente virtual de negociação, que permite aos investidores comprar e vender títulos públicos. O Tesouro Direto, portanto, não é exatamente um título, mas a plataforma pela qual o investidor pode acessar os títulos públicos disponíveis.

Quem emite títulos públicos no Brasil?

No Brasil, os títulos públicos são emitidos pela Secretaria do Tesouro Nacional, que faz parte do Ministério da Fazenda. Mas, para que um título possa chegar até você, há outros participantes no processo.

Por exemplo, a CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia) — que hoje é parte da B3, a bolsa de valores brasileira. Ela é responsável por fazer a custódia dos títulos dos investidores.

Por que o Governo vende títulos públicos?

Já ficou claro para você como é feita a venda primária de títulos do Governo e para que eles servem. No entanto, quando se fala em financiar a dívida pública, a que estamos nos referindo? O objetivo, basicamente, é ter recursos para cumprir suas responsabilidades.

Por exemplo, quando há uma crise, o país produz menos e há menor arrecadação de impostos. Ao mesmo tempo, aumenta o número de desempregados, o que eleva os gastos do Governo com seguro-desemprego e outros benefícios.

Assim, os títulos públicos representam a dívida do Governo para arcar com seus custos. Eles também possibilitam investimentos em áreas como educação, infraestrutura e saúde. Normalmente, são projetos de alto custo que trarão benefícios por muito tempo.

Quais são os tipos de títulos públicos?

Agora que você sabe por qual motivo o Governo vende títulos públicos, é hora de conhecer cada tipo de aplicação disponível para investidores.

Saiba mais sobre eles nos tópicos a seguir:

Tesouro Prefixado (LTN)

LTN significa Letra do Tesouro Nacional, mas o título é conhecido hoje como Tesouro Prefixado. Um título público prefixado oferece uma rentabilidade fixa, que é conhecida no momento da compra. Desse modo, é possível saber exatamente qual será o rendimento que você obterá com o investimento.

Tesouro Prefixado com juros semestrais (NTN-F)

NTN-F se refere a Nota do Tesouro Nacional Série F, que hoje é conhecida como Tesouro Prefixado com juros semestrais. Esse título é parecido com o que você viu no tópico anterior.

No entanto, ele oferece juros semestrais. Isso significa que você não precisa esperar até a data do vencimento para receber os rendimentos. Afinal, a cada seis meses, existe um pagamento de juros, os quais são creditados na sua conta de investimentos.

Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal)

O Tesouro IPCA+ era conhecido como Nota do Tesouro Nacional Série B. Ele é híbrido no sentido de que seus rendimentos têm uma parcela prefixada e outra pós-fixada.

A parcela prefixada é indicada no momento da compra. Quanto à pós-fixada, obedece à variação da inflação medida pelo IPCA. Por isso, o Tesouro IPCA+ dá ao investidor a garantia de que haverá um aumento real independentemente da inflação no período.

Tesouro IPCA+ com juros semestrais (NTN-B)

Como você acabou de ver, o Tesouro IPCA+ é híbrido. O mesmo ocorre com o Tesouro IPCA+ com juros semestrais, também conhecido como NTN-B. A diferença é a mesma que acontece no Tesouro Prefixado: nesse tipo de título, há o pagamento de juros semestrais.

Tesouro Selic (LFT)

O Tesouro Selic era conhecido como Letra Financeira do Tesouro, o que deu origem à sigla LFT. Sua principal característica é oferecer uma rentabilidade baseada na taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia.

A cada 45 dias, o COPOM (Comitê de Política Monetária) se reúne para decidir qual será a taxa Selic até a próxima reunião. Isso significa que o índice usado nesse título é variável. Desse modo, não se pode saber exatamente qual será o valor de resgate do título.

Quais são as diferenças entre títulos públicos e títulos privados?

Você já entendeu que a dívida do Governo pode ser financiada por meio de títulos. Entretanto, na renda fixa existem também os títulos privados. Eles são emitidos por instituições financeiras e empresas.

A seguir, conheça as principais características dos títulos privados para entender as diferenças entre eles e os investimentos oferecidos pelo Governo Federal. Acompanhe!

Títulos emitidos por bancos e instituições financeiras

Esses títulos têm como objetivo captar recursos, que são utilizados pelas instituições financeiras para fornecer crédito a pessoas físicas e jurídicas. Um exemplo de título privado é o CDB (Certificado de Depósito Bancário). Ao investir em um título como este você está, na prática, emprestando dinheiro à instituição financeira.

Em retribuição, ela paga juros, que podem ser calculados com base em indicadores como a Selic, o IPCA e o CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Os juros também podem ser prefixados, permitindo que o investidor saiba de quanto será o seu lucro.

Os títulos de instituições financeiras incluem também as LCIs e as LCAs (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio). Inclusive, elas são isentas de Imposto de Renda. LCs (Letras de Câmbio) são outro exemplo de títulos privados.

Nas aplicações citadas, os prazos, a liquidez e as taxas de juros variam em cada caso. Por isso, o investidor deve analisar cada um para ver se está alinhado com seus objetivos. É possível acessar diferentes títulos — de diversos emissores — por meio de uma corretora de valores.

Além disso, é importante destacar que muitos títulos de instituições financeiras contam com a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Significa ter uma proteção em caso de falência ou calote dos bancos. O fundo restitui R$250 mil por CPF e instituição, até um limite global de R$ 1 milhão, renovável a cada 4 anos.

Títulos de empresas

As empresas e instituições não-financeiras também podem emitir títulos de dívida. Eles podem ser negociados, por exemplo, na forma de Debêntures ou de CRIs e CRAs (Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio). Contudo, é importante ter em mente que esses títulos não são protegidos pelo FGC.

Além disso, eles costumam ter prazos de carência mais longos. Quanto à rentabilidade, assim como nas demais aplicações, pode ser prefixada, pós-fixada ou híbrida.

Ao conhecer os títulos privados se torna mais fácil identificar as principais diferenças entre eles e os títulos públicos, não é mesmo?

Quanto custa um título público?

Depois de conhecer mais sobre os títulos privados, é possível saber que algumas das principais diferenças entre eles e os títulos públicos são a liquidez e o custo. Em geral, a liquidez das aplicações do Governo é diária, e eles costumam ser bastante acessíveis ao investidor.

O preço varia de acordo com o tipo do título, bem como com a rentabilidade e o prazo. Uma das facilidades do Tesouro Direto é a possibilidade de comprar 1% de um título. Assim, os investimentos podem ser feitos em valores próximos de R$50 em alguns títulos ou R$ 100 em outros, por exemplo.

Independentemente do valor de cada título, o investimento mínimo permitido é de R$ 30. Assim, se a menor fração do título da sua escolha for abaixo desse valor será preciso adquirir mais. Já se ela for mais cara, o preço mínimo é o equivalente a ela.

Os títulos públicos têm alta liquidez?

Agora que você viu que é possível investir um valor baixo em títulos públicos e contar com liquidez diária, vale a pena saber mais sobre esse último conceito. Liquidez se refere à facilidade de se converter um investimento em dinheiro.

Assim, liquidez diária significa que, ao pedir resgate, você pode receber seu dinheiro no mesmo dia ou no dia útil seguinte. Isso acontece porque o Governo sempre garante a recompra da aplicação, mesmo antes do período de vencimento.

Por outro lado, existem aplicações de renda fixa que apresentam baixa liquidez. Nesse caso, ela pode ser apenas no vencimento, por exemplo. Significa que o investidor não pode pedir resgates antecipados.

No entanto, sobre os títulos públicos é preciso pensar na marcação a mercado. Especialmente no Tesouro Prefixado e no Tesouro IPCA, o resgate antecipado pode levar você a ter algum prejuízo. Afinal, é preciso aceitar o preço que o mercado está concordando em pagar no momento de se desfazer do investimento.

Como funcionam a tributação e as taxas dos títulos públicos?

Antes de investir em títulos públicos, é necessário ter em mente as despesas que você terá. E uma delas é a taxa de corretagem. Ela se refere aos custos da corretora de valores para fazer a intermediação das operações. E algumas instituições não fazem essa cobrança.

Outra despesa relacionada com os títulos públicos é a da bolsa de valores. Ela cobra uma taxa de custódia semestral para guardar os títulos. Contudo, a taxa não é cobrada para investimentos abaixo de R$10 mil no Tesouro Selic.

Além disso, existe mais uma possível despesa: o IOF (imposto sobre operações financeiras). Ele incide apenas sobre aplicações que duram menos de 30 dias — e vai diminuindo desde o primeiro até o último dia.

Por fim, é preciso pagar Imposto de Renda sobre o lucro que você obtém. A tabela é regressiva, variando conforme o tempo de investimento. A regra é a seguinte:

  • até 180 dias: 22,5%;
  • de 181 a 360 dias: 20%;
  • de 361 a 720 dias: 17,5%;
  • a partir de 721 dias: 15%.

Quais são as vantagens e desvantagens dos títulos públicos?

O investimento em títulos públicos apresenta tanto vantagens quanto desvantagens. Saiba mais sobre eles a seguir!

Vantagens

Uma das vantagens dos títulos públicos é sua segurança. Afinal, a chance de o Governo não conseguir honrar o compromisso com os investidores é mínima. Como mostramos, as aplicações federais são consideradas as mais seguras do país.

Além disso, tais títulos oferecem uma boa liquidez, sendo possível resgatar o valor investido com rapidez. Por fim, esse tipo de investimento é bem acessível. Desde que você tenha conta em uma corretora, é muito simples negociar títulos públicos.

Desvantagens

Claro, não podemos nos esquecer das desvantagens dos títulos públicos. Uma delas é a marcação a mercado, especialmente nos títulos híbridos e prefixados. Se você fizer um resgate antecipado, poderá ter prejuízo porque será preciso aceitar o preço que o mercado determinar.

Além disso, a rentabilidade pode ser considerada baixa quando comparamos com títulos privados e ativos de renda variável. Na verdade, a baixa rentabilidade costuma ser uma característica de investimentos seguros.

Quais são os riscos dos títulos públicos?

Em relação aos riscos, pode-se dizer que os títulos públicos apresentam um nível de risco muito baixo. Mesmo em caso de uma crise econômica gravíssima, o Governo seria o emissor menos instável. Assim, os títulos de renda fixa privada e a renda variável apresentam riscos maiores.

Na prática, como investir em títulos públicos?

Agora que você tem um bom entendimento sobre o assunto, deve estar querendo saber como investir em títulos públicos. Primeiramente, é necessário ter uma conta em uma corretora de valores. Depois, basta transferir dinheiro do seu banco para ela.

Então, acesse o Tesouro Direto e escolha um título para investir. Depois de informar o valor, confirme. Após a liquidação, o título passa a integrar sua carteira de investimentos.

Como vender títulos públicos?

A venda dos títulos é muito parecida com a compra. Primeiro, é preciso acessar o Tesouro Direto e visualizar seus títulos. Clique em “Resgate” e informe se quer fazer um resgate parcial ou total. Em seguida, confirme. Bastante simples, não é mesmo?

Como vimos, os títulos públicos federais podem compor uma parcela de segurança na sua carteira de investimentos. No entanto, lembre-se de definir objetivos e escolher os títulos mais adequados para cada um deles. Afinal, eles têm características específicas – e você precisa conhecê-las antes de fazer sua escolha!

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