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O que podemos aprender com o Fundo do Petróleo da Noruega

15 de junho de 2022
Escrito por Suno Research
Tempo de leitura: 3 min
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Tempo de leitura: 3 min

Há quem diga que todo norueguês já nasce aposentado e vivendo de rendas, isso porque o país detém o maior fundo de riqueza soberana do mundo em termos absolutos.

Tal fato fica ainda mais evidente quando dividimos o total em ativos sob gestão pela população do país. Segundo o seu documento anual e a Statista, o fundo encerrou o ano de 2021 com em torno de 1,36 trilhões de dólares, o que equivale a pouco mais de 265 mil dólares por habitante do país (em torno de 5,5 milhões).

Em uma comparação semelhante, o China Investment Cooperation (1,1 trilhão de dólares sob gestão) não consegue chegar proporcionalmente perto se considerarmos a numerosa população chinesa, que é próxima de 1,4 bilhões de habitantes.

Apesar da magnitude do Government Pension Fund Global (GPFG) ser conhecida de muitos, dado que pelo seu tamanho o fundo acaba figurando com posições relevantes em diversas empresas importantes, pouco se sabe sobre o objetivo e estratégia de investimento do que é popularmente conhecido como Fundo do Petróleo da Noruega.

Estabelecido em 1990, o GPFG tem como principal foco investir o excedente de resultados do setor petrolífero do país, convertendo o fruto da exploração e produção de óleo em um portfólio de investimentos variados.

O objetivo acaba por ser o de proteger e diversificar a economia da Noruega, mantendo o valor extraído do seu principal ativo – que é finito – ao longo das gerações.

Por meio do fundo, os noruegueses previnem o que na economia se convencionou como Dutch Disease (doença holandesa), termo cunhado para fazer menção à relação entre a exploração de recursos naturais e o declínio do setor manufatureiro.

Tal circunstância costuma ocorrer quando os recursos naturais de um país são tão abundantes que geram vantagens comparativas substanciais para eles, levando-os a focar demais na produção desses bens e a não se industrializar (ou até mesmo se desindustrializar). Isto, pensando no longo prazo, prejudica o processo de desenvolvimento econômico.

Sob esses pretextos, no final das contas, o Fundo do Petróleo facilita a poupança do governo para compensar os custos crescentes do welfare state (estado de bem-estar social) norueguês, que contempla os programas de pensão pública locais.

Apesar de ter tido uma performance forte em 2021 (apreciação de 14,5%) a gestão do GPFG manifestou preocupação justamente com o ponto citado acima. Na medida em que o estado de bem-estar social do país depende cada vez mais das transferências do fundo, ele se torna cada vez mais vulnerável à volatilidade no seu valor.

Motivado por isso, o Ministério das Finanças da Noruega, que delega a gestão do GPFG ao Norges Bank, requisitou que acadêmicos revisassem possíveis inconsistências no mandato do fundo. O principal problema levantado acabou sendo descrito por Rob Bauer, professor de finanças na Maastricht University:

O GPFG tem a complexidade de um fundo de investimento ativo, com várias estratégias diferentes e centenas de colaboradores, mesmo com uma performance que se assemelha muito à fundos de índices, que conseguem operar de forma simplificada e limitando os custos.

Como o problema levantado é recente, ainda não se sabe como essa questão será endereçada pelo Ministério das Finanças local e pela gestão do Norges Bank. Contudo, o que se percebe ao observarmos a história e a motivação do que está por trás do Fundo do Petróleo noruguês é o racional de longo prazo extrapolado para a dimensão de uma nação.

Em seu pequeno universo particular, cada pessoa também pode adotar uma postura semelhante, perseguindo construção contínua de conhecimento, melhorias em seus processos e, sobretudo, a sustentabilidade do que consegue gerar hoje por meio de investimentos e diversificação.

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Artigo por Bernardo Viero.

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