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Cotações por TradingView

O que é Taxa Selic? Entenda para que serve, rendimentos e como ela afeta seu dinheiro

23 de fevereiro de 2021
Escrito por Guide Investimentos
Tempo de leitura: 11 min
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O que é a taxa selic? - ilustração de uma calculadora amarela num fundo marrom
Tempo de leitura: 11 min

Quem acompanha as notícias ligadas à economia costuma ouvir bastante sobre a taxa Selic. Isso é justificado pela importância que o indicador tem no país e pela influência que exerce em diversos aspectos, incluindo os investimentos.

O que veremos neste artigo?
O que é a taxa Selic?
Como funciona a taxa Selic?
Quais as diferenças entre Selic over e a taxa Selic meta?
Para que serve a taxa Selic?
Quais são os indicadores relacionados à Selic?
Como calcular a taxa de juros Selic?
Como acompanhar o valor da taxa Selic?
Por que é importante conhecer a taxa Selic?

Então, se a sua intenção for aproveitar as oportunidades do mercado financeiro, é indispensável conhecer melhor a Selic e saber como acompanhá-la. Com mais informações, é possível avaliar as oportunidades e as condições econômicas, o que aumenta as chances de sucesso.

Portanto, descubra tudo o que é relevante sobre a Selic e entenda como ela pode afetar o seu cotidiano!

O que é a taxa Selic?

Para começar a entender essa taxa, é importante perceber que a sigla Selic representa o Sistema Especial de Liquidação e Custódia. A taxa, por sua vez, é uma ferramenta da política monetária desempenhada pelo Banco Central do Brasil (Bacen) e que tem grande impacto na economia.

Ela também é conhecida como taxa básica de juros da economia. Portanto, seu valor representa qual é a incidência de juros sobre as operações econômicas realizadas no país.

Como funciona a taxa Selic?

Como você verá em mais detalhes a seguir, o funcionamento da taxa Selic acontece de duas formas. A primeira envolve a definição do valor anual por parte do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Os integrantes determinam qual será a taxa aplicada ao mercado, após avaliarem o cenário. O funcionamento da Selic também está ligado aos empréstimos realizados diariamente entre os bancos. Dependendo desse volume, a taxa observada pode ser maior ou menor.

Na prática, a taxa Selic é o valor dos juros oferecidos pelo Governo no sistema de negociação, que é limitado aos bancos e ao Banco Central.

Quais as diferenças entre Selic over e a taxa Selic meta?

Como você acabou de ver, o funcionamento da taxa Selic não é único e há mais de uma metodologia para chegar a tal resultado. Isso significa que, na verdade, temos dois valores: a Selic over e a taxa Selic meta.

A Selic meta é aquela definida, de modo fixo, pelo Copom. O comitê se reúne 8 vezes por ano, o que significa que a periodicidade é de 45 dias. Nesse encontro, os integrantes chegam a um consenso e definem se a taxa deve sofrer um aumento, uma queda ou ser mantida até a próxima reunião.

Na situação, é definido um valor fixo, que é mantido até a próxima reunião onde há indicação para a mudança. No geral, é a essa taxa que todos se referem quando se fala que a Selic caiu ou subiu, por exemplo.

Já a taxa Selic over depende do comportamento diário do mercado. Isso se dá porque, para diminuir os riscos, os bancos optam por comprar a maior parte dos títulos públicos disponíveis. Como consequência, podem obter rentabilidade com mais segurança, enquanto o Governo capta recursos.

Porém, uma regra do Bacen determina que os bancos não podem fechar o dia com o caixa negativo. Para cumprir a regra, as instituições solicitam empréstimos a outros bancos, com prazo de 24 horas e garantia na forma de títulos públicos.

Essas operações são realizadas com taxas e a média diária delas dá origem ao que é conhecido como taxa de juros real.

Na maioria das vezes, taxa Selic over e Selic meta estão equiparadas. Quando existe um desequilíbrio, o Bacen interfere e negocia títulos públicos para garantir que os valores estejam no mesmo patamar.

Para que serve a taxa Selic?

A função da taxa Selic na economia brasileira é variada, mas justifica sua importância geral. Primeiramente, ela serve como um valor de referência, até mesmo para outros indicadores. Afinal, é utilizada nas transações entre Governo e bancos.

Outra função é como ferramenta da política monetária, ajudando a controlar a economia. Se a Selic estiver alta, pode diminuir a circulação de moeda e ajudar a controlar a inflação. Se estiver baixa, aumenta o volume de moeda negociado e pode estimular o desenvolvimento econômico.

Ela também é usada no mercado financeiro em diferentes produtos, como você ainda verá neste artigo. Portanto, são três as funções principais:

  • é uma das principais ferramentas para implementar a política monetária;
  • serve como um termômetro da situação econômica;
  • baseia determinados investimentos.

Quais são os indicadores relacionados à Selic?

Considerando que a taxa Selic pode funcionar como um indicador de referência, ela está associada a outros indicadores utilizados na economia. Por isso, vale a pena conhecer quais são e qual é a relação entre eles.

Confira!

CDI

O Certificado de Depósito Interbancário (CDI) é um dos principais indicadores associados à Selic. Ele também tem grande importância nos investimentos. Apesar de serem relacionados, entretanto, há diferenças.

O CDI corresponde à taxa cobrada nos empréstimos entre os bancos. Como ela envolve as operações e títulos privados, tem um desempenho ligeiramente diferente da Selic.

Normalmente, o CDI fica um pouco abaixo da taxa básica de juros da economia, mas costuma acompanhar suas oscilações. Portanto, conhecer o valor da taxa Selic permite ter uma ideia a respeito do CDI, o que pode interferir na sua tomada de decisão quanto aos investimentos.

IPCA

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é considerado o principal indicador inflacionário do Brasil. Com isso, é tido como o índice oficial de inflação do país. E qual é a relação dele com a Selic? Como você viu, o aumento da taxa dificulta o acesso ao crédito.

Portanto, reduz o consumo e o volume de dinheiro em circulação. Nesse sentido, pode ser uma ferramenta para controlar ou mesmo reverter a alta da inflação. O contrário também é verdadeiro. Com a baixa da Selic, o acesso ao crédito é facilitado, o que aumenta o dinheiro em circulação.

Como consequência, pode haver um desenvolvimento econômico — mas é esperado que a inflação também aumente. Portanto, Selic e IPCA caminham em direções opostas. Quando a taxa básica de juros aumenta, o índice inflacionário tende a cair e vice-versa.

Como calcular a taxa de juros Selic?

O valor Selic meta é definido pelo Copom de maneira fixa, como visto. Por outro lado, o cálculo da Selic over é um pouco mais complexo. Ele considera aspectos como os financiamentos diários ocorridos no sistema Selic, o volume de operações liquidadas e registradas e outros.

Assim, o cálculo tem muitas variáveis. Porém, a boa notícia é que o investidor comum não precisa se preocupar em fazer esse cálculo. Ele é realizado automaticamente pelo próprio Banco Central.

Então, seu cuidado deve ser de conhecer valores como a Selic mensal e mesmo a versão diária. Como ocorre o cálculo da taxa real diariamente, você não precisa se limitar a conhecer apenas a taxa Selic anual.

Para conhecer os valores, basta acessar o site da Receita Federal ou os dados diários do Banco Central, por exemplo. Para calcular a Selic acumulada a partir da taxa diária ou mensal é simples: manualmente, você deve somar as taxas apuradas até o período para encontrar o total.

Caso queira simular investimentos, também é possível usar a Calculadora do Cidadão do Bacen. Basta inserir os períodos de início e de fim para corrigir uma quantia de interesse pela Selic acumulada.

Como acompanhar o valor da taxa Selic?

Como você viu, não é necessário saber como calcular a taxa Selic, já que tudo é feito automaticamente pelos órgãos competentes. Porém, você deve dar plena atenção ao acompanhamento desse valor e às suas alterações.

Para tanto, é possível seguir alguns caminhos. O primeiro é recorrer ao Boletim Focus, elaborado e disponibilizado gratuitamente pelo Banco Central. Ele traz projeções variadas sobre a economia, incluindo a taxa Selic e suas variações em potencial.

Assim, você tem um panorama das condições atreladas a essa taxa e pode entender melhor o seu comportamento.

Além disso, é interessante conferir as datas de reuniões do Copom a cada ano e acompanhar os resultados desses encontros. Logo após os integrantes chegarem a uma decisão já é possível saber quais serão os efeitos que passarão a valer na Selic.

Não menos importante, pode ser oportuno considerar as avaliações de analistas do mercado financeiro. Com base nas condições da economia e nas projeções, eles conseguem fazer estimativas quanto ao valor da Selic. Quanto mais informação você tiver nesse sentido, melhor.

Por que é importante conhecer a taxa Selic?

Até aqui, foi possível entender que a taxa Selic tem grande importância na economia e, portanto, em seu cotidiano. Ela impacta diretamente condições como a inflação, o acesso ao crédito e o desenvolvimento da economia.

Como está atrelada aos títulos públicos, a taxa Selic pode aumentar ou diminuir o endividamento do Governo. Afinal, quando está alta, o setor público precisa oferecer uma remuneração maior. No geral, isso exige um equilíbrio de contas maior, o que também afeta a política monetária.

Além do mais, vale considerar que ela pode interferir na atração de investimentos estrangeiros. Quando a taxa de juros está alta, o investidor de fora pode enxergar mais motivos para trazer seus recursos para o Brasil.

A queda, ao contrário, pode motivar a saída de investimentos estrangeiros, que buscam outros mercados mais atraentes.

Para completar, vale a pena saber que a Selic afeta diretamente os investimentos realizados no mercado interno. Por isso, se você já investe ou pretende começar, é fundamental conhecer os impactos desse índice.

Veja quais são os pontos principais!

Selic e títulos públicos

Ao pensar na relação entre a taxa básica de juros da economia e os investimentos, é impossível deixar de citar os títulos do Tesouro Nacional. Afinal, o cálculo da Selic over depende diretamente da negociação de tais investimentos.

Na prática, a taxa pode afetá-los de forma direta ou indireta. O Tesouro Selic é um título público pós-fixado cujo rendimento depende da Selic. Ele tem liquidez diária e gera mais ou menos ganhos com o aumento ou com a queda da taxa da taxa ao longo do tempo.

Já o Tesouro IPCA+ é um título híbrido, cujo rendimento depende do IPCA mais uma taxa fixa. Mas, como vimos, a inflação também é afetada pela Selic. Então, a política monetária adotada no longo prazo e as flutuações dessa taxa interferem no rendimento final desse investimento.

Quanto ao Tesouro Prefixado, a taxa é definida por contrato e pode ser maior que a Selic no momento da aplicação. Contudo, as variações dele pode tornar o Tesouro Prefixado mais ou menos atraente, por causa do custo de oportunidade.

Selic e investimentos ligados ao CDI

Apesar de os títulos públicos serem intensamente afetados pela Selic, eles não são os únicos. Os investimentos de renda fixa, no geral, sofrem a influência dessa taxa. O impacto se torna mais forte quando pensamos nos investimentos pós-fixados que rendem de acordo com o CDI.

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) e as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) e outras aplicações são alguns exemplos. Nesses casos, a alteração na Selic pode impactar a conquista de resultados.

Se a Selic cair durante o período de investimento, a rentabilidade obtida ao final será menor. Já se as projeções forem de aumento, pode ser que o investimento nesses títulos se valorize. Portanto, é importante conhecer a taxa antes de incluir tais investimentos na sua carteira.

Selic e a renda variável

A relação da taxa de juros da economia com os investimentos não se limita à renda fixa. A renda variável também é afetada indiretamente por esse indicador e, por isso, é preciso ter atenção.

Quando a taxa Selic sobe, a renda fixa pode se tornar mais atraente porque passa a render mais. Logo, mais investidores focam nessas alternativas, o que pode diminuir a atratividade da renda variável.

Além disso, juros elevados dificultam o acesso ao crédito por parte de pessoas físicas e jurídicas. Portanto, as empresas têm mais dificuldade para financiar seus projetos e podem ficar mais endividadas, o que prejudica o mercado de ações.

Por outro lado, uma Selic baixa aumenta o acesso ao crédito e pode estimular o consumo. A combinação de condições pode ajudar as empresas a se desenvolverem, o que pode elevar a cotação das ações.

Além de tudo, uma Selic muito baixa dá origem a uma renda fixa pouco rentável. Então, mais investidores tendem a entrar na bolsa de valores e o volume maior de negociação favorece a valorização do mercado.

Como você pode ver, a taxa Selic é um dos indicadores mais importantes da economia brasileira e tem impacto em investimentos da renda fixa e variável. Conhecer suas características e acompanhar as variações dela é importante para usá-la a seu favor durante a tomada de decisão!

Em 2020 a taxa de juros da economia brasileira atingiu seu menor valor na história. Veja o que fazer diante da taxa Selic mais baixa!

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