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O que é Taxa Referencial e como ela tem relação com o seu dinheiro?

Tempo de leitura: 5 minutos

Na década de 90, a Taxa referencial era um dos principais componentes de indexação de preços e controle da inflação. Entretanto, hoje em dia a TR está presente na rentabilidade da caderneta de poupança, nos títulos de capitalização, correção dos contratos de imóveis e reajuste do FGTS.  Se você ainda não sabe como ela funciona, leia até o final e descubra qual a relação da TR com o seu dinheiro.

Você já ouviu falar da TR?

A sigla TR significa Taxa Referencial e surgiu no início de 1991, no governo do presidente Fernando Collor, visando suprimir a indexação da economia. Na época, a TR era divulgada diariamente para driblar a hiperinflação que assolava o País e conter o crescente aumento dos preços. 

A Taxa Referencial foi criada por medidas provisórias do Plano Collor II, voltadas à política econômica. Neste mesmo período, ela se tornou base para o cálculo da poupança, sendo sua remuneração equivalente a 0,5% do valor aplicado mais TR. 

Como é calculada a TR?

O cálculo da TR já passou por algumas mudanças estruturais. A princípio, sua metodologia se apoiava na média ponderada ajustada, dos CDBs prefixados (Certificados de Depósito Bancário) das 30 maiores Instituições Financeiras do Brasil. Essa média mensal é conhecida como TBF (Taxa Básica Financeira).  

A partir de 2018, com o objetivo de torná-la menos volátil, a LTN (Letra do Tesouro Nacional) se tornou o novo parâmetro da fórmula da TR. Apesar das alterações, algumas variáveis permaneceram no modelo, como a TBF e o Redutor (R), peça essencial que elimina os efeitos dos impostos sobre a taxa. 

Para calcular a Taxa Referencial, primeiro é preciso descobrir o valor de R (redutor):

R = a + b x TBF 

Em que:

R: é o redutor;

a:  valor fixo igual a 1,005 (valor definido na criação da TR);

b: depende do valor da TBF (divulgado mensalmente pelo Banco Central);

TBF: Tarifa Básica Financeira

Com o resultado de R, basta substituí-lo na fórmula abaixo:

TR = 100 x {[(1 + TBF ÷ 100) ÷ R]  – 1}

Cabe ressaltar que a Taxa Referencial não pode apresentar valor negativo, quando isso ocorrer será considerada igual à zero. 

Por fim, caso você tenha ficado confuso, existe uma maneira mais simples de descobrir o valor exato a ser corrigido pela TR, é só acessar a calculadora do cidadão no site do Banco Central.

Entenda como a TR está atrelada ao rendimento da poupança?

Antes de adotar a Taxa Referencial, o rendimento da poupança era mensurado através dos índices de preço. Entretanto, essa metodologia apresentava falhas que promovia ainda mais a inflação da época. Logo surgiu a necessidade de um novo indicador que fosse capaz de corrigir os valores da caderneta, sem gerar danos à economia. 

A Taxa Referencial foi a escolhida para o modelo, que não mais se baseava no passado, mas sim, gerava perspectivas futuras sobre a inflação. Deste modo, o Governo definiu que a caderneta de poupança apresentaria uma rentabilidade de 0,5% do valor total aplicado mais a TR. 

Entretanto, no mandato da Presidente Dilma Rousseff, no ano de 2012, a forma de remunerar os investidores foi novamente substituída. Em vista disso, a remuneração da poupança passou a ser dividida em dois cenários:

  1. a) 0,5% + TR, caso a meta Selic seja superior a 8,5% a.a;
  2. b) 70% da Selic + TR, meta Selic abaixo de 8,5% a.a.

Atualmente, a meta Selic se encontra bem abaixo de 8,5%, por isso o rendimento da caderneta de poupança hoje pode ser calculado a partir do item b. 

Qual a diferença entre a Taxa Referencial e a Taxa Selic?

A Taxa Referencial costuma acompanhar o movimento da Taxa Selic, ou seja, elas  tendem a cair ou subir juntas. Inicialmente as duas foram criadas com objetivos semelhantes, controle da hiperinflação. Porém, a Selic acabou tomando proporções e finalidades muito maiores. 

As principais diferenças entre elas são: a TR remunera a poupança, o saldo do FGTS e reajusta os financiamentos imobiliários e os títulos de capitalização. Já a Selic, é a taxa básica de juros do país, principal instrumento de política monetária atual. 

Cabe destacar que a TR tende a estar bem abaixo da Selic, lembrando que valores negativos são assimilados como zero. Nos últimos meses, quiçá anos, a Taxa Referencial se manteve em 0%, já a Taxa Selic vem sofrendo vários cortes, por conta da atual conjuntura econômica do país. Esse movimento causa grande impacto nos investimentos, principalmente nos ativos de renda fixa

A Taxa Referencial impacta outros investimentos?

No momento presente, a poupança é o único investimento que sofre impacto direto da Taxa Referencial. Contudo, com a TR atual igual a zero, a rentabilidade da caderneta se resume em 70% da taxa Selic. Nesse cenário, o rendimento real desta aplicação em um determinado período, se descontar a inflação, pode apresentar resultado negativo. Aqui você pode ler mais sobre investimentos melhores que a conta poupança.

Antigamente existiam títulos do tesouro direto vinculados à Taxa Referencial, porém não é mais possível adquiri-los, pois existem outras modalidades mais atrativas para os investidores. Como informado acima, a TR também está atrelada às aplicações do FGTS, título de capitalização e financiamento imobiliário, que apesar de não serem modalidades formais de investimento, elas são importantes para o cálculo das finanças de um cidadão brasileiro.

Conclusão

A Taxa referencial foi um dos principais indicadores da década de 90, época marcada pela hiperinflação. Hoje em dia, com a TR igual a zero, a poupança já não apresenta rendimentos expressivos. Por isso, o conhecimento sobre as taxas praticadas na economia e seus indicadores é tão importante, não só para escolher bons investimentos, mas também entender os reais impactos no seu bolso.

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