O que é renda variável e como começar a investir

O perfil do investidor brasileiro sempre foi mais conservador, mas presenciamos um novo momento no cenário econômico, com baixas taxas de juros e mais acesso à educação financeira. Sendo assim, é perceptível que os investidores no Brasil estão dispostos a ousar mais em seus investimentos em busca de melhores retornos.

De acordo com dados fornecidos pela B3, o número de pessoas físicas na bolsa de valores triplicou nos últimos 2 anos. Nem mesmo a chegada inesperada do Covid-19 foi capaz de interromper a mudança de comportamento dos investidores. Continue a leitura e saiba como aproveitar as inúmeras oportunidades que o mercado de renda variável oferece.

O que é Renda Variável?

Renda variável é uma categoria de investimentos em que os ativos são expostos diretamente às variações de mercado e, por este motivo, o investidor não consegue mensurar com exatidão quanto de retorno terá em suas aplicações. Diferente da renda fixa, o rendimento destas aplicações é determinado pela flutuação dos preços de compra e venda dos ativos, o que faz com que essa classe tenha uma maior exposição ao risco. Em contraparte, o investidor tem a possibilidade de atingir maiores retornos.

Conheça os principais produtos da renda variável?

A renda variável é composta por algumas modalidades que permitem ao investidor inúmeras oportunidades de investimento, tais como:

Ações:

São títulos negociados na bolsa de valores que representam uma pequena parcela do capital social de uma empresa. Sendo assim, ao adquiri-las o investidor torna-se sócio e com isso detentor de direitos e deveres, proporcionais ao tamanho de sua posição. Certamente, esta é a modalidade mais conhecida no mercado de renda variável, assim como a mais acessível também.

Fundos imobiliários:

Tratam-se de fundos de investimentos que aplicam seu patrimônio em ativos relacionados ao mercado imobiliário, tais como shoppings, hospitais, agências bancárias, lajes corporativas, dentre outros ativos. Suas cotas são negociadas na bolsa e um dos seus atrativos está no retorno, que pode se dar tanto pela valorização da cota quanto pelo pagamento de rendimentos isentos de imposto de renda para pessoa física. É válido mencionar que esses rendimentos são frutos de aluguéis e amortizações.

ETFs:

Do inglês Exchange Traded Fund e mais conhecidos como “fundos de índices”, os ETF´s são fundos cujas cotas também são negociadas em bolsa e tem seu retorno associado a um determinado índice de referência como, por exemplo, o índice Bovespa. Trata-se de uma modalidade de baixo custo e que permite ao investidor estruturar uma carteira diversificada, bem como diminuir os riscos envolvidos.

Fundos de Investimento em ações:

São fundos que tem por objetivo investir, no mínimo, 67% do seu patrimônio em ações e/ou em ativos relacionados, tais como cotas de outros fundos de ações, ETFs, bônus de subscrição, entre outros. São uma excelente alternativa aos investidores que desejam ingressar no mercado de renda variável, mas ainda não sentem-se totalmente seguros, assim como para aqueles que têm conhecimento, mas optam por uma gestão profissional.

Derivativos:

Refere-se a uma classe de ativos cujos valores que dependem do comportamento de outros ativos, físicos (café, boi, ouro) ou financeiros (ações, taxas de juros). Estes, por sua vez, podem ser negociados no mercado à vista ou não. Dentre os tipos de derivativos disponíveis no mercado, podemos mencionar os contratos futuros, as opções de compra e venda, contratos a termo, entre outros.

Commodities:

Do inglês “commodity”, referem-se às mercadorias produzidas e processadas em grande escala, que podem ser armazenadas por um período longo de tempo sem comprometer sua qualidade, tais como o ferro, milho, trigo, dentre outros. Os preços das commodities variam baseados na oferta e na procura. Elas são negociadas diariamente no mercado futuro, em que os contratos servem como proteção contra as grandes oscilações nos preços desses produtos.

Câmbio:

Trata-se de uma modalidade que aposta na valorização de uma determinada moeda. Para isso, são negociadas em pares, tais como: euros por reais, reais por dólares, dólares por euros, entre outros. Em geral, o mercado de câmbio é muito mais volátil que o de ações, logo muito mais arrojado. Contudo, não podemos deixar de mencionar que o câmbio pode ser um excelente instrumento para diversificação e proteção (hedge) das carteiras. Uma alternativa para ingressar nesse mercado é por meio dos fundos cambiais.

É seguro investir na renda variável?

Embora essa categoria não ofereça nenhum tipo de garantia ao investidor, é possível investir em renda variável com segurança. Nesse caso, os ativos escolhidos vão determinar quão seguro o dinheiro está. Por este motivo, é fundamental tomar decisões baseadas em análises criteriosas de investimentos e prezar pelo princípio da diversificação na composição da carteira. Além de mitigar riscos, um portfólio diversificado permitirá que o investidor passe por momentos de estresse de mercado com mais tranquilidade.

Como começar a investir na renda variável?

Investir em renda variável é relativamente fácil e acessível. Ao decidir ingressar nesse mercado é necessário escolher uma corretora de valores, que atuará como intermediadora na execução de suas operações. Em geral, as modalidades mais procuradas são ações e fundos de investimentos, sejam imobiliários, de ações ou cambiais. Lembre-se, tão importante quanto a estratégia escolhida é ter consciência dos riscos envolvidos e da volatilidade que estará exposto, principalmente no curto prazo.

Qual a diferença entre renda variável e renda fixa?

A renda fixa trata-se de uma categoria que exige um menor nível de complexidade por parte dos investidores, assim como envolve menos risco e, consequentemente, apresenta menores retornos. Nesta modalidade, em sua grande maioria, existem taxas de retorno prefixadas, pós-fixadas ou híbridas que trazem mais segurança e previsibilidade ao investidor.

Do outro lado está a renda variável, envolvida pela volatilidade do mercado, o que traz consigo mais risco, porém com mais possibilidade de retornos, ainda que imprevisíveis. Embora sejam categorias distintas, é importante reforçar que não é necessário optar por apenas uma delas.

Na verdade, as diferenças entre renda fixa e renda variável permitem aos investidores compor um portfólio capaz de se beneficiar dos diversos tipos de cenários econômicos. Por isso, a diversificação e o equilíbrio são peças chaves em todo planejamento financeiro.

Conclusão

É certo que o Brasil vive um momento único. A redução da taxa básica de juros, aliada a educação financeira e ao acesso à informação, tem encorajado os investidores brasileiros a buscarem por retornos mais atrativos para seus investimentos. E se antes a renda variável era como um mar revolto temido por muitos, hoje é considerada um lugar de muitas oportunidades.

Vale a pena investir na renda variável? Continue estudando sobre as particularidades de cada investimento e decida se você está no momento oportuno para expandir suas aplicações. Compreenda qual é o seu perfil investidor, bem como a sua tolerância ao risco. Desta maneira, com planejamento, disciplina, atenção e estratégia é possível alcançar uma performance com resultados.

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