O que é inflação e como ela afeta sua vida?

Tempo de leitura: 8 minutos

Todos os anos, uma das principais preocupações do Governo Federal sobre a política monetária envolve a inflação. Esse é um indicador macroeconômico importante e que gera efeitos gerais, incluindo nos investimentos. Por isso, saber o que é inflação é essencial.

O que veremos neste artigo?
O que é a inflação?
Como a inflação funciona?
Quais são os indicadores de inflação?
Qual é o principal impacto da inflação no dia a dia?
Como a inflação afeta os investimentos?
Como não ser impactado negativamente pela inflação?

Ao entender como ela afeta suas finanças e seus resultados nos investimentos, é possível se preparar para lidar com diferentes cenários. Assim, sua carteira pode ter o retorno favorecido e o patrimônio pode crescer rumo a seus objetivos.

Tem interesse no tema? Continue a leitura para descobrir o que é a inflação e veja como proteger seus investimentos do avanço desse indicador!

O que é a inflação?

Se você fizer uma comparação considerando o preço de um mesmo produto em diferentes épocas, perceberá que ele tende a apresentar custos diferentes. Em muitos casos, isso é decorrente da inflação, que consiste no aumento amplo e contínuo dos preços de bens e serviços.

Portanto, ela representa uma alteração no custo de vida das pessoas. Isso porque ela considera diversas categorias importantes para o dia a dia, como transporte, alimentação e habitação, entre outras.

Como ela funciona?

Compreender a inflação e seu funcionamento exige saber o que causa esse aumento nos preços. As motivações, muitas vezes, estão ligadas à lei de oferta e procura que rege o mercado. Então, quando há uma demanda superior à oferta, os preços tendem a se elevar — e o contrário também acontece.

A inflação ainda pode estar associada ao momento da economia. Um período de desenvolvimento, normalmente, envolve mais consumo. Isso eleva a circulação de moeda na economia, o que pode fazer com que a inflação fique mais alta.

Além disso, podem acontecer problemas da cadeia produtiva que geram custos maiores. Quando o dólar se valoriza, por exemplo, produtos e serviços ligados à moeda ficam mais caros. O mesmo acontece com a energia elétrica em períodos de seca, com os produtos agrícolas em épocas de estiagem, entre outros cenários.

Note que, na prática, o aumento generalizado dos preços não acontece apenas por um motivo. Há vários fatores que, em conjunto, podem afetar o avanço inflacionário. Para entender melhor essa questão, vale relembrar o que aconteceu entre as décadas de 1980 e 1990.

Nesse período, o Brasil passou pela chamada inflação galopante, que atingiu patamares históricos e provocou mudanças drásticas nos preços. No caso, a situação era fruto de um conjunto de fatores e de incertezas do mercado, que aumentavam o risco. A situação só foi plenamente controlada com a criação do Plano Real, em 1994.

Quais são os indicadores de inflação?

Para entender a inflação, é importante considerar que ela é medida por diversos indicadores. Cada um utiliza metodologias específicas sobre o avanço de preços. No Brasil, o índice da economia oficial para a inflação é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Ele é medido mensalmente e considera uma cesta de produtos e serviços que impactam a vida das famílias brasileiras em distintas faixas de renda. Assim, há uma medição sobre os valores praticados, a fim de encontrar a diferença entre eles — que pode ser positiva ou negativa.

Cada produto ou serviço tem um peso específico nessa cesta, dependendo da importância para o cotidiano das famílias. Porém, quanto mais elevados forem os avanços em um item, maior tende a ser o desempenho no índice.

O resultado é divulgado mensalmente e a inflação acumulada do ano é a soma dos valores apresentados em cada mês. Portanto, o índice é uma média que permite entender o avanço geral dos preços ao longo do período.

Outros índices

Apesar de o IPCA ser um índice da economia muito relevante, ele não é a única ferramenta que é usada para medir a inflação. Existe o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que avalia uma cesta de produtos de famílias em todo o país.

Já o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) é focado na variação de preços dos produtos ligados ao agronegócio.

Na área de construção civil, existe o Índice Nacional de Custo de Construção (INCC). Ele ajuda a medir qual é o avanço nos preços dos insumos em obras e também pode ser usado para corrigir contratos de financiamento, por exemplo.

Também é possível usar o Índice Geral de Preços (IGP), que é formado por uma média ponderada entre IPA, IPC e INCC, em três momentos diferentes do mês. Com isso, é possível ter uma avaliação mais completa do cenário inflacionário.

Qual é o principal impacto da inflação no dia a dia?

Um dos principais efeitos da inflação no cotidiano é a perda do poder de compra. Isso acontece devido ao aumento dos preços, fazendo com que você consiga comprar menos com a mesma quantia de antes.

Por exemplo, considere o que você conseguia comprar há 10 anos com R$ 100 no mercado. Depois, pense o quanto isso rende nos dias atuais — certamente, você adquire menos itens hoje. Essa diferença é resultado do efeito da inflação.

Além disso, a inflação elevada pode pressionar o Banco Central a aumentar a taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia. Nesse caso, o objetivo é manter a inflação em níveis mais baixos.

Porém, quando isso acontece, o acesso ao crédito fica mais difícil e as empresas podem experimentar uma redução no consumo. Isso leva a uma geração de empregos menor.

Portanto, como você viu, a flutuação da inflação pode causar grandes impactos no dia a dia.

Como a inflação afeta os investimentos?

Ao pensar nos impactos da inflação, é importante saber que ela interfere também nos investimentos. Logo, segundo o comportamento desse indicador, o desempenho dos ativos financeiros pode ser diferente. Como visto, a inflação alta pode aumentar a Selic, o que pode elevar o retorno nominal de diversos títulos da renda fixa.

Porém, é preciso ter atenção, porque nem sempre a Selic é ampliada acima do patamar da inflação. Então um investimento que tenha rendimento atrelado à taxa básica de juros pode render abaixo da inflação.

Na prática, significa que não apenas seu patrimônio não evoluiu, como também passou por uma contração. Um exemplo clássico envolve a relação entre inflação e caderneta de poupança. Embora seja um investimento popular, o rendimento da poupança costuma ficar abaixo da Selic anual.

Sendo assim, em um ano com inflação acumulada elevada, a poupança gera um retorno menor que o avanço dos preços. Contudo, apesar do exemplo com renda fixa, os impactos da elevação de preço também devem ser considerados nas alternativas da renda variável.

Isso porque a inflação está relacionada ao conceito de rentabilidade real. Ao avaliar o retorno de um investimento, é preciso verificar se ele superou a perda do poder de compra no período.

Como não ser impactado negativamente pela inflação?

Considerando o modo como a inflação pode afetar os investimentos, é preciso agir corretamente para minimizar ou evitar os efeitos do aumento generalizado nos preços. Portanto, é interessante que a sua tomada de decisão considere a atuação inflacionária para guiar as escolhas.

Para facilitar essa tarefa, confira dicas que podem ajudar a proteger sua carteira de investimentos da inflação!

Considere seu perfil e seus objetivos

O primeiro passo é fazer um reconhecimento a respeito das suas características. O perfil de investidor indica sua tolerância ao risco e demonstra se você pode buscar alternativas mais voláteis para fugir da inflação.

Os objetivos financeiros também devem ser analisados. O ideal é que grande parte dos aportes superem a inflação para garantir avanço do patrimônio — especialmente os investimentos de longo prazo.

Busque alternativas atreladas à inflação

Uma das maneiras de fazer com que o rendimento da sua carteira fique acima da inflação é escolher investimentos atrelados à inflação. É o caso de títulos híbridos de renda fixa, que rendem uma taxa de juros mais a variação do IPCA.

Um exemplo é o Tesouro IPCA, título público de rentabilidade híbrida e que oferece a opção de pagamento semestral do rendimento. Títulos privados também podem apresentar tais características. A escolha, no entanto, depende do seu perfil e objetivos.

Tenha atenção com a data de vencimento

No caso dos investimentos de renda fixa que são atrelados à inflação, é preciso ter cuidado com o prazo de vencimento. O alcance da rentabilidade contratada só é garantido se o título for levado até o vencimento.

No resgate antecipado, ele será vendido pelo preço de mercado — essa é a chamada marcação a mercado. Assim, se você decidir antecipar o resgate, corre o risco de não obter um rendimento que supere a inflação. Perceba, então, a importância de observar o vencimento e alinhá-lo aos seus objetivos antes de investir.

Diversifique a carteira

Como parte da sua estratégia, a diversificação de carteira também é importante. Ela consiste em selecionar ativos com riscos diferentes e, normalmente, descorrelacionados.

Assim, é possível compor um portfólio que se comporta em direções opostas, dependendo das condições do mercado. Ainda, a estratégia permite diluir os riscos e pode favorecer o desempenho da carteira.

Agora que você sabe o que é inflação, incorpore esse indicador à sua carteira de investimentos para apoiar o avanço real do patrimônio. Fazendo isso, se torna mais fácil evitar ou, ao menos, reduzir os efeitos indesejáveis da inflação — como a perda do poder de compra ao longo do tempo.

Se quiser fazer uma análise mais eficiente do desempenho do seu portfólio, conheça o que significa a rentabilidade negativa nos investimentos!

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