O que é FIDC e como ele funciona?

Tempo de leitura: 7 minutos

As altas na taxa de juros no Brasil têm aquecido o mercado de renda fixa e disponibilizado opções de investimentos atrativas, como, por exemplo, os Fundos de Investimentos em Direito Creditório, mais conhecidos como FIDCs.

Se você quer conhecer melhor esta classe de ativos, continue a leitura e entenda como o FIDC pode aumentar o potencial de retorno de seus investimentos.

O que você verá neste artigo
O que são direitos creditórios?
O que significa a sigla FIDC?
Como funciona o FIDC?
Quais são os tipos de cotas do Fundo de Direitos Creditórios?
Qual a aplicação mínima em FIDC?
Quem pode investir em FIDC?
Quanto rende um FIDC?
Quais são as vantagens em investir em FIDC?
Quais são os riscos ao investir em FIDC?
Como declarar FIDC no imposto de renda?
Qual a diferença entre FIDC e FII?
Como escolher a melhor instituição para realizar meus investimentos?
Conclusão

Para começar, o que são direitos creditórios?

Direitos creditórios equivalem aos valores a receber de uma empresa ou instituição financeira tais como duplicatas, cheques, aluguéis, recuperação judicial entre outros.

Esses direitos funcionam como dívidas transformadas em títulos que podem ser adquiridos por outros investidores. Essa negociação é chamada de securitização.

Quando essa dívida é pública, ou seja, do governo, esse direito creditório é denominado precatório.

O que significa a sigla FIDC?

FIDC é a sigla para Fundo de Investimento em Direito Creditório.

Estacategoria de investimento aplica no mínimo 50% do seu patrimônio líquido em direitos creditórios, distribuídos em setores da economia como financeiro, mercantil, imobiliário e outros.

O restante do patrimônio pode ser aplicado em títulos de renda fixa, sejam eles públicos ou privados.

Como seu retorno vem de taxas previamente acordadas, pode-se dizer que é um tipo de fundo de investimento de renda fixa.

Os FIDCs podem ser constituídos sob forma de condomínio aberto, em que é possível fazer aplicação e resgate dos investimentos com facilidade, ou condomínio fechado, que não permite a entrada ou saída de cotistas a qualquer momento.

Como funciona o FIDC?

Embora pareça complexo, o que os Fundos de Investimentos em Direito Creditório fazem está mais presente em nosso dia a dia do que se imagina.

As parcelas de cartão de crédito, a antecipação do imposto de renda, dentre outras operações em que uma instituição consegue antecipar, com desconto, um recebível futuro, enquanto o devedor continuará arcando com seu compromisso, são bons exemplos.

Neste caso, o recurso será destinado ao fundo de investimento que fez o adiantamento à instituição.

No entanto, diferente de outros tipos de fundos, os FIDCs precisam de uma estrutura específica.

Em sua composição, os fundos de investimento em direito creditório contam com 5 importantes elementos:

  • Cedente -proprietário do Direito Creditório;
  • Estruturador -responsável por montar o fundo;
  • Administrador fiduciário – responsável legalmente pelo fundo;
  • Custodiante – responsável por cobrar, receber, guardar e controlar os recebíveis;
  • Cotistas – investidores do fundo.

Quais são os tipos de cotas do Fundo de Direitos Creditórios?

Os FIDCs possuem dois tipos de cota, são elas: sênior e subordinada, sendo esta última classificada como mezanino e júnior.

tipos de cotas de fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC)

As classes de cotas são baseadas no nível de exposição aos riscos de inadimplência das operações, em que a cota sênior é a menos impactada e a cota subordinada a que possui mais risco. A cota mezanino representa uma modalidade intermediária de risco.

Sendo assim, através dessa classificação é possível segregar os investimentos com base no perfil de risco dos investidores.

No caso de resgate e amortização do FIDC, as cotas seniores têm preferência, enquanto as cotas subordinadas não.

Qual a aplicação mínima em FIDC?

De acordo com a Comissão de Valores Mobiliários – CVM, o investimento mínimo inicial para essa classe de ativo é de R$25 mil reais. Contudo, ter essa quantia não é suficiente. Para investir em FIDC é necessário atender também aos requisitos impostos pelo órgão regulador.

Quem pode investir em FIDC?

Devido às particularidades desse tipo de estratégia, é necessário ser classificado como investidor qualificado para investir em FIDC. Neste caso, o investidor deve possuir mais de 1 milhão em aplicações financeiras ou deter de certificação aprovada pela CVM.

Em alguns casos, os FIDCs são destinados exclusivamente para os investidores profissionais que possuem mais de 10 milhões em aplicações financeiras, dentre outros requisitos previstos na instrução CVM 554.

Quanto rende um FIDC?

O rendimento de uma aplicação em FIDC está diretamente relacionado aos tipos de cotas que compõem sua carteira.

Por este motivo, quando o fundo apresenta um desempenho além do esperado, os cotistas seniores recebem o rendimento acordado, já os subordinados recebem mais, por estarem mais expostos aos riscos.

Em geral, os fundos de direitos creditórios utilizam o CDI como benchmark, contudo seus rendimentos podem ser indexados à taxa Selic, IGP-M ou IPCA, definido no regulamento de cada fundo. 

O que é FIDC, como ele funciona e como começar a investir no fundo de investimento em direitos creditórios.

Quais são as vantagens em investir em FIDC?

Os Fundos de Investimento em Direito Creditório são instrumentos importantes para compor uma estratégia de diversificação em uma carteira de investimentos.

Em geral, eles apresentam retornos mais atrativos que outros ativos de renda fixa, variando conforme o risco de crédito a que estão expostos.

Esses riscos de crédito, por sua vez, são medidos por agências classificadoras de rating a cada três meses aproximadamente. Desta forma, o investidor conhece melhor sobre a qualidade do crédito e a integridade da operação.

Além disso, essa modalidade de investimento é acompanhada por várias instituições, logo o nível de fiscalização é maior, o que torna o FIDC mais seguro.

Quais são os riscos ao investir em FIDC?

Assim como todo e qualquer tipo de investimento, no FIDC também existem alguns riscos envolvidos, são eles:

  • Risco de crédito: trata-se dorisco de inadimplência envolvido nas operações, que pode reduzir ou até mesmo comprometer o retorno dos investimentos. Por este motivo, uma análise de risco de crédito é fundamental.
  • Risco de liquidez: trata-se da dificuldade que o investidor pode encontrar ao decidir vender suas cotas no mercado secundário. Como este é um investimento de público mais restrito, é natural que tenha uma demanda menor.
  • Risco de mercado: trata-se das variações do mercado que podem refletir na rentabilidade do fundo como, por exemplo, as oscilações na taxa de juros e inflação. Neste caso, é o risco comum a todos os investimentos.

Além disso, é válido reforçar que o FIDC não conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.

Como declarar FIDC no imposto de renda?

O recolhimento de imposto de renda no FIDC também acontece direto na fonte, assim como em outros tipos de fundos de investimento em renda fixa.

Logo, na declaração anual de imposto de renda, o investidor apenas informará o imposto já recolhido de acordo com a tabela utilizada pela Receita Federal, cuja alíquota máxima é de 22,5% e a mínima de 15% se o período investido for superior a dois anos.

Lembre-se: um investimento de longo prazo deve ser inserido na ficha de “Bens e Direitos” – código 72.

Qual a diferença entre FIDC e FII?

Assim como os FIDCs investem em recebíveis, alguns fundos imobiliários também. É o caso dos “fundos de papel”, que compram diferentes Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) para compor sua carteira.

A diferença entre os dois tipos de ativos é que os fundos imobiliários possibilitam ao investidor o recebimento de juros mensalmente, além de conseguir negociar suas cotas no mercado secundário.

Como escolher a melhor instituição para realizar meus investimentos?

A melhor instituição para investir será sempre a que atenderá suas necessidades com mais eficiência.

Nesse sentido, é fundamental considerar os custos envolvidos, a facilidade e qualidade no acesso à informação e, principalmente, se a instituição está devidamente registrada nos órgãos reguladores competentes.

Conclusão

O atual cenário de juros em alta no Brasil tem beneficiado os investimentos em renda fixa. Nesse sentido, é normal que a procura poralternativas de investimentos cresça.

Os fundos de investimentos em direito creditório representam uma excelente oportunidade para aumentar o rendimento do patrimônio financeiro. Mas atenção, eles são destinados aos investidores qualificados ou profissionais, devido ao nível de complexidade e riscos que possuem.

Ainda que a ótima rentabilidade dos FIDCs desperte o interesse dos investidores, é necessário estar atento às principais características do fundo, tais como prazos de aplicação, tipos de riscos envolvidos e regras de liquidez.

Existem outras opções entre os fundos de renda fixa, que oferecem uma rentabilidade atrativa e que podem estar em sua carteira após uma análise criteriosa. Um exemplo são os fundos de crédito privado em que muitos são destinados ao público geral.

Além do FIDC, quer saber mais sobre fundos de investimentos? Veja esta lista que a Guide preparou para você.

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