O que é blockchain e por que você deve conhecer essa tecnologia?

Tempo de leitura: 11 minutos

O mercado de moedas digitais ganhou impulso desde a sua criação devido ao interesse dos investidores. Porém, antes de fazer um investimento do tipo, é preciso conhecer conceitos relevantes. Por exemplo, você sabe o que é blockchain?

Essa tecnologia tem sido aplicada em diversas transações e pode se tornar uma das bases de operações cotidianas. Além disso, está diretamente ligada ao mercado financeiro, por estar atrelada a oportunidades de risco mais elevado.

O que você verá neste artigo?
O que é o blockchain?
Quando o blockchain surgiu?
Como funciona o blockchain?
Qual a relação do blockchain com as criptomoedas?
Como o blockchain se relaciona com outras transações?
Quais são as vantagens do blockchain?
Como o blockchain se conecta ao mercado financeiro?
Vale a pena investir em criptomoedas?
Investir em criptomoedas é arriscado?

Quer conhecer melhor essa tecnologia e quais podem ser os seus impactos na sua carteira? Continue a leitura e saiba mais!

O que é o blockchain?

O blockchain é uma tecnologia que serve como uma espécie de livro contábil. Ele é usado, por exemplo, em criptomoedas como o bitcoin e outras alternativas em criptoativos encontrados no mercado.

Na prática, o blockchain funciona como um protocolo de segurança da informação, registro de dados e validação de operações. Ainda, utiliza criptografia para aumentar a proteção dos dados, como você verá nos próximos tópicos.

Quando o blockchain surgiu?

O blockchain é relativamente recente. Afinal, ele depende de tecnologias que se popularizaram nas últimas décadas, como a própria internet. Apesar de não existirem dados exatos, acredita-se que ele tenha surgido em 2009, época em que aconteceu a publicação que deu origem ao bitcoin.

Em 2008, o mundo tinha passado por uma intensa crise financeira, desencadeada pela crise imobiliária dos Estados Unidos. Supostamente, isso teria feito com que pessoas passassem a procurar alternativas ao dinheiro tradicional.

Foi diante desse clima que foi lançado um whitepaper, assinado por Satoshi Nakamoto — criando o bitcoin. Hoje, acredita-se que o nome do criador é um pseudônimo, mas o fato é que o manifesto publicado inaugurou o mercado de criptoativos.

Nesse mesmo manifesto, estava descrita a tecnologia do blockchain. Esse foi o protocolo que viabilizou a negociação da moeda digital.

Como funciona o blockchain?

Ao observar o que significa blockchain, você verá que, em tradução literal, ele envolve uma “cadeia de blocos”. Na prática, o seu nome está totalmente ligado à maneira como ele funciona. Isso porque a tecnologia atua para consolidar as informações de múltiplas transações em blocos.

Desse modo, os dados ficam armazenados e registrados, como acontece em um livro contábil de uma empresa. No caso específico das moedas digitais, isso serve para trazer transparência sobre as transações e para manter o controle de funcionamento da rede.

Em outras aplicações, o uso da tecnologia é adequado para transmitir outras informações relevantes e que exigem maior proteção. Por exemplo, para evitar fraudes, o bloco criado precisa de uma identificação única.

É nesse momento que surge o hash, uma espécie de chave criptográfica e que depende do conteúdo do bloco. O hash é atrelado ao bloco atual e também ao próximo que será criado. Então, imagine uma sequência com os blocos 1, 2 e 3.

No bloco 2, estão os hash dos blocos 2 e 1. No bloco 3, estão os hash dos blocos 3, 2 e 1. Se houvesse um tipo de invasão ou fraude, modificar o bloco 3 causaria mudança no hash do bloco 2 registrado. Isso o deixaria diferente do original, exigindo mudanças em toda a cadeia de blocos.

Como os registros ficam espalhados em diferentes lugares, é possível fazer uma comparação — guiada pela própria tecnologia. Diante disso, é possível identificar as fraudes e eliminar as versões adulteradas.

Qual a relação do blockchain com as criptomoedas?

Como você viu, é impossível citar o blockchain sem considerar as criptomoedas. Na prática, a tecnologia do blockchain só existe porque foi definida para o funcionamento das moedas digitais. No começo, como visto, foi essa tecnologia que viabilizou o funcionamento do bitcoin.

Contudo, com a expansão do mercado dos criptoativos, outras moedas digitais passaram a utilizar esse protocolo. Entre elas, estão o ethereum, o litecoin, o cardano e o stellar lumens.

Na sequência, conheça melhor a relação entre o blockchain e as criptomoedas!

Mineração

O processo de mineração de criptomoedas consiste na criação de moedas digitais, que servem para remunerar os responsáveis por validar as operações financeiras. Nesse caso, a mineração está atrelada ao funcionamento do blockchain devido ao hash.

O primeiro minerador a encontrar o hash correspondente ao bloco é remunerado com um pagamento na criptomoeda correspondente. Como as criptomoedas são descentralizadas — ou seja, não são controladas por instituições financeiras —, esse processo serve como validação da transação.

Protocolos de validação

A forma como o hash é encontrado também é importante no funcionamento do blockchain. Normalmente, o encontro da chave criptografada exige a resolução de problemas matemáticos complexos, com a ajuda de recursos computacionais.

Quando isso acontece, há a chamada proof of work (PoW) ou prova de trabalho. Ela tem como objetivo demonstrar que o minerador precisou dedicar recursos computacionais para a validação do bloco, o que aumenta a segurança.

Também existe o método de verificação chamado de proof of stake (PoS). Nesse caso, ocorre uma espécie de sorteio, que indica quem será o responsável por validar a operação. Aqui, a ideia é diminuir o consumo de energia elétrica, tornando esse tipo de mineração mais sustentável.

Afinal, diversos mineradores podem tentar solucionar um dos problemas matemáticos simultaneamente, mas apenas o primeiro que encontrar a chave será remunerado. Assim, a limitação evita o uso de recursos de maneira desnecessária.

Como o blockchain se relaciona com outras transações?

Embora o blockchain tenha sua existência atrelada às criptomoedas, ele não se limita aos criptoativos. Ao longo dos anos, ele começou a se transformar em um protocolo voltado para a realização de transações com alto nível de segurança da informação.

Com isso, passou a integrar transações financeiras em todo o mundo, de forma original ou adaptada. Seu uso também tem sido considerado para a adoção de contratos inteligentes, com assinatura confiável e juridicamente válida.

Dessa maneira, é possível que haja uma evolução na utilização da tecnologia, focando em novas necessidades do mercado.

Quais são as vantagens do blockchain?

Agora que você conhece o que é blockchain, fica fácil entender que essa tecnologia pode oferecer diversas vantagens. Com base no seu funcionamento e aplicações, você poderá conferir quais são os principais benefícios. Veja:

Elevada segurança

Um dos aspectos mais relevantes do blockchain é o fato de ele ter sido criado para ser, fundamentalmente, seguro e inviolável. O funcionamento com base na criptografia e com os métodos de verificação é determinante para criar uma estrutura menos vulnerável que outras redes.

Além disso, o fato de o mesmo hash aparecer em dois blocos, criando duas sequências em toda a extensão da rede, o torna antifraude. Sendo assim, há menos riscos de a rede blockchain ser invadida e colocar em risco todas as operações realizadas, por exemplo.

Agilidade de processamento

Apesar de o blockchain contar com uma rede extensa e ter um mecanismo com diversas etapas, ele prevê rapidez no processamento de informações. Dependendo de quão ocupada é a rede e do volume de transações simultâneas, a validação leva segundos ou poucos minutos.

Com o aprimoramento da tecnologia e o desenvolvimento de ferramentas, a tendência é que o processamento se torne ainda mais ágil. Isso abre as portas para a adoção da tecnologia pelo sistema financeiro e outras possibilidades no mercado.

Versatilidade de aplicação

Como foi possível aprender, embora o blockchain exista devido às criptomoedas e seja fortemente usado por elas, o protocolo já não se limita a elas. Isso se deve ao fato de sua proposta ser aplicada a diversos contextos, considerando diferentes informações financeiras ou outros dados sensíveis.

Devido à segurança que oferece e à flexibilidade que apresenta, o blockchain pode ser incorporado em outros contextos, como contratos inteligentes e outras transações on-line. Como ele também pode servir de base para novos desenvolvimentos, existe um amplo potencial a ser explorado.

Como o blockchain se conecta ao mercado financeiro?

Até aqui, você viu que o blockchain está diretamente ligado aos criptoativos e também às transações digitais. Porém, como ele se tornou uma espécie de protocolo de segurança, passou a ter diversas aplicações.

Além desses aspectos, podem existir pontos de contato entre o blockchain e as oportunidades do mercado financeiro, por meio dos investimentos. Portanto, é comum que aconteça a associação entre o blockchain e o investimento em criptomoedas.

No entanto, é preciso ter atenção com esse tipo de investimento. Embora o blockchain ofereça um bom nível de segurança, pode não ser o suficiente para garantir as transações de criptoativos.

Isso ocorre, em especial, porque as criptomoedas não são regulamentadas no Brasil. Logo, a compra direta, ainda que conte com o blockchain, implica em riscos que devem ser considerados pelo investidor.

Nesse sentido, ao decidir expor seu capital a esses criptoativos, pode ser interessante recorrer aos investimentos regulamentados. A seguir, conheça possibilidades para investir em criptomoedas por meio da tecnologia blockchain de maneira regulamentada no Brasil!

Fundos de criptomoedas

Os fundos de criptomoedas funcionam de maneira coletiva, como outros fundos de investimento. Com isso, a participação está condicionada à aquisição de cotas por parte dos investidores. Já os recursos são movimentados por um gestor profissional, conforme a estratégia adotada.

No caso dos fundos de criptomoedas, a alocação acontece em proporções variadas nas moedas digitais. É possível encontrar fundos com 20% de exposição, enquanto outros têm 80% ou até 100%, por exemplo. Quanto maior for a exposição às criptomoedas, maior será o risco assumido.

As cotas são negociadas nas plataformas de investimento das corretoras e podem ter diferentes valores mínimos exigidos. Como têm autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os fundos são regulamentados.

Fundos de índice

Outra alternativa para se expor às criptomoedas e, consequentemente, aproveitar o blockchain é recorrer aos fundos de índice ligados a moedas digitais. Na prática, um Exchange Traded Fund (ETF) — ou fundo de índice — se caracteriza por replicar a carteira teórica de um indicador.

Também existem os ETFs que são chamados de fundos espelhos. Eles se caracterizam por replicarem outro ETF — normalmente, um fundo internacional.

Quando o índice está atrelado ao investimento em moedas digitais, os cotistas do ETF passam a ter exposição aos criptoativos. Desse modo, o resultado do fundo, antes de taxas e impostos, acompanha o desempenho do indicador de referência.

Vale a pena investir em criptomoedas?

Apesar de existirem opções regulamentadas no Brasil, o investimento em criptomoedas apresenta riscos elevados. Portanto, antes de investir, é preciso avaliar seu perfil de investidor. É necessário ter uma tolerância maior ao risco e à volatilidade para que o investimento faça sentido.

Ainda, devido às suas características, as criptomoedas são consideradas fundamentalmente especulativas. Elas não têm lastro físico, como acontece com qualquer papel-moeda convencional. Então, todo o valor que elas possuem é atribuído pelo interesse na compra ou na venda do mercado.

Por fim, tenha cuidado com o volume da alocação de recursos. Devido à imprevisibilidade, pode fazer mais sentido deixar uma parcela menor do seu capital investida dessa forma, como maneira de gerenciar os riscos e conter possíveis perdas.

Investir em criptomoedas é arriscado?

Você já aprendeu que um dos pontos fortes da tecnologia blockchain é a segurança. Com isso, é possível a identificação fácil de qualquer tentativa de fraude ou invasão, o sistema se torna praticamente inviolável.

Considerando que ele é a base de muitas moedas digitais, pode parecer contraditório afirmar que as criptomoedas têm risco elevado. Porém, isso faz sentido ao considerar que o risco operacional não é o principal fator que deve ser observado no caso das criptomoedas.

De fato, o blockchain garante a confiabilidade da rede e atua para impedir invasões ou falsificações. Porém, as criptomoedas permanecem tendo o risco de crédito devido ao seu caráter especulativo.

Ademais, como são descentralizadas, qualquer tentativa por parte de um país ou autoridade em mudar o cenário pode diminuir o interesse, gerando quedas em seu preço. Também é necessário destacar que as criptomoedas ainda não têm uma aceitação tão ampla.

Tudo isso faz com que não seja possível prever como o mercado verá seu uso no médio e longo prazo. Dependendo do caso, pode haver maior risco de liquidez. Se não houver interessados em comprar uma criptomoeda, você não conseguirá resgatar seu dinheiro novamente.

Por isso, o investimento nesses ativos tem riscos consideráveis — os quais são ainda maiores no caso do investimento direto. Dessa forma, é importante avaliá-lo com atenção para garantir decisões mais acertadas para a sua carteira.

Como você viu, o blockchain é uma tecnologia adotada, principalmente, por diversos criptoativos. Contudo, caso tenha interesse em investir em moedas digitais, avalie seu perfil e seus objetivos. Além disso, considere as opções que sejam regulamentadas no Brasil para ter maior segurança!

Não sabe se os criptoativos são adequados para a sua carteira? Veja como avaliar o investimento em criptomoedas!

Relacionados

4 estratégias de investimento para quem está começando na renda variável

Quem está começando a investir na renda variável precisa adotar estratégias de investimento. Isso é importante para reduzir riscos e ter [...]

Guide Investimentos - 14/10/2021

A porta está trancada. Nesse caso, crie a sua própria porta

"A porta está trancada. Nesse caso, crie a sua própria porta." Essa é uma passagem icônica do filme O Labirinto do [...]

Adriana Nogueira - 11/10/2021

7 Mulheres investidoras que podem inspirar você!

Apesar de o mercado financeiro ser historicamente um ambiente masculino, com expoentes de estratégias bem-sucedidas, também existem grandes mulheres investidoras. Ao [...]

Guide Investimentos - 07/10/2021
Logo o guia financeiro

Entrar

Como deseja continuar?

Abra sua conta

Preencha os campos abaixo
ou use uma das opções