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O problema da energia: o futuro depende do presente

20 de junho de 2022
Escrito por Terraco Econômico
Tempo de leitura: 5 min
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Tempo de leitura: 5 min

Na sua opinião, qual é o MAIOR problema do mundo atual?

A lista de possibilidades para essa resposta é enorme! Afinal, ainda estamos sofrendo os efeitos de uma grave pandemia, em meio a uma guerra que está tomando proporções globais, sem falar de questões sensíveis relativas à fome, desigualdades e mudanças climáticas.

Apesar disso, se pudesse escolher só um problema, o postulante a “maior de todos”, seria o da energia, mais precisamente o futuro da energia.

Vamos aos fatos.

Tudo é energia

Já parou pra pensar que ninguém vive sem usar algum tipo de energia? Seja no café da manhã, almoço ou jantar, em casa ou no caminho do trabalho, a energia está sendo utilizada em todos os lugares! 

Por acaso você já pensou o que faz a lâmpada da sua casa acender? E a sua geladeira, o que mantém ela ligada? Sem falar do seu carro, já parou para pensar no combustível que permite com que ele seja capaz de sair da garagem?

Energia é a resposta! Tudo isso requer a utilização de alguma fonte energética, e isso não é uma questão de escolha, mas sim de necessidade. É claro, a fonte de energia até pode ser escolhida – existe uma margem para escolher -, a questão está na obrigatoriedade da escolha.

As escolhas e suas consequências

É fato que, desde o advento da Revolução Industrial, o mundo se desenvolveu com base em “energia suja”, obtida por meio de fontes geradoras de poluentes na atmosfera, trazendo malefícios para o meio ambiente e também para a saúde das pessoas. 

Em grande medida, as fontes de energia suja são empregadas na produção de eletricidade e combustíveis. Dentre essas fontes, as mais comuns são: 

  • carvão mineral e vegetal;
  • petróleo;
  • gás natural.

Além de não serem renováveis na natureza – suas reservas possuem quantidade limitada -, as fontes de energia suja estão associadas à poluição e a degradação ambiental, sendo apontadas como as principais responsáveis pelo fenômeno das mudanças climáticas. 

Apesar desses malefícios, as fontes de energia suja ainda são predominantemente usadas em diversos países, pois possuem menor custo na implementação, manutenção e transporte. Outro fator que incentiva o seu uso está no elevado rendimento energético quando comparado com boa parte das energias do tipo renovável – pelo menos até o presente momento.

Nesse ponto, chegamos a um perigoso tradeoff, uma escolha que traz sérias consequências, dado que parece ser mais cômodo – na lógica curto-prazista – continuar usando fontes de energia suja. 

O problema está no médio/longo prazo, cada vez mais próximo quando se trata dos impactos das mudanças climáticas, consequências geradas por esse tipo de fonte energética.

Precisamos falar de pobreza energética

A pobreza energética não é um problema novo, muito pelo contrário, mas a sua descoberta é, sim, bem recente. Por essa razão, a definição desse fenômeno pode variar de país para país, como no Brasil, por exemplo, sequer possuindo uma definição formal.

Sobre isso, muito dessa diferença de definição tem relação com o nível de desenvolvimento do país, com a pobreza energética em países desenvolvidos e em desenvolvimento recebendo definições diferentes. 

Nos países mais desenvolvidos, a pobreza energética é associada a altos preços de combustíveis e a baixa renda domiciliar, enquanto que, nos países em desenvolvimento, a definição de pobreza energética está mais ligada com a ausência de infraestrutura para atender a demanda de energia da população.

Essa diferença acaba sendo refletida na própria forma de se mensurar a incidência de pobreza energética. Algumas pesquisas levam em conta exclusivamente a capacidade que uma família possui de pagar a conta de luz do domicílio, considerando o tamanho do orçamento que fica comprometido com esse tipo de gasto. 

Mas também existe um bom número de trabalhos que abordam outras questões, como número de eletrodomésticos e a percepção térmica das famílias.

Seja como for, a pobreza energética gera graves problemas como:

  • piora do estado de saúde físico e mental dos indivíduos;
  • estigmatização social;
  • redução das oportunidades e escolhas alimentares;
  • queda no desempenho educacional das crianças.

Então, considerando a existência da pobreza energética, um problema que afeta até mesmo a população de países mais desenvolvidos, a utilização de novas fontes de energia sustentáveis – provenientes de fontes renováveis – pode servir como uma grande oportunidade para virar a chave, substituindo fontes energéticas sujas por fontes mais limpas e sustentáveis. 

Mas afinal, quais são as energias limpas?

Cada vez mais o apelo pela adoção de energias renováveis é maior, já que os efeitos das mudanças climáticas, a exemplo do aumento da média de temperatura global e da elevação do nível dos oceanos, aceleram-se com o passar do tempo. As fontes mais conhecidas desse tipo de energia são:

  • hídrica (água dos rios);
  • solar (sol);
  • eólica (vento);
  • biomassa (matéria orgânica);
  • geotérmica (interior da Terra);
  • oceânica (marés e ondas).

A opção por energias renováveis parece óbvia e direta, ainda mais quando se leva em conta o futuro próximo. Mas, essa decisão acaba esbarrando em uma série de empecilhos, em especial no presente, ainda mais quando pensamos na utilização desse tipo de energia em larga escala, suportando a demanda de grandes populações.

Apesar de enormes avanços tecnológicos, essas formas de energia ainda são bastante caras de serem implementadas, além de não possuírem, pelo menos por enquanto, capacidade de gerar a mesma quantidade de energia que é produzida por fontes sujas (a exemplo dos combustíveis fósseis).

O pior problema da atualidade?

Como dito logo no início do texto, descobrir qual é o MAIOR problema do mundo atual é algo extremamente complicado.

Porém, depois de tudo o que acabamos de ver, principalmente a questão das escolhas e suas consequências, com certeza a energia está no topo da lista dos principais problemas globais do momento. 

Escolher as consequências do presente ou as consequências de um futuro cada vez mais próximo? 

Essa é a questão que resume o dilema energético da atualidade, um problema extremamente grave, no qual temos pouco tempo para resolver.

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