Em entrevista na TV, Biden chama Putin de assassino

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O presidente dos EUA, Joe Biden, disse nesta quarta, 17, que o presidente russo, Vladimir Putin, enfrentará consequências por ter tentado prejudicar sua campanha e apoiado a reeleição de Donald Trump com a disseminação de desinformação. Ele também qualificou o líder russo como “assassino” e “sem alma”. “Ele vai pagar o preço”, disse Biden em entrevista que foi ao ar pela ABC News.

Questionado sobre quais seriam as consequências, ele respondeu: “Você verá em breve”. Biden afirmou que conhece Putin “relativamente bem” e há temas em que os dois podem trabalhar juntos, como no caso dos acordos nucleares. Mas, questionado sobre se achava que Putin era um assassino, ele foi direto: “Sim, acredito”.

Biden não especificou se estava se referindo ao envenenamento do opositor russo Alexei Navalni, em agosto, que segundo os EUA é responsabilidade da Rússia. O ativista foi preso ao retornar ao país após passar cinco meses em tratamento na Alemanha e Washington exige sua libertação.

Chamar o presidente da Rússia de “assassino” é um atitude extremamente incomum. As declarações provocaram indignação imediata de Moscou e marcaram um grande contraste com a recusa de Trump de dizer algo negativo sobre Putin.

Na entrevista ao apresentador George Stephanopoulos, Biden disse que falou com o presidente russo em janeiro, depois de tomar posse. “Tivemos uma longa conversa. Eu o conheço relativamente bem”, afirmou o presidente americano, que foi vice-presidente de Barack Obama (2009-2017) e presidente da Comissão de Relações Exteriores no Senado. “Quando a conversa começou, eu disse: ‘Eu te conheço e você me conhece. Se ficar provado que isso (a interferência) aconteceu, então esteja preparado'”, relatou o democrata.

Um relatório de inteligência dos EUA, divulgado na terça-feira, 16, reforçou a longa lista de alegações de que Putin estava por trás da interferência russa nas eleições americanas para disseminar informações falsas, prejudicar as instituições e beneficiar Trump, o candidato derrotado. A Rússia disse que as acusações são “infundadas”.

De acordo com o documento, Putin autorizou “operações de influência destinadas a prejudicar a candidatura de Biden e do Partido Democrata, apoiando o ex-presidente Trump, minando a confiança pública no processo eleitoral e exacerbando as divisões sociopolíticas nos EUA”.

O relatório de inteligência disse que Putin sabia e “provavelmente comandou” os esforços de interferência nas eleições presidenciais. “Avaliamos que os líderes russos preferiam que o ex-presidente Trump ganhasse a reeleição, apesar de perceber algumas das políticas de seu governo como anti-Rússia. Temos grande confiança nesta avaliação”, apontou o documento de inteligência.

Interferência

Como na eleição de 2016, a chamada fábrica de trolls russa divulgou histórias depreciativas nas redes sociais sobre Biden e os democratas e reclamou da suposta censura por parte das empresas de tecnologia. O governo russo também procurou exacerbar as divisões raciais nos EUA.

A Rússia anunciou ontem que convocou seu embaixador em Washington para consultas, apesar de ter afirmado que deseja evitar a “degradação irreversível” das relações com os EUA. O embaixador Anatoli Antonov foi chamado “para analisar o que é preciso fazer ou até aonde é preciso ir”, afirmou o ministério das Relações Exteriores da Rússia.

“O novo governo americano está no poder há quase dois meses, o marco histórico dos 100 dias não está longe, é um bom pretexto para tentar avaliar o que convém à equipe de Biden e o que não convém”, acrescentou a chancelaria.

Contra-ataque

Uma reação bem menos diplomática teve o presidente da Câmara Baixa russa, Viatcheslav Volodin. No Telegram, ele afirmou que a declaração de Biden – de que Putin é um “assassino” – é um “ataque” à todos os russos. “Biden insultou os cidadãos de nosso país com sua declaração. Trata-se de histeria causada pela impotência”, escreveu Volodin. “Putin é nosso presidente e os ataques contra ele são ataques contra todos os russos.” (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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