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Tempo, o preço do amanhã

Tempo de leitura: 6 minutos

Com a proximidade do Ano Novo se torna cada vez mais comum falar e pensar sobre o tempo, no famoso “o ano termina… e o que exatamente você fez?”. A sensação predominante é de como o tempo passou rápido demais, não tendo sido possível colocar em prática determinados projetos ou mesmo realizar aquele antigo sonho.

Apesar disso, o tempo – no sentido de duração relativa das coisas – não costuma ganhar grande protagonismo no dia a dia das pessoas, sendo tratado muito mais como uma variável de controle do que como um fator central. Essa forma “secundária” de tratar o tempo muda radicalmente no filme O Preço do Amanhã, em que o tempo é de fato o maior protagonista na vida cotidiana de todos.

O Preço do Amanhã, do inglês In Time, é um filme de 2011 que mostra uma sociedade distópica em que as pessoas literalmente vivem em função do tempo. As pessoas nessa sociedade vivem normalmente até completar a idade de 25 anos, a partir dessa idade elas param de envelhecer biologicamente e ganham pelo menos um ano a mais de vida. É nesse ponto que se desenrola a trama do filme, pois existe uma enorme discrepância nesse recebimento de quantidade de anos, por consequência, muitas pessoas vivem por pouco tempo enquanto poucas podem viver para sempre.

Então, passamos a acompanhar de perto a jornada de Will Salas, interpretado por Justin Timberlake, que, para se vingar da morte da sua mãe, quer derrubar o sistema desigual de distribuição do tempo.

Mas o que exatamente é o tempo?

Antes de falar mais do filme e da trajetória de Will, é importante falar rapidamente sobre o que de fato é o tempo. Para começar, deve-se ter em mente que o tempo está além de uma grandeza apenas física.

Apesar de parecer ser um conhecimento óbvio desde o início da história, definir o que é o tempo é problemático, consistindo em uma tarefa demasiadamente árdua. Para entender isso basta perceber que a sua melhor definição ocorreu já no período da Idade Média (após todo o período da Antiguidade), a partir de reflexões realizadas por Santo Agostinho. Na concepção de Agostinho, o tempo pode ser definido como um passado que não existe mais, um futuro que ainda não chegou e um presente que se torna pretérito a cada instante.

Assim, o tempo é relativo e o seu valor não se encontra em si mesmo.

Tempo é dinheiro?

A expressão “tempo é dinheiro” (“time is money”) possui grande popularidade no mundo inteiro, principalmente dentro do universo business. O seu significado está muito voltado para um tradeoff presente na utilização do tempo, pois quando desperdiçamos tempo em atividades de pouco ou nenhum retorno, reduzimos a oportunidade de poder usar o tempo para fazer algo que possa gerar valor.

Em O Preço do Amanhã, o tempo de fato é utilizado como dinheiro, assumindo as funções típicas de uma moeda: meio de troca, reserva de valor e unidade de conta. Por exemplo, as instituições financeiras do filme podem emprestar dias de tempo de vida, enquanto que o cafezinho no trabalho e ônibus para voltar para casa são pagos com alguns minutos de tempo de vida, de forma que, todas as transações são realizadas mediante a troca de unidades de tempo, como minutos, horas, dias ou até mesmo anos de vida.

No filme, o grande temor ocorre a respeito da falência total, a perda de todo o tempo, dado que isso resulta na morte instantânea do indivíduo.

O Preço do Amanhã e as criptomoedas

O tempo de vida sendo usado como se fosse moeda é algo bem distópico, não possuindo base factível na vida real. Trocar tempo de vida por serviços e mercadorias, felizmente é algo tecnologicamente inviável.

Porém, encarando a unidade monetária de tempo como se fosse um tipo de moeda alternativa a moeda corrente oficial de algum país, podemos ter algo interessante, chegando no conceito de moedas digitais, popularmente conhecidas como criptomoedas. Esse tipo de moeda tem se tornado cada vez mais popular, seja para a realização de investimentos ou para a compra e venda de mercadorias, consistindo em uma opção livre de burocracias tipicamente estatais e mais segura quanto aos perigos da inflação.

Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) e Ripple (XRP) são algumas das criptomoedas mais populares no mundo, que fazem parte do dia a dia de um crescente número de pessoas.

É bastante provável que o preço do amanhã não esteja no preço do tempo como uma unidade direta de troca, mas a possibilidade de estar no preço das criptomoedas é muito possível e em menor tempo do que se imagina.

Quebrar o sistema é bom para a população?

Falando melhor sobre Will Salas, o herói e principal personagem do filme, a sua motivação está em quebrar o sistema baseado na desigualdade na distribuição do tempo de vida. Então, o seu grande plano consiste em quebrar o sistema, distribuindo tempo de vida sem nenhum tipo de critério produtivo para toda a população.

Traçando um paralelo entre Will – um personagem fictício de O Preço do Amanhã – e um determinado nível de “ignorância econômica”, podemos chegar à seguinte pergunta: por que não imprimir dinheiro para acabar com toda a pobreza existente no mundo?

Na vida real já existe larga literatura mostrando que a impressão indiscriminada de dinheiro aumenta a pobreza, ao invés de reduzi-la, gerando graves crises econômicas. Para a situação específica do filme, podemos somente imaginar o que muito provavelmente ocorreria: uma brutal desvalorização do tempo de vida.

O sistema daria a sua resposta a partir dos preços, com base na velha lei da oferta e demanda, com produtos cada vez mais caros. As pessoas mais pobres poderiam até obter séculos de vida, que, na prática, teriam de ser trocados por um número cada vez menor de produtos (como por menos de um quilo de arroz). Haveria um enorme processo inflacionário, que prejudicaria toda a população – principalmente os mais pobres – corroendo (literalmente) a vida das pessoas.

O valor do tempo em 2022

Estamos no fim do ano de 2021, mais um ano extremamente desafiador e difícil, com mais perguntas do que respostas. Para 2022, a lista de dúvidas já é bem grande, com perguntas que variam desde quais serão as próximas revoluções tecnológicas silenciosas até quais serão os perigos das novas variantes da Covid-19. E claro, no caso do Brasil, não podemos esquecer das eleições.

Seja como for, independente da pergunta, o certo é que o “tempo” estará ainda mais presente e terá o seu peso em vários temas e discussões. A tendência é que, para o ano de 2022, o tradeoff que envolve o gasto de tempo seja ainda mais acirrado, tornando-se quase que um tipo de moeda.

Em 2022, não chegaremos ao nível de utilização do tempo mostrado em O Preço do Amanhã, mas é certo que o valor do tempo continuará se valorizando, chegando a valer cada vez mais dinheiro.

Para você leitor, que acompanhou a nossa coluna de artigos ao longo deste ano, o nosso abraço e agradecimento. Esperamos que você possa continuar gastando o seu valioso tempo lendo os nossos artigos em 2022, e que isso possa retornar em ganhos de valor real para a sua vida. Feliz Ano Novo! 

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