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O homem do Tai Chi, um filme sobre transformação

Tempo de leitura: 4 minutos

Já pensou em um filme que fosse capaz de aglutinar o estilo de vida tipicamente chinês, focado em artes marciais milenares, a um estilo cinematográfico made in Hollywood, com direito a participação de um grande astro mundial no elenco? Esse filme existe e atende pelo nome de “O homem do Tai Chi”.

O filme é o resultado de uma produção conjunta dos EUA e da China, estrelado por Tiger Hu Chen, que interpreta a história de um jovem chamado Chen Lin-Hu que pratica Tai Chi. O Tai Chi não é exatamente uma arte marcial, sendo bem diferente das artes marciais que normalmente assistimos na TV, consistindo mais em uma forma de meditação e autoconhecimento.

No entanto, Chen desenvolve a arte do Tai Chi de uma maneira particular, transformando-a em um potente instrumento de combate. É nesse ponto que entra Donaka Mark, interpretado pelo astro Keanu Reeves, que enxerga todo o potencial de Chen para lutas ilegais.

Esse é o grande ponto do filme, a tentativa de Donaka em transformar Chen, um dócil garoto de Pequim, em uma verdadeira máquina de matar nos ringues. Ao mesmo tempo que isso ocorre, é possível observar uma China milenar sendo transformada em um país moderno, cada vez mais “ocidentalizado”.

O poder das escolhas

Chen trabalha em uma empresa de entregas. Nessa profissão, ele leva uma vida simples, sempre correndo de um lado para o outro, em meio ao caótico trânsito de Pequim, para entregar alguma encomenda, seja em edifícios modernos, seja em casas localizadas numa antiga vila.

Isso muda por meio de uma “oportunidade” de trabalho, em que Donaka faz um convite para que Chen possa participar de algumas lutas. No início, Chen sabe muito pouco sobre como essas lutas ocorriam (para ele os eventos eram apenas simples exibições marciais totalmente privadas), descobrindo posteriormente que os combates eram transmitidos em circuito fechado para um grupo seleto de milionários ao redor do mundo, na forma de um grande show, numa espécie de UFC versão ilegal.

Mas, o que poderia levar um garoto gentil a aceitar um convite no mínimo suspeito, realizado por um completo desconhecido, para participar de lutas extremamente violentas? A resposta é dinheiro, muito dinheiro e, a depender da interpretação, um pouco de poder.

No caso específico de Chen, o dinheiro não apenas o permitiria alcançar uma cesta de consumo mais elevada, possibilitando também que ele pudesse salvar o seu templo, um local milenar para o Tai Chi, em que ele aprendeu a sua arte e praticava os seus treinamentos. É que o templo de Chen precisava de uma grande reforma para que não fosse derrubado e transformado em um empreendimento moderno.

A escolha de Chen foi de ganhar dinheiro para salvar o seu templo. Acerca dessa escolha, também é possível observar que o seu nível de consumo como um todo também apresenta uma melhora significativa (uma das primeiras coisas que ele faz é comprar um carro novo). Interessante observar é que, paralelamente, a China também realizou a sua própria escolha: a de se transformar em um país cada vez mais moderno.

Um caso de custo de oportunidade e alta propensão ao risco?

Passar por situações que envolvem custos de oportunidade, não é coisa apenas de ficção, mas muito pelo contrário, pois é algo bem presente no cotidiano da “vida real”. Frequentemente fazemos escolhas que mudam as nossas vidas, mesmo que marginalmente,  escolhas estas que possuem os seus custos.

O que é melhor: trabalhar em um ambiente relativamente seguro por um salário baixo, ou trabalhar em um ambiente em que você corre o risco iminente de ser assassinado em troca de uma altíssima remuneração? A resposta para esse tipo de pergunta depende muito do gosto do “freguês”, do indivíduo, que pode ser tanto avesso ou propenso ao risco.

Voltando para o filme, Chen demonstrou ter uma alta propensão ao risco, aceitando arriscar a sua vida por dinheiro, em lutas ilegais, combates violentos sem nenhum tipo de regra. Mas, será que Chen é tão propenso ao risco? Para ele, alguém tão hábil em lutar, talvez ficar trabalhando fazendo entregas tivesse um custo de oportunidade muito mais elevado do que o de ganhar dinheiro lutando. Importante destacar que Chen fez essa escolha no momento em que ele ainda não conhecia toda verdade acerca das lutas.

O homem do Tai Chi, um filme sobre transformação?

Além de todos os momentos de lutas, muito bem exibidos, que mostram uma fartura de diferentes técnicas de artes marciais, capaz de deixar qualquer fã de filmes de luta satisfeito. O filme faz uma abordagem séria, inclusive nas lutas, as cenas são factíveis e de tirar o fôlego.

Não obstante as lutas, o filme também fala muito de transformação. A transformação destacada é a do personagem principal, mas o pano de fundo é a China. Uma China em transição, cujas pessoas mantêm costumes milenares ao mesmo tempo em que se adapta à “nova era” de consumo. Uma cena que ilustra bem esse ponto ocorre quando Chen vai jantar na casa dos seus pais, ele chega com uma garrafa de vinho enquanto o seu pai vê uma partida de futebol, para o jantar um típico prato chinês de carne de porco e peixe.

O homem do Tai Chi é sim um filme de luta, mas é muito mais um filme sobre transformação, de um jovem e de toda a China.

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