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O enigma de Turing e o avanço tecnológico

Tempo de leitura: 4 minutos

O Jogo da Imitação, do inglês The Imitation Game, é um filme de drama histórico-biográfico lançado originalmente em 2014, que procura retratar a vida de um dos maiores gênios do século XX: Alan Turing.

Na realidade, apesar da tentativa de contar toda a história de Turing, interpretado na sua fase adulta por Benedict Cumberbatch, o filme se concentra muito nos eventos da Segunda Guerra Mundial. Isso é devido a importante atuação de Turing durante a guerra, responsável por conseguir decifrar as mensagens criptografadas do exército da Alemanha Nazista.

Mas quem foi Alan Turing?

Alan Turing nasceu em Londres, no ano de 1912. Desde cedo, ele já mostrava sinais de uma enorme genialidade, algo que foi se consolidando com o passar dos anos, a partir de descobertas de grande impacto, a exemplo do seu trabalho precursor em inteligência artificial, que transformaram o mundo da ciência.

Além de exercer a função de matemático, ele também foi um cientista da computação, lógico, criptoanalista, filósofo e biólogo teórico britânico. Mas, sem dúvida alguma, as grandes contribuições de Turing se deram principalmente na área de criptografia e na computação. Na verdade, é praticamente impossível imaginar toda a evolução dos computadores – principalmente dos computadores pessoais – sem as descobertas realizadas por Turing.

Em relação a sua vida pessoal, esta acabou sendo bastante conturbada. Turing era gay, algo que, apesar de ser impensável nos dias de hoje, constituía em um absurdo “crime de indecência” na Inglaterra das primeiras décadas do século XX. Devido a isso, Turing precisou viver uma vida secreta, sempre tendo que esconder esse segredo. No filme, isso é retratado por meio de flashbacks, ganhando destaque central somente nos minutos finais.

Nos bastidores da guerra

O início do filme mostra Turing participando de uma entrevista de emprego para o centro de inteligência britânico. Esse centro de inteligência, uma organização pertencente às forças armadas da Inglaterra, estava procurando por um especialista em criptografia.

A primeira impressão deixada por Turing não foi lá das melhores, situação contornada somente pelo seu brilhantismo. Logo, Turing acabou sendo escolhido para integrar uma equipe responsável por uma missão quase impossível: decifrar os códigos criptografados interceptados do exército alemão.

O enigma a ser resolvido

Resolver o enigma por trás dos códigos criptografados praticamente garantiria a vitória da Inglaterra e dos países Aliados na guerra. A respeito disso, é muito fácil imaginar o porquê: decifrando os códigos criptografados do exército inimigo é possível “adivinhar” com praticamente nula margem de erro os passos que serão dados pelo inimigo.

Assim, seria possível observar toda a movimentação do exército alemão, como territórios que seriam invadidos, estratégias de combate, tipos de armas que seriam utilizadas, entre outras ações e decisões.

O grande problema é que as mensagens eram criptografadas por uma poderosa máquina, chamada de Enigma. O funcionamento dessa máquina era muito sofisticado e específico, um verdadeiro enigma praticamente impossível de ser resolvido.

A grande “sacada” para resolver as mensagens criptografadas da Enigma partiu de Turing. Diferente dos outros membros da equipe, que tentavam decifrar as mensagens da Enigma de maneira manual, Turing entendeu desde o início que para decodificar uma máquina é necessário outra máquina. É claro que, na prática, houve imensas dificuldades e imprevistos, que são bem comentados e dramatizados no filme.

A Enigma somente foi vencida quando Turing percebeu que a sua máquina – batizada no filme como Christopher – só funcionaria com base em um padrão estabelecido, baseado em mensagens repetidas. Isso possibilitou que as mensagens da Enigma pudessem ser decifradas.

E o que O Jogo da Imitação tem a ver com economia?

O Jogo da Imitação está no seleto grupo de filmes que tem a ver com praticamente tudo, inclusive quando o assunto é economia.

Como já apresentado anteriormente, as descobertas de Turing forneceram a base para um enorme avanço científico. Nesse quesito o filme capricha, fazendo de tudo para retratar a rotina diária de estudos e descobertas. Sem Turing, dificilmente você leitor, que está lendo esse texto neste exato momento, estaria lendo esse texto no seu computador ou celular.

Todas as milhares de transações financeiras realizadas digitalmente, estariam comprometidas ou, pelo menos, demorariam muito mais tempo para ocorrerem. A revolução do dinheiro, representada por inovações como PIX e criptomoedas, ainda não existiriam.

Bem no final do filme, Turing escuta de uma amiga (Joan Clarke, interpretada por Keira Knightley) sobre como as suas descobertas, principalmente relativas a todo o seu esforço em construir a máquina Christopher, salvaram cidades inteiras e milhares de vidas.

Ao ver o filme, o espectador percebe que, além de milhares de vidas, Turing também foi responsável pelo gigantesco salto futuro dado pela economia.

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