+0,00% R$0,00
+0,00% R$0,00
+0,00% Carregando...
Carregando...

O dia após a quarentena: os sucessos e fracassos das aberturas ao redor do mundo

Com o passar do tempo, dúvidas sobre o “novo normal” na era pós-coronavírus começam a ser esclarecidas. No Brasil, onde o número de novos casos e mortes continua em ascendência, ainda estamos longe de uma progressão para um regime de distanciamento social mais brando a nível nacional. Porém, em outras localidades do mundo este processo já consta em uma fase mais avançada.

O temor de uma segunda onda ainda paira sobre o consciente global, mas, mesmo assim, alguns países já iniciaram a longa jornada rumo à normalidade – se é que no médio prazo é possível voltar a vivencia similar ao que precedeu a eclosão da covid-19. O que segue é um breve resumo de alguns países ou estados que começaram a relaxar medidas de distanciamento social, assim como os resultados de tais iniciativas.

Wuhan

Wuhan, a província chinesa que pariu a covid-19, passou mais de 10 semanas sob quarentena começando em janeiro. A postura agressiva tomada pelo governo chinês rendeu frutos. O vírus foi contido, em grande parte, dentro da província. Hoje, a mais populosa nação do mundo tem menos casos confirmados do vírus do que outros 10 países.

A quarentena de Wuhan teve ótimos resultados até o momento. Desde a sua abertura no início de abril, só foram registrados seis casos entre os 11 milhões de habitantes. Para evitar uma segunda onda de casos, os governantes da província agora apostam em um programa amplo de testes e rastreamento. O governo pretende testar todos os cidadãos da província nos próximos 10 dias.

Na China como um todo, muitas pessoas já retornaram aos seus trabalhos, boa parte das escolas já retomaram as suas atividades e até a Disneylândia de Shangai reabriu as suas portas após três meses e meios com atrações esvaziadas.

Dinamarca

Na Europa, a pequena Dinamarca, país nórdico com uma população de menos de seis milhões de habitantes, é a maior história de sucesso. A nação foi uma das primeiras a restringir grandes aglomerações no velho continente. As medidas de distanciamento foram impostas no dia 11 de março. Hoje, na Dinamarca, crianças com menos de 11 anos já frequentam as escolas.

Dentro de um mês, cinemas e parques de diversão já estarão abertos. O sucesso do país nórdico não foi produto de medidas mais restritivas – bares, academias e salões de beleza foram fechados, mas a maioria do comércio continuou operando normalmente. Mesmo assim, o número de casos e internações continuam a cair desde o início de março.

Alemanha

Na quarta-feira passa, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, anunciou o relaxamento de medidas de distanciamento, apesar do país estar entre as 10 nações mais afetadas pela pandemia com 169,218 casos confirmados e 7,395 mortos (no dia em que o abrandamento foi anunciado). O comercio foi reaberto, estudantes começaram a retornar gradualmente às aulas e a Bundesliga (primeira divisão do futebol alemão) deve retomar seus jogos em breve.

A reabertura ocasionou um aumento pequeno da taxa de contágio. Por mais de três semanas, o índice de reprodução do vírus se manteve abaixo de 1, mas agora, com a reabertura, ele superou esse limiar ao atingir 1.1 – o que significa que 10 pessoas infectadas devem contaminar mais de 11 pessoas. O pequeno aumento na taxa de contágio não ocasionou a reversão da reabertura, mas aumentou o nível de alerta dos especialistas de saúde pública no país europeu.

O plano de arrefecimento imposto por Angela Merkel inclui uma clausula de “freio de mão” que reinstala a quarentena na eventualidade de que o número de casos confirmados supere 50 por 100 mil habitantes. Até hoje, nenhuma província acionou esta clausula e o país está dando continuidade a sua estratégia de saída com a abertura de várias fronteiras.

Líbano

No oriente médio, o Líbano está entre os primeiros países a instituir um plano concreto de reabertura. O país tem um número relativamente pequeno de casos confirmados (870) de coronavírus.  A economia libanesa já passava por apuros antes da vinda da covid-19. Com a chegada do vírus, todos os indicadores econômicos se deterioraram. O país projetou uma queda no PIB de 13%, a inflação superou o limiar de 50%, a moeda local perdeu força e o desemprego atingiu 35%.

Como resultado deste vertiginoso declínio econômico, o país foi praticamente compelido a implementar uma estratégia mais agressiva de reabertura. Nas últimas duas semanas, confeitarias, indústrias, concessionarias e salões de beleza começaram a operar com restrições sanitárias. Além disso, o toque de recolher que impedia a movimentação de pessoas durante o período noturno foi descontinuado.

Infelizmente, na atual semana, novos casos surgiram entre integrantes do exército e expatriados que retornaram ao país. Consequentemente, os governantes da nação árabe foram forçados a reverter a abertura do comércio e reinstalar o toque de recolher que confina o público dentro de casa após às 19h.

Superando a segunda onda

Nenhum país no mundo superou definitivamente ameaça de uma segunda onda de casos do coronavírus, mas algumas nações registraram resultados promissores. Durante o complexo processo de reabertura, é inevitável que alguns países sofram reveses que servirão como um alerta para nações que implementam processos de arrefecimento do isolamento social sem as preponderâncias necessárias.

No Brasil, já existem estados que começaram ou podem iniciar este processo – muitos municípios afastados de grandes centros urbanos ainda não registraram um único caso do vírus. O segredo para uma reabertura de sucesso aparenta incluir a implementação de um programa de testes ambicioso junto a uma abertura gradual e regionalizada. Agora, caberá aos prefeitos e governadores implementarem as estratégias apropriadas e agirem de forma racional e corajosa para ir retornando cada cidade e estado aos poucos à normalidade.

Bitnami