O combate à Fake News no Facebook

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O que não falta ultimamente são assuntos que provocam desavenças e insultos entre grupos contrários nas redes sociais e afins. Mas um tema, em especial, tem provocado a ira de todos os grupos ao mesmo tempo: a checagem de notícias compartilhadas no Facebook por agências especializadas. Tendo como pano de fundo os eventos suspeitos das eleições americanas e a disseminação desenfreada de notícias falsas por meios digitais, o Facebook nomeou duas agências de checagem de informações no Brasil para avaliar toda e qualquer notícia que seja colocada em dúvida pelo usuário da rede social de Mark Zuckerberg.

O modo de funcionamento é bem simples. Basta denunciar uma publicação informando que se trata de uma notícia falsa e, então, esse link é enviado para duas agências de “fact-checking”, escolhidas pelo Facebook: Agência Lupa e Aos Fatos. Se for confirmado o teor falso pelas agências, o Facebook automaticamente reduz sua distribuição no Feed de Notícias e impede que ela seja impulsionada. A lógica é bem clara, mas o problema está em um pequeno detalhe: o que é uma notícia falsa/fake news?

O conceito

A resposta parece evidente, mas se analisarmos o problema de forma ampla, o conceito pode ter três definições distintas. 

Atualmente, a fake news pode ser: (i) uma mentira deslavada, sem qualquer vínculo com a realidade. Exemplo: boatos sobre a vereadora Marielle, pouco depois da sua morte, ou mesmo o caso da Pizzaria ligada a Família Clinton, que quase acabou em uma tragédia nos EUA; (ii) informações exageradas ou imprecisas. Esses ocorrem com mais frequência no meio político, no qual os candidatos mencionam números e estatísticas que estão imprecisos ou exagerados para fortalecer algum argumento utilizado e; (iii) vieses de interpretação. Esse último está numa linha tênue entre a ‘Fake News’ e a liberdade de expressão, visto que a liberdade de opinar sobre determinado assunto deveria estar assegurada para qualquer um, mesmo que as informações não estejam totalmente corretas e aderentes à realidade.

 

Afinal, qual é a verdadeira história sobre determinado evento? Sempre há diversas versões sobre um mesmo fato e a interpretação de cada um se altera a partir da própria percepção ou de experiências passadas. E aqui chegamos ao ponto principal deste artigo e que está colado ao ponto (iii) citado acima: é impossível avaliar algum fato (seja histórico ou pessoal) sem seu próprio viés. As experiências passadas e o conhecimento adquirido ao longo da vida interferem significativamente na interpretação de um evento/fato. Será que a melhor forma de avaliar uma notícia é nomear pessoas com seus próprios vieses para carimbar se algo é verdadeiro ou não?

O Nazismo era de direita ou de esquerda? Há ou não há doutrinação ideológica nas salas de aula? Foi golpe ou não? As agências que checam as notícias podem até ser independentes, mas a forma de identificar os vieses de opinião sempre vai ser influenciado pelo seu próprio viés. Enquanto muitos acham que o grande desafio é combater os pontos (i) e (ii), quase toda a discussão está focada no item (iii), que por definição não deveria ser combatido. Se assim o fosse, a distância para a censura ficaria quase imperceptível.

É muita inocência – ou desconhecimento da realidade – achar que pessoas com seus próprios vieses possam avaliar os vieses de outras pessoas e afirmar se aquela notícia é verdadeira ou falsa. Afinal, quem checa os checadores?

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