O Candidato Honesto: uma sátira da política brasileira

Nessa semana, ainda dominada pelo clima eleitoral, vamos falar sobre O Candidato Honesto, uma comédia brasileira lançada em 2014, protagonizada por Leandro Hassum. No filme somos convidados a conhecer o deputado João Hernesto Ribamar, interpretado por Hassum, um político corrupto e mentiroso que leva um estilo de vida nababesco sustentado por vários esquemas de corrupção.

João está prestes a ser eleito como presidente da república, mas um escândalo de corrupção chamado de mesadinha – qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência -, pode arruinar sua eleição e sua promissora carreira de deputado. Esse escândalo seria facilmente abafado por João se não fosse uma “maldição” lançada pela sua avó. No melhor estilo de O Mentiroso, a suposta maldição, que na verdade é só uma crise de consciência, impede que o deputado conte qualquer mentira.

Sem poder mentir ao mesmo tempo que disputa a presidência e se defende de acusações, João vai se envolvendo em inúmeras confusões.

Inspirado em O Mentiroso

É impossível ver O Candidato Honesto e não se lembrar de O Mentiroso, famoso filme de comédia de 1997, estrelado por Jim Carrey. Em O Mentiroso, o inescrupuloso advogado Fletcher Reede, interpretado por Carrey, não consegue mentir devido a um pedido de aniversário do seu filho.

Tanto Fletcher quanto João são muito parecidos: ambos são extremamente carismáticos e narcisistas, mentem compulsivamente e são capazes de bravatas inimagináveis para conseguirem alcançar as suas ambiciosas metas. A diferença entre os personagens está basicamente no contexto, pois enquanto temos o estereótipo do advogado norte americano sendo abordado emO Mentiroso, no caso de O Candidato Honesto temos o típico estereótipo do político brasileiro.

Apesar das semelhanças, seria errado dizer que O Candidato Honesto é apenas uma “cópia”, porque o filme aborda questões muito diversas e de maneira completamente diferente, tornando-o originalmente único e bastante divertido. O Mentiroso serviu apenas como uma inspiração.

Uma sátira da política brasileira

De maneira bem-humorada O Candidato Honesto mostra vários dos piores (e mais comuns) vícios da política brasileira. João Hernesto Ribamar não é a descrição fiel de nenhum político em particular, mas é, na verdade, um grande compilado de diferentes políticos da vida real.

No filme, há uma boa chance de sermos convencidos, pelo menos em algum momento, de que João é um político real e não apenas um personagem da ficção. É que as propagandas eleitorais, os discursos e a “preocupação” com o país e o povo remontam a alguns (maus) exemplos vindos da realidade.

Um deputado carismático, com origem humilde, que consegue falar a “língua do povo”, é religioso e possui uma bela família, ao mesmo tempo que se envolve com acordos secretos e esquemas de corrupção. Esse tipo de história é bem comum na política nacional, tendo se tornado de amplo conhecimento público, principalmente após o descobrimento de grandes esquemas de corrupção como o mensalão e o petrolão, fazendo parte do nosso imaginário quando falamos sobre política.

O esquema da mesadinha, no qual João está envolvido, é uma representação do mensalão. No filme há até mesmo uma cena em que João depõe – falando somente a verdade – em uma CPI, algo que lembra muito as icônicas CPIs do mensalão. O filme de maneira extremamente sarcástica faz uma reconstituição quase que perfeita de todo o ambiente de tramas e conluios da corrupção da vida real, citando casos bem reais de irregularidades envolvendo os estádios da Copa do Mundo e a Petrobrás.

Existe honestidade na política?

O Candidato Honesto é uma divertida sátira sobre a política brasileira que não se preocupa em ser levada a sério, apesar de trazer certas reflexões. A principal delas está na talvez inexorável relação entre corrupção e política.

No filme, todos os políticos são representados como corruptos e em vários momentos é invocada, inclusive pelo próprio protagonista, a necessidade de ser desonesto no jogo político.

Essa questão, mais uma vez, não é apenas coisa de ficção, já que colaborou com a chamada política da antipolítica, observada a partir da eleição de 2016. Nas eleições de 2016 muitos dos candidatos a prefeito, por exemplo, não gostavam de serem chamados de políticos, ficando em destaque a política realizada por “não políticos”.

Apesar de toda a generalização, João acaba se redimindo e promete mudar de vida. Isso serve como uma lição de otimismo, vinda de um grande corrupto da ficção, que mostra uma possibilidade de mudança na política da vida real.

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