Novembro Azul: se cuidar é coisa de homem também!

No mês passado tivemos a tradicional campanha pela prevenção ao câncer de mama, conhecida como Outubro Rosa e, no mês que vivemos atualmente, temos novamente um período temático sobre os cuidados com outra doença, dessa vez que atinge apenas o público masculino através do câncer de próstata, o Novembro Azul.

Neste artigo você saberá mais sobre os porquês deste mês de alerta e conscientização.

Como começou o Novembro Azul?

Tudo começou em 2003, na Austrália, com o objetivo de colocar na mesa a discussão sobre o diagnóstico e a atenção com doenças que atingem o público masculino, sobretudo o câncer de próstata. A ideia surgiu de uma maneira inusitada: dois amigos, Travis Garone e Luke Slattery, se divertiam em um pub quando se questionaram se seria uma boa ideia deixarem o bigode crescer  – já que se tratava de algo fora de moda – e, inspirados na mãe de um colega deles que estava levantando fundos para uma campanha de conscientização sobre o câncer de mama, decidiram então juntar amigos (foram 30 no primeiro ano) para essa causa.

O que começou como uma campanha local se espalhou e, no ano seguinte, virou a Movember Foundation, entidade que inicialmente tinha como objetivo juntar em um só lugar fotos de pessoas que participavam do movimento No-shave November (em que mais homens pelo mundo decidiam não se barbear neste mês e enviavam fotos da participação). Hoje em dia o movimento se expandiu e apresenta metas que envolvem, dentre outras coisas, diminuir a morte precoce de homens em 25% até 2030.

No Brasil, o movimento do Novembro Azul se iniciou em 2008, com o Instituto Lado a Lado Pela Vida (LAL) e a Sociedade Brasileira de Urologia. O que teve início com uma campanha chamada “Um Toque, Um Drible” naquele ano, se espalhou de maneira vigorosa pelo país e, dez anos depois, segundo a LAL, hoje já é uma campanha que alcança anualmente mais de 100 milhões de pessoas nacionalmente. O símbolo do Novembro Azul é uma fita azul (que, em virtude dessa origem que você acabou de descobrir aqui, pode vir também com um bigode junto).

Um pouco mais sobre o câncer de próstata

O câncer de próstata é hoje a segunda maior ocorrência desta doença em homens, sendo superada apenas pelo câncer de pele não-melanoma. Trata-se de uma doença considerada de terceira idade, dado que 75% dos casos acontecem com homens de idades superiores a 65 anos. A estimativa de novos casos para 2020 é de cerca de 65 mil e, em relação aos óbitos, os dados mais recentes são de cerca de 15 mil (vindos esses dados de 2018).

Apesar de ser uma doença que atinge majoritariamente os homens com mais de 65 anos, a partir dos 50 o risco começa a aumentar consideravelmente. Outros fatores de risco são a ocorrência de pai ou irmão com a doença antes dos 60 anos, hábitos alimentares que levem ao acúmulo de gordura corporal e exposição prolongada a químicos como aminas aromáticas (indústrias química, mecânica e de transformação do alumínio), arsênio e produtos de petróleo. Em suma, o que pode levar a hiperplasia de próstata (termo médico para o aumento dela) são fatores difusos que envolvem justamente alterações hormonais relacionadas a testosterona (principalmente a di-hidrotestosterona), idade, histórico familiar e alterações genéticas.

A doença geralmente não apresenta muitos sintomas e avança de forma silenciosa, vindo deste motivo a importância de se prevenir com antecedência e a presença de exames como o PSA e o toque retal. Mas, apesar de não apresentar muitos sinais, alguns podem significar um alerta, todas elas relacionadas ao ato de urinar: dificuldade, diminuição do volume urinado, a presença de sangue ou mesmo uma frequência maior de idas ao banheiro. A ideia de se prevenir leva em consideração procurar anualmente fazer exames a partir dos 40 anos de idade – embora existam locais que recomendam que esta atenção maior de inicie apenas aos 50 anos.

Hoje em dia, tendo em vista que a campanha alcança uma parte considerável da população e gera muitas buscas sobre o assunto, uma parceria entre o Ministério da Saúde e Instituto Nacional do Câncer (INCA) levou à criação de alguns materiais que podem ser bastante úteis, como a cartilha Câncer de Próstata: Vamos falar sobre isso?, o vídeo Saúde do Homem, e a página orientativa sobre o câncer de próstata.

Novembro Azul com saúde em primeiro lugar e preconceito fora do páreo!

Por se tratar de uma doença rodeada de mitos e preconceitos, principalmente relacionados a um de seus exames de diagnóstico – o toque retal -, costuma, ainda que com a expansão notável do Novembro Azul, ser motivo de piadas e comentários que levam muitos homens a não procurarem agir preventivamente mesmo que estejam com alguns dos sintomas aqui apresentados.

Se você que está lendo este artigo faz parte deste grupo, tal qual o breve vídeo Saúde do Homem que está logo ali em cima, sugiro a seguinte reflexão: você vai mesmo deixar que um preconceito retrógrado te impeça de ter uma longa vida com sua família e amigos? Uma teimosia tola vale mesmo nessa magnitude? A quem você quer provar que é um “grande macho”? A moeda mais cara que existe na vida é justamente o tempo e, não tomar cuidado com uma doença que hoje em dia pode ser tratada de maneira adequada pode fazer com que o seu tempo seja abreviado – e você entre na estatística dos mais de 40 homens que morrem todos os dias em decorrência desta doença.

O objetivo deste artigo não é o de colocar medo ou algo do tipo, mas sim de levantar que essa questão é mais séria do que se imagina e que sim, faz diferença estar atento a ela para que se evite o pior.

Fica aqui a sugestão deste que escreve agora: mande este artigo para quem você conhece que geralmente levanta piadas de gosto duvidoso a respeito dessa questão. Quem sabe assim, de maneira ainda mais direta do que faz a campanha Novembro Azul, você estará ajudando a salvar vidas conhecidas – seja da ignorância ou mesmo dessa doença!

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