Nos balanços do exterior, dólar e China

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Nos Estados Unidos, a temporada de divulgação de balanços corporativos do quarto trimestre de 2018 começou esta semana.  Os mercados internacionais seguem mais calmos, após o último mês de dezembro ter sido bem negativo. Como será o desempenho nas próximas semanas? Se até aqui a direção foi bastante influenciada por sinalizações do banco central dos EUA, a partir de agora, os balanços das empresas certamente ajudarão a ditar os rumos. Do lado “macro”, dois fatores se mostram relevantes para acompanhar e entender melhor: o dólar e a China.

O dólar index — dólar contra uma cesta de moedas — acumula uma alta de 5% nos últimos 12 meses. A partir de meados de abril do ano passado começou a se valorizar e, após atingir um pico em meados de novembro, perdeu forças de lá pra cá. Isto, é claro, ajudou muitas moedas de países emergentes — um alívio externo que, somado com as perspectivas de um novo governo, foram razões para a recente valorização do Real aqui no Brasil. Vale outra comparação interessante: hoje, após idas e vindas, o dólar encontra-se muito próximo do patamar que prevalecia nas eleições de Donald Trump (novembro de 2016).

De volta aos balanços das empresas americanas, temos que isto é algo positivo. Afinal, quando o dólar se valoriza elas tendem a perder competitividade, e encontram mais dificuldade para vender os seus produtos no resto do mundo. Tudo mais constante, portanto, o recente alívio do dólar deve ter sido bem recebido por investidores e empresários. Mas até quando irá a queda do dólar? Se considerarmos o diferencial de juros entre os títulos dos EUA e os da Alemanha (EUA — Alemanha) — uma medida de referência para ver o “quão atrativo” é investir no primeiro vis-a-vis o segundo —, temos que a direção contrária parece fazer mais sentido. Hoje, a diferença dos títulos de 10 anos destes países está por volta de 2,5%. No início de 2018 era 2,0%. O alívio do dólar desde meados de novembro de 2018, em minha opinião, é condizente com o recuo desta taxa, que passou de 2,8% para os atuais 2,5%.

Embora o banco central dos EUA tenha dito que será “paciente” em sua normalização da política monetária, parece difícil imaginar que continuaremos a ver um recuo deste diferencial de juros entre EUA e Alemanha. Até onde irá? Esta é uma pergunta importante, e que certamente terá repercussões sobre a direção do dólar no exterior (consequentemente, sobre as empresas americanas). Se não forem motivos mais “negativos” — como o início de uma recessão, ou algo parecido —, portanto, no curto prazo não parece haver razões muito convincentes para que isto aconteça.

Por fim, atenções à China e suas repercussões sobre os balanços americanos. Vale lembrar que os sinais vindos de lá não são os melhores. A desaceleração econômica continua e os últimos números de comércio foram desanimadores. Embora investidores possam imaginar que uma “pausa” na guerra comercial com os EUA e mais estímulos do banco central possam reanimar a economia, não é esta a narrativa mais convincente. Aliás, o mercado acionário — considerando o índice Shanghai Shenzhen CSI 300 — continua numa trajetória de queda desde o início de 2018. De lá pra cá, acumula um recuo de 22%.

A temporada de balanços nos EUA será importante para compreender melhor o impacto do dólar e das relações com a China. Num momento de certo “alívio” nos mercados, o noticiário econômico e político abre espaço para o noticiário corporativo. Ao mesmo tempo em que é necessário analisar aquilo que aconteceu no último trimestre do ano passado, continuará a ser relevante pensar nos próximos meses. Afinal, quais serão os rumos do dólar e da economia da China?

 

 

 

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