Quem será o próximo Nobel de Economia?

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Nesta semana tivemos o momento do ano em que ficamos sabendo quem foram os novos laureados pelo notável Prêmio Nobel. As áreas são Física, Química, Medicina, Literatura e Paz. Em 1969, no 300º aniversário do Banco Nacional da Suécia, foi criado o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel – o que convencionou-se chamar de Prêmio Nobel de Economia e inclusive consta em área específica sobre no site oficial da entidade. Outro prêmio não criado por Alfred Nobel mas que popularmente é conhecido como sendo Nobel de uma área é a Medalha Fields, da área de Matemática.

Levando em consideração que as informações sobre esses premiados costumam estar espalhadas pela rede e serem, em muitos casos, pouco detalhadas, em 2020 o Terraço Econômico decidiu, em um esforço conjunto a muitos economistas do país (de diversos espectros e visões de mundo), reunir em um só lugar informações sobre todos os vencedores, ano a ano, desde 1969. Assim nasceu a Coleção Economistas: Nobel, que está se encaminhando para o final nas próximas semanas.

Um prêmio conectado com a realidade

Quando se ouve falar em economia, inicialmente a imaginação vai direto para aquele comentarista de fatos mais amplos, geralmente macroeconômicos, que fala no jornal ou no programa de rádio. É claro que você que acompanha esta coluna sabe que economia é muito mais que isso, mas, será que o prêmio Nobel da área também tem esse tipo de proximidade com o mundo real?

Sim, e como tem. Temas como crescimento econômico, tomada de decisões, contratos eficientes, regulação de mercados, bem-estar, expectativas racionais, consumo, mercados financeiros, desenvolvimento, leilões, pobreza e até comportamento humano já renderam premiações neste Nobel.

Um ponto importante que não deve ser esquecido é que um trabalho que chega a este nível de premiação leva em conta uma presença tão consolidada quanto longeva da área de estudo. Isso significa, na prática, que não se trata de um prêmio que está no aguardo de grandes mudanças no curto prazo para escolher os vencedores, mas sim observa trabalhos que literalmente abrem novas áreas do conhecimento na ciência econômica. Esse adendo é válido sobretudo quando, no ano passado, em meio a uma pandemia (que ainda vivemos), os vencedores tiveram trabalho sobre leilões e, em alguns lugares, o prêmio chegou a ser criticado por uma suposta “falta de proximidade e sensibilidade com a realidade”.

Através da Coleção Economistas: Nobel, o leitor fica a par da quantidade extensa de áreas que são estudadas na economia, de quantos foram os vencedores até então e também de como, justamente, análises e pesquisas consolidadas em um período razoável de tempo ajudam entes econômicos (as pessoas, os governos, as empresas etc) a tomarem melhores decisões e, no fim do dia, permitirem que o mundo todo se torne mais eficiente.

Citando especificamente o caso de 2020, por exemplo, que fala sobre a área de leilões, a teoria estudada nessa área pelos laureados teve como impacto direto o analisar mais amplo de como concessões públicas podem ser realizadas. A conexão não se dá apenas com a realidade como também com outro prêmio concedido, o de 2014, que fala da regulação em mercados em que temos poucos players ou apenas um – oligopólios ou monopólios naturais. Se parece inicialmente algo distante, pense por exemplo na diferença entre um programa de desestatização que resulta em serviços melhores em contrapartida a outro que, mesmo melhorando, acaba por concentrar mercados (como no caso das telecomunicações brasileiras): a diferença entre os dois casos está no desenho e implementação desses programas e as melhores práticas até então encontradas tiveram contribuição direta de pesquisas como essas.

Quem será que leva o Nobel de Economia em 2021?

Existem casas de apostas que recebem palpites de quem seriam os laureados e também temos sites que fazem anualmente levantamentos sobre quem poderiam ser os próximos vencedores.

Um deles é o The Best Schools, que traz como previstos os seguintes nomes:

Daron Acemoglu (crescimento e desenvolvimento econômico, treinamento e capital humano, desigualdade de renda e economia do trabalho);

Susan Athey (o impacto das incertezas sobre o comportamento dos agentes econômicos, especialmente os investidores, e otimização de marketplaces);

Hernando de Soto (a importância de deter título de propriedade bem estabelecido para se alcançar progresso econômico e social em países em desenvolvimento);

Esther Duflo (economia comportamental em países em desenvolvimento e aspectos em microeconomia) (cabe apontar que ela foi uma das laureadas em 2019);

William Easterly (empreendedorismo e o poder que ele tem sobre os países em desenvolvimento);

Roger Garrison (a ligação entre a micro e a macroeconomia, focando no gap existente entre curto e longo prazo dessas duas áreas);

Dambisa Moyo (análise sobre países africanos que passaram a ser dependentes de programas internacionais de ajuda em relação a outros que conseguiram se manter sem tais programas e como, nos dois casos, a pobreza aumentou ou diminuiu).

E aí, qual a sua aposta? Aguardemos a próxima segunda-feira para descobrir se algum destes nomes (ou mesmo alguma das áreas aqui citadas) será condecorado com o Nobel de Economia de 2021!

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