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Não Olhe para Cima, uma paródia do mundo atual

Tempo de leitura: 4 minutos

Lançado em 2021, “Não olhe para Cima”, do inglês “Don’t look up”, é um filme de comédia/catástrofe que acompanha a trajetória de dois astrônomos que fazem uma aterradora descoberta: um enorme meteorito rumava para a Terra, com a capacidade de causar a completa extinção de toda vida terrestre. Esses astrônomos são a doutoranda Kate Dibiasky e o Dr. Randall Mindy, respectivamente interpretados por Jennifer Lawrence e Leonardo DiCaprio.

A vida da dupla de astrônomos, antes pacata e sem grandes emoções, transforma-se em uma verdadeira cruzada contra o tempo, nem tanto por causa do meteorito em si, mas muito pela necessidade de convencer a opinião pública de que ele é um problema real e que está prestes a destruir o planeta inteiro.

Parodiando o mundo atual

No final da década de 1990 e primeira década dos anos 2000, fizeram muito sucesso os chamados filmes paródias. Geralmente, esse tipo de filme consiste na recriação de obras de grande sucesso, a partir de um ponto de vista cômico e crítico.

Dessa enorme leva de filmes, que incluem obras como Borat e Uma Comédia Nada Romântica, aquele que talvez mais tenha feito sucesso foi Todo Mundo em Pânico. Com um total de cinco filmes, Todo Mundo em Pânico arrecadou quase 1 bilhão de dólares em todo o mundo, parodiando de maneira visceral uma série de filmes de terror famosos.

De maneira semelhante a Todo Mundo em Pânico, Não Olhe para Cima também é uma paródia, mas não de uma obra fictícia, e sim da própria vida real. Ao longo do filme, enquanto acompanhamos a saga de Kate e Randall, é possível ver a vida, mais precisamente no mundo atual, sendo retratada de maneira cômica e bastante cínica.

Incluindo programas de TV, redes sociais, celebridades, praticamente tudo que está em alta, que é considerado como “cool” atualmente, é caracterizado no filme como algo descartável, vazio de conteúdo e de propósito, servindo unicamente para divertir e entreter.

No filme, a parte que melhor representa essa questão acontece quando Kate e Randall estão sendo entrevistados em um famoso programa de televisão. Nesse programa, a descoberta de que o mundo está prestes a ser destruído é tratado como uma mera futilidade, uma descoberta que serve apenas para entreter o público.

Uma paródia da política norte americana

Mas a maior paródia do filme é realizada sobre a política nos EUA, sobretudo em relação aos últimos presidentes e presidenciáveis. Sobre isso, é necessário apresentar outro importante personagem do filme, a presidente Janie Orlean, interpretada por Meryl Streep.

Apesar de referências diretas a Donald Trump, principalmente acerca da negação de um evento cientificamente comprovado – um paralelo entre as mudanças climáticas e a queda do gigantesco meteorito -, Janie, na verdade, é um mix de diferentes políticos. Assim como Trump, também há muito de Hillary Clinton e de Joe Biden presente em Janie, além de outros tantos figurões da política americana.

Por questões eleitorais, Janie ignora totalmente a possibilidade de qualquer catástrofe, até perceber que isso poderia ser explorado politicamente. A partir disso, ela passa a adotar uma nova posição, a de acreditar na existência do problema, liderando todo um enorme esforço para destruir o meteorito e assim livrar o planeta do iminente apocalipse.

No entanto, o posicionamento de Janie tão logo muda – novamente por razões eleitorais – e o seu objetivo passa a ser explorar o meteorito economicamente, ao invés de apenas destruí-lo, usando como slogan eleitoral “livrar o mundo da pobreza”. Isso é devido a descoberta de que o meteorito era formado por uma quantidade quase inesgotável de metais preciosos, por isso não podia ser simplesmente destruído, mesmo com a elevadíssima (praticamente certa) chance de acarretar a extinção do planeta.

E o que Não Olhe para Cima tem a ver com economia?

Como comentado anteriormente, Não Olhe para Cima retrata a realidade, sobretudo quando se trata da política, de uma maneira cômica e irônica. Mas, nesse mesmo contexto, não podemos esquecer da economia, que no filme, pode ser observada a partir do efeito das expectativas.

Na medida em que as expectativas a respeito da aproximação do meteorito se elevavam ou se reduziam, as bolsas de valores no mundo inteiro passaram a sofrer oscilações. Fazendo novamente um paralelo com a realidade, algo semelhante pode ser visto acerca da pandemia de Covid-19, com as inúmeras oscilações nos mercados financeiros, decorrentes do aumento ou da redução no número de contaminados com a doença.

Para entender melhor essa questão de como as expectativas podem atuar basta realizar um pequeno esforço imaginativo, o de se imaginar como sendo um investidor. Será que você faria um grande investimento havendo uma grande expectativa acerca de uma nova onda severa de casos Covid-19? Voltando para o contexto do filme, será que você investiria o seu dinheiro sabendo que um enorme meteorito está na iminência de causar a extinção no planeta? E que investimento seria esse?

Tudo isso é uma questão de expectativa. A própria ação de olhar para cima, mesmo sendo algo bastante simples, depende muito das expectativas que o indivíduo possui, tendendo a ocorrer somente na iminência da queda de algo, geralmente com potencialidade de causar algum tipo de dano ou incômodo, a exemplo do excremento de um passarinho ou de um gigantesco meteorito caindo do céu. 

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