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Mercado de crédito: Os bancos, as sombras e o futuro do setor

Tempo de leitura: 3 minutos

Após a última crise financeira, o mercado de crédito dos EUA mudou de forma dramática. Os bancos tradicionais têm perdido espaço, e instituições menos reguladas como as FinTechs vão ganhando espaço. Esta transformação veio acompanhada do crescimento do chamado “shadow banking system”, na qual as FinTechs estão incluídas. Quais as razões para estas transformações? Qual é a tendência? Mais: tudo isto representa um risco para o restante do mercado? Mudanças no exterior, é claro, parecem dar pistas sobre aquilo que, mais cedo ou mais tarde, também pode acontecer no Brasil.

Antes de mais nada, é importante deixarmos claras as diferenças entre os “bancos tradicionais” e os bancos que fazem parte do “shadow banking system”, numa tradução para o português, o ”sistema bancário das sombras”. No sistema tradicional, ao contrário daquilo que acontece nas “sombras”, é possível fazer depósitos. Ou seja: a grande diferença é que pessoas e empresas podem depositar seus recursos nestas instituições que, por sua vez, usam este “funding” para realizarem as suas atividades básicas (emprestar para outros que demandam crédito, etc.).

Esta diferença “básica” pode parecer pouca coisa, mas é bastante relevante. Afinal, faz que com a regulação seja muito mais rígida sobre os bancos tradicionais. Aqueles nas “sombras”, por outro lado, estão livres deste emaranhado de regras, e tem maior liberdade para se financiarem com mais dívida e terem uma alavancagem muito maior. Estudos mostram que o “shadow banking system” nos EUA, entre os anos de 2008 e 2015, cresceu mais em regiões com maior regulação. Dito de outra forma: uma maior regulação acabou fazendo com que atividades antes no sistema regulado migrassem para o sistema não-regulado. Ao invés de o risco do sistema como um todo diminuir, a maior regulação pode ter feito o chamado “risco sistêmico” aumentar.

O market-share destas instituições nas “sombras”, em percentual do mercado de crédito residencial total, praticamente dobrou entre 2008 e 2015 nos EUA. Passou de aproximados 30% para 50%. A menor regulação foi, é claro, um dos propulsores deste crescimento. De modo geral, estas instituições não-reguladas têm se concentrado em segmentos pouco atendidos pelos brancos tradicionais, com maior risco, menor renda per capita e em regiões com maior presença das “minorias”. Técnicas distintas de avaliação de riscos e o uso de dados em grande escala são outros diferenciais.

E as FinTechs? O market-share destas também cresceu nos últimos anos. Passou de aproximados 5% em 2007 para 12% em 2015. Estes números, embora menores que os anteriores, representam uma significativa fração do crescimento do market-share do “shadow banking system” no período. As FinTechs estão classificadas dentro deste segmento menos regulado do mercado, porém, se diferenciam das “não-FinTechs”, ao utilizarem muito mais tecnologia em seu modelo de negócios, como o próprio nome já sugere. Esta diferença lhes confere maior rapidez na avaliação dos empréstimos, e não há evidências de maiores riscos em comparação com os bancos (ou seja, suas avaliações parecem bem-feitas). Aliás, o processo online do início ao fim também aumenta a qualidade de seus serviços e, mesmo dentro do “shadow banking system”, conseguem cobrar taxas mais caras por isto. Ou seja: há, sim, elevada heterogeneidade de instituições dentro do próprio “shadow banking system”.

O que é mais importante: menor regulação ou maior tecnologia? Considerando o período de 2008 a 2015, 55% do crescimento do “shadow banking system” americano explica-se por vantagens regulatórias em relação ao sistema tradicional. Outros 35% pela maior inovação e tecnologia. Os restantes 10% devem-se a outros fatores. Neste contexto, os bancos tradicionais enxergam nestas instituições um grande risco, é claro. Pressionarão por uma regulação mais frouxa (como já tem acontecido!), e farão um esforço para adotar mais tecnologia. No sentido contrário, também é bastante provável que as instituições que até aqui estão nas “sombras” entrem na mira dos reguladores. O timing destes movimentos terá repercussões sobre o futuro do setor bancário ao redor do mundo.

Referência: “Fintech, Regulatory arbitrage, and the rise of shadow banks” – Buchak et al (2018).

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