A mensagem está dada

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Há um contraste entre a “política” e a “economia”. Aqui, e no resto do mundo. O contraste se dá a partir de “uma política que é depressiva, e uma economia que melhora”, definiu recentemente o influente colunista Martin Wolf, do Financial Times.

Já falamos deste “descolamento” em outras ocasiões; não é tema novo, preciso advertir. Mas é, ainda assim, algo válido, e que merece a nossa atenção. Afinal, esta divergência não deve continuar para sempre. A questão é: a má política arruinará a economia, ou a melhora econômica curará a política?

As principais economias do mundo crescem num ritmo muito forte. Segundo relatório1 do Banco Mundial (BM) – divulgado nesta semana –, o mundo deve ter crescido 3,0% em 2017, e crescerá 3,1% em 2018. Os EUA devem crescer 2,5% neste ano, e a Zona do Euro 2,1%. Os países emergentes devem crescer expressivos 4,5%.

Segundo as palavras do próprio BM, “A recuperação global, cíclica, e em larga escala, está em curso, beneficiada pela recuperação do investimento e do comércio, num contexto de condições benignas de financiamento, políticas geralmente acomodatícias, melhora da confiança, dissipado o impacto do colapso recente dos preços das commodities”.

Concordamos. De fato, há um clima de otimismo, bastante generalizado, que têm contribuído para a valorização das bolsas no período recente, por exemplo. Justifica-se? Até aqui, nos parece que sim. O pano de fundo “macro” é positivo. E estes ventos do exterior também fizeram preço no Brasil…

Não é por acaso que o risco-Brasil2 recuou expressivos 42% em 2017. Dito de outra forma: não é apenas por políticas internas – Temer, Meirelles e Cia. – que esta melhora aconteceu. Basta notar: o “risco-emergentes” – uma média do risco-país de alguns países emergentes3 – recuou ao redor de 35% neste mesmo período.

Não há como negar que o contexto internacional foi, e continua sendo, extremamente favorável. Mas até quando isto irá durar? O ritmo de crescimento forte terminará de forma suave ou abrupta? Isto, sem dúvidas, pode nos afetar aqui no Brasil.

Como “gatilho” para uma mudança de rota, monitoramos, com especial atenção, aquilo que irá acontecer com a taxa de juros dos EUA. Hoje entre 1,25-1,50% ao ano, estes devem continuar a subir. Para o final de 2018, esperamos 2,00-2,25%. Se aproximarão de 3% — vista como a taxa de equilíbrio de longo prazo. O risco – pensando em alguma possível correção dos mercados – é este movimento ser mais rápido, ou mais forte, do que o previsto.

Também vale acompanhar aquilo que o mercado acredita – e, portanto, precifica – sobre a trajetória dos juros americanos. As tais “expectativas”. Ou seja: além de monitorar o patamar atual (que o BC define, em suas reuniões periódicas), é preciso monitorar as expectativas do mercado para a trajetória de juros. Afinal, aquilo que se espera para o futuro faz preço já no presente…

A mensagem deste texto é clara: acreditamos que a probabilidade de termos um cenário internacional ainda melhor é cada vez menor. Também é difícil imaginar que este cenário tão favorável possa se manter de forma indefinida. Afinal, estes são tempos excepcionais, em nossa visão. É neste contexto que a interação entre “política” e “economia” ganha importância. Voltamos à pergunta anterior: quem influenciará quem?

Segundo as contas do BM, o crescimento potencial4 dos países emergentes continuará a cair nos próximos 10 anos, fruto de menor acumulação de capital, crescimento mais lento da produtividade e demografia desfavorável. Assim, as políticas de hoje destes países podem influenciar este crescimento futuro. Ou não.

Fico por aqui. A mensagem do texto está dada.

“Biquínis e mensagens devem ser curtos para aguçar o
interesse e longos o suficiente para cobrir o objeto”
– Carlos Heitor Cony

Observações:
1 Global Economic Prospects, de Janeiro/18;
2 CDS (Credit Default Swap) de 5 anos;
3 Grupo selecionado pela Guide Investimentos, seguindo critérios específicos;
4 Crescimento de equilíbrio.

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