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Melhor presente de dia das crianças: educação financeira

Tempo de leitura: 4 minutos

Neste 12 de outubro tivemos mais um Dia Das Crianças. Caso você nunca tenha pensado sobre, este é mais um dia instituído no Brasil por força de lei – ocorreu em 1924, durante o governo do presidente Arthur Bernardes. Porém, a data se tornou popular no Brasil quando, a partir de 1960, a Johnson&Johnson se associou a marca de brinquedos Estrela para criar uma ação comemorativa nesta semana para dar tração à venda de produtos para crianças na data já existente.

Outra curiosidade que talvez você não saiba é que, apesar de comemorado em mais de 100 países ao redor do mundo, a data não é unificada. Na verdade, lá fora a data mais comum é o dia 20 de novembro, quando, em 1959, a UNICEF publicou a Declaração dos Direitos das Crianças.

Enfim, independente do dia, aproveitamos a ocasião para falar sobre um assunto interessante, uma semente que pode render bons frutos no futuro. O que você deu de dia das crianças para a criança mais próxima (seu filho, sobrinho, afilhado) neste ano? Uma lembrancinha? Um bolo? Uma mensagem? Passou o dia junto? Aqui você vai descobrir que tem uma coisa que você pode ensinar, com o tempo, que vai ser mais perene do que qualquer atitude ou presente dado: educação financeira.

Sementes hoje, árvores amanhã

Tendemos a acreditar que o melhor modo de agradar uma criança neste dia é dando a ela um brinquedo ou algo especial para que ela se lembre da data. Isso pode ser sim verdadeiro, e não estamos aqui tentando te fazer virar o pai/tio/padrinho “mão de vaca” que não dá nada nessa data porque quer “passar uma mensagem”. Mas, sim, que tal adicionar junto a isso um conhecimento que pode mudar a vida daquela criança?

Este conhecimento é a educação financeira. Falar de dinheiro com crianças permite que elas se tornem adultos mais responsáveis com uma das coisas que menos costumam ser. E, no fim das contas, essa irresponsabilidade média se dá geralmente pela ignorância de não terem tido tais sementes plantadas, justamente, quando eram crianças – segundo pesquisa recente, essa é a situação de 79% dos brasileiros.

Como fazer isso? Um meio é inserir o assunto de um modo lúdico, em um jogo. Para citar um exemplo, há o jogo Descobrindo o Valor das Coisas, numa parceria entre o educador financeiro Gustavo Cerbasi e Maurício de Sousa que transformaram um assunto geralmente tão áspero em algo divertido. E, caso você não tenha tido contato com finanças pessoais, pode conferir em artigos aqui deste blog sobre o que é educação financeira e também sobre como passar essa mensagem adiante para crianças.

Importante apontar que educação financeira não é apenas o básico de saber quanto se ganha, mensurar quanto se gasta e ver o que pode ser feito com o que sobra, mas também envolve tópicos mais avançados como não cair em pirâmides financeiras, essas que de tempos em tempos seduzem tantos adultos.

Você ou o governo: alguém pode começar

Você já deve ter ouvido sobre aquela velha diferença entre brasileiros e americanos quando têm filhos: por aqui, quando muito, abre-se uma poupança, enquanto no Tio Sam são compradas algumas ações para quando o filho for para a faculdade. Recentemente inclusive um artigo da renomada revista de finanças Barron’s colocou essa questão de maneira ainda mais direta: o que você dá a uma criança deve estar no nome dela, não só por efeitos fiscais (os impostos sendo pagos por quem detém os ativos) como também pelo aspecto da responsabilidade (a ação é da criança, não sua).

Por aqui, até bem recentemente, o mais sofisticado que se tinha para fazer nesse departamento era comprar títulos do Tesouro Direto. Isso ocorria basicamente em função da nossa taxa de juros historicamente alta que faz com que, ao longo de uma janela ampla de tempo, o CDI supere a renda variável. Este hábito pode estar adormecido em função da Selic baixinha, mas segue sendo salutar.

Tal qual a previdência, geralmente há um questionamento feito sobre quando se deveria iniciar este processo de falar sobre dinheiro e prover um “pé de meia” para a geração que suceder a atual. Pensando justamente nisso, que na economia chamamos de desconto hiperbólico (onde os benefícios são tão distantes que parecem não superar os custos de curto prazo), temos um exemplo do Reino Unido de programa que pensa nisso, os Child Trust Funds: criado em setembro de 2002 envolve um investimento que o governo fazia para incentivar os pais a fazerem o mesmo e cujos resultados só poderiam ser acessados quando as crianças fizessem 18 anos – o que ocorre neste ano e liberará entre 1500 e 70.000 libras por pessoa, a depender do quanto se investiu no período.

Mude o futuro de uma criança hoje

A trajetória de educação financeira para crianças não é trivial e, sim, depende dos pais terem tido um mínimo acesso a isso, para saberem o que estão transmitindo. Mas uma coisa é fato: um presente de dia das crianças que envolva algo tão de longo prazo quanto isso certamente contribuirá muito positivamente para o adulto do amanhã.

Se você já faz isso pela criança mais próxima que tem, nossos parabéns! Se não o faz, que tal começar?

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