Manifestações deveriam mudar seus investimentos?

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A última semana foi marcada por duas manifestações contrárias entre si: uma no dia da independência, com teor mais favorável ao governo, e outra no dia 12, buscando representar uma oposição ao governo. Em um país razoavelmente acostumado com esse tipo de movimentação, sobretudo desde o caótico 2013, essa pergunta não deveria ser tão relevante, mas: o que isso pode mudar nos seus investimentos?

Antes de responder a essa pergunta, parece adequado pensar em outros questionamentos tão pertinentes quanto esse. Importante frisar que neste artigo estamos falando tanto de investimentos no mercado financeiro quanto na economia real.

Olhar os fundamentos do que você investe importa

A atitude mais responsável que você tem de tomar antes de começar a investir no que quer que seja é entender o seu perfil de investidor. Do modo mais sincero e honesto possível, a qual nível de risco você se sente confortável plenamente? Não saber essa resposta com ao menos algum nível de clareza pode, de fato, dificultar muito sua experiência nesse mundo – e talvez te colocar no clube não pouco relevante de pessoas que chamam bolsa de “cassino”, por exemplo.

Levando em consideração que você já conhece seu perfil, agora o passo adiante é tentar entender como o que você investe se correlaciona com o que acontece na economia de uma maneira geral. Os juros em ascensão pioram ou melhoram os ativos que você investe? Inflação é algo que bate diretamente ou sequer resvala nos mercados em que você decide colocar seu dinheiro? Que decisões do governo impactam direta ou indiretamente os números que você vê na tela?

Especificamente no que tange a falar de risco, existem duas partes a serem consideradas: o risco específico daquilo que você investe e o risco do mercado como um todo. O específico, por exemplo, é o de partes relevantes da empresa decidirem mudar drasticamente a estratégia de modo que possa queimar caixa no curto prazo e você não concorde com isso. O de mercado pode ser um Joesley Day, uma pandemia, algo que em nada tem a ver com a gestão do negócio observado mas que afeta diretamente.

Oportunidades sempre estarão presentes, apesar dos pesares

Nosso país sempre passou por momentos de crise e complicações, sobretudo no aspecto político. De maneira bastante direta, se isso fosse um real impeditivo, nenhum negócio existiria por aqui. Mas sim, existem e são muitos. Por outro lado, também não é esquisito ouvir, em momentos de dificuldade econômica de qualquer magnitude, que o político da ocasião foi o responsável pelo fechamento deste ou aquele negócio.

Uma verdade talvez um pouco amarga é que a responsabilidade de negócios, sejam eles da economia real ou do mundo financeiro, é de quem os toca e de quem toma decisões neles. A não ser em casos muito específicos, como o negócio tendo se tornado ilegal da noite pro dia, é muito pouco justificável colocar como responsabilidade direta de alguém que não decide nada no seu negócio a falência dele.

Termômetro das ruas, mensagens e ruídos

Após conhecer seu perfil de investidor, entendendo quais são os fundamentos do que você investe e as relações com a economia real, refletindo que não há tanta correlação assim entre o político da época e o seu negócio (ou aquele que você investe), voltemos ao que traz este artigo à vida: o que as manifestações nas ruas deveriam mudar nos seus investimentos?

A resposta pode parecer a princípio decepcionante, mas é o clássico dos economistas: depende! Depende do quanto você sabe no que está investindo e no quanto uma eventual mudança econômica advinda da política lhe beneficiaria ou não.

Mas de uma coisa você, leitor, pode estar certo: a não ser que o que você invista sofra com mudanças de curtíssimo prazo, a única diferença que manifestações e pesquisas de opinião sobre a popularidade sobre quem quer que seja podem causar está sobre o que você acredita que acontecerá no futuro. A impopularidade forte de alguém hoje pode impedir que continue lá? Variáveis econômicas indicam que quem toma as decisões hoje na política vai agir para suavizar isso?

No fim do dia, tal qual quando o Banco Central toma suas decisões, o que importa não é a decisão em si, mas o que ela sinaliza para o amanhã. Como manifestações não faltaram nos últimos anos e, a despeito delas, tantas decisões curiosas seguiram sendo tomadas – por exemplo a reeleição da Dilma após todo o caos em 2013, a ida de Temer até o último dia apesar da maior rejeição popular desde a redemocratização e os protestos esvaziados contra o Bolsonaro mesmo com uma rejeição que já supera metade da população -, provavelmente elas não deveriam fazer você mudar nenhuma decisão de investimento.

Preparar-se para mudanças futuras é sempre importante, relevante e necessário, assim como saber diferenciar o que seriam ruídos e quais seriam as verdadeiras mensagens. Não foque nas manifestações em si, mas em que tipo de tomada de decisão de esfera pública elas geram – e como isso provavelmente impacta o que você investe ou não.

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