Long & short: aprenda todos os detalhes sobre essa operação

Tempo de leitura: 11 minutos

Uma das formas mais tradicionais de lucrar na bolsa de valores é comprar um ativo financeiro, aguardar sua valorização, para depois vendê-lo. Porém, existem estratégias que possibilitam ganhos mesmo quando os preços estão em queda. Uma delas é o long & short — você já a conhece?

Essa é uma estratégia que funciona com pares de ativos e pode ser usada em qualquer cenário — seja em períodos de alta ou baixa. Logo, ao utilizá-la, você terá mais flexibilidade nas suas operações e, assim, poderá potencializar seus resultados.

Aprenda neste artigo os principais detalhes sobre a operação long & short e saiba como colocá-la em prática. Não perca!

O que é long & short?

A palavra inglesa “long”, traduzida, significa “longo”. No mercado financeiro, ela representa a posição “comprada” de um ativo. O termo faz sentido considerando que, em uma operação long (de compra), o operador acredita na valorização do ativo — o que pode levar longos períodos para ocorrer.

Já a palavra “short” refere-se a “curto”, perfazendo no mercado a posição “vendida”. Normalmente, quem opera short busca aproveitar pequenos movimentos de queda do mercado. Isso porque, no geral, é esperado que, no longo prazo, os ativos valorizem. Assim, as vendas precisam ser rápidas.

Portanto, a estratégia long & short envolve assumir duas posições no mercado: uma comprada e outra vendida. O objetivo não é aproveitar da valorização ou desvalorização de um ativo ou derivativo financeiro individualmente, mas a performance superior de um em relação ao outro.

Por esse motivo, uma operação long & short pode ser utilizada tanto no mercado de alta quando no mercado de baixa. Contudo, para que ela funcione corretamente, ambas as operações (compra e venda) devem acontecer simultaneamente. Afinal, os ativos são avaliados em conjunto.

Como funciona a estratégia long & short?

Como você já sabe, o long & short combina uma operação comprada e uma vendida. Contudo, não basta realizar a compra de um ativo e a venda do outro de forma aleatória. É preciso encontrar dois ativos que tenham correlação entre si.

A correlação pode ser meramente estatística ou resultar de uma consequência prática entre eles. Por exemplo, quando o dólar americano valoriza, é esperado que o índice Bovespa (Ibovespa) passe por momentos de queda. Logo, é possível considerar que ambos possuem uma correlação negativa.

Ademais, o especulador também consegue fazer o long & short com ativos que valorizem ou desvalorizem juntos — ou sigam caminhos opostos diante de um mesmo cenário. Desse modo, diversas formas de correlação podem ser aproveitadas.

Após escolher o par de ativos, é normal que o especulador abra primeiro a posição vendida (ponta short). Isso porque, ao fazer a venda, ele já consegue parte ou todo o capital que será necessário para iniciar a posição comprada (ponta long).

Caso a estratégia operacional seja o day trade — em que as posições são abertas e encerradas no mesmo dia —, o trader pode fazer a venda sem ter o ativo. Mas, se a posição for durar mais de um dia (swing trade ou position trade), será preciso alugar o ativo que será vendido e, ao final da operação, devolvê-lo.

Quais tipo de pares são utilizados?

A escolha dos pares de ativos varia de acordo com o perfil e objetivos do especulador. Cada trader pode levar em consideração um aspecto subjetivo para definir as correlações existentes. De toda forma, é muito comum observar alguns tipos de correlação específicos, como:

Ações de uma mesma empresa

Diversas empresas listadas em bolsa contam com dois tipos de ações: as preferenciais (PN) e as ordinárias (ON). Aquele que compra uma ação PN tem o direito de preferência no recebimento de dividendos. Já o comprador de uma ON pode votar nas decisões importantes da companhia.

Nesse sentido, o preço de cada uma delas pode ser diferente, mas costuma ser próximo. Isso permite a realização do long & short com os ativos em momentos de distância das cotações. Assim, o trader consegue explorar a diferença entre os desempenhos dos papéis.

Ações de empresas de um mesmo setor

É bastante comum observar operações de long & short montadas a partir das ações de duas empresas de um mesmo setor. Por exemplo, grandes varejistas podem ter um desempenho distinto, ainda que o cenário do varejo impacte positivamente ou negativamente em ambas.

O mesmo pode acontecer com companhias de outros setores — como mineradoras, metalúrgicas, petroleiras, indústrias de alimentos, construção civil etc. Logo, é possível explorar a correlação de muitas companhias de um mesmo setor ou de setores relacionados.

Ações em relação a um índice de mercado

Muitos traders utilizam, ainda, a correlação entre ações de empresas e índices de mercado para fazer as suas operações de long & short.

Os índices de mercado são formados por uma carteira teórica com diversos ativos pertencentes a um setor ou a um mercado. Por exemplo, o Ibovespa concentra as ações mais negociadas no mercado brasileiro. Já o S&P 500 reúne as 500 ações de maior relevância no mercado norte-americano.

É válido destacar que os índices de mercado não podem ser comprados ou vendidos no mercado à vista, como acontece com as ações. Portanto, o trader precisará fazer uma das pontas no mercado futuro, se posicionando na compra ou venda, com vencimento em data posterior.

Moedas em relação a um índice ou outra moeda

Como você já viu, o dólar costuma apresentar correlação negativa com a bolsa brasileira. E muitos traders buscam aproveitar essas distorções. Também podem ser usados pares de moedas, como o dólar em relação ao euro ou iene, e assim por diante.

Quais são os custos e a tributação dessas operações?

O custo operacional para montar posições de long & short pode variar de acordo com a corretora de valores escolhida. Elas atuam como intermediadoras obrigatórias entre os participantes do mercado e possuem liberdade para fixar as taxas cobradas.

Então é preciso estar atento à incidência de taxa de corretagem, taxa de custódia e o valor do aluguel de ativos (se for o caso). Além disso, é preciso pagar as custas e emolumentos cobrados pela B3 (a bolsa de valores brasileira).

Sobre o ganho de capital também recai Imposto de Renda (IR). A alíquota é de 15% em operações de swing trade, calculado sobre a diferença positiva entre o valor de venda e o custo de aquisição dos ativos. Caso sejam operações de day trade, o valor a ser recolhido sobe para 20%.

Quais são as vantagens de utilizar a estratégia long & short?

Depois de conhecer o conceito de long & short, como funciona a estratégia e os custos envolvidos, é pertinente conferir as suas vantagens. Uma das principais é não depender apenas de um cenário de mercado para lucrar com as suas operações.

Você viu que existem chances de obter lucro independentemente de o mercado estar em alta ou em baixa. Basta que um ativo tenha desempenho melhor que o outro (seja subindo mais ou caindo menos, por exemplo).

Também conta como vantagem a possibilidade de potencializar seus ganhos caso ambas as posições sejam lucrativas — tanto a compra quanto a venda. Uma operação long & short pode ter diferentes resultados, mas os ganhos tendem a ser maiores quando ambas são encerradas com lucro.

Ainda no campo das vantagens, existe a possibilidade de fazer o long & short mesmo com pouco dinheiro — por meio da alavancagem. Como você viu, o trader consegue levantar parte ou todo o dinheiro que será preciso ao realizar a operação short primeiro.

Contudo, para iniciar uma operação de long & short e operar alavancado, o especulador precisará ter depositada a margem requerida pela corretora e pela B3.

Quais os riscos envolvidos?

Em relação aos riscos, como toda a operação especulativa, o long & short expõe o trader à volatilidade presente na renda variável. Com isso, além das possibilidades de ganho, o especulador pode experimentar perdas financeiras consideráveis.

Em um cenário em que ambas as pontas resultem em prejuízo, a operação pode consumir boa parte ou todo o capital investido — principalmente se a alavancagem for utilizada. Logo, é preciso ter bastante conhecimento e cautela quando decidir utilizar essa estratégia.

Não esqueça também o perigo de o mercado não se comportar como previsto. Afinal, o risco está sempre presente. Isso significa que vale a pena utilizar ferramentas para controlar os riscos e limitar as perdas — como o stop loss.

Dessa maneira, o long & short pode ser mais apropriado para quem possui o perfil arrojado. É necessário ter um apetite maior aos riscos, bem como preparo para lidar com alta volatilidade e com operações mais complexas.

Como fazer o long & short?

Após conferir as vantagens e riscos da estratégia long & short, chegou o momento de aprender como construir a operação. No geral, existem dois principais caminhos a serem adotados para se expor a ela: investir em fundos long & short ou montar as operações por conta própria.

Veja mais detalhes!

Fundos long & short

Os fundos de investimentos são veículos de investimento coletivos. Neles, diferentes investidores se reúnem para se expor a um mesmo portfólio. O capital desses fundos é administrado por um gestor, que fica responsável por escolher os investimentos que serão realizados.

Nesse sentido, é possível encontrar fundos que utilizam o long & short como estratégia operacional para rentabilizar a carteira. Essa é maneira mais fácil de estar exposto a esse tipo de operação, tendo em vista que todo o trabalho é feito por um profissional do mercado.

Mas é importante sinalizar que grande parte dos fundos de investimentos conta com a taxa de administração e taxa de performance — ambas para remunerar o trabalho exercido pelo gestor. O recolhimento dessas taxas pode reduzir sua margem de lucro ou aumentar seu prejuízo.

Operar por conta própria

Ao optar por fazer operações de long & short por conta própria, o primeiro passo será abrir a conta em uma corretora de valores de confiança — a exemplo da Guide. Como vimos, ela será indispensável para você conseguir operar na bolsa de valores.

O próximo passo será depositar a margem exigida para fazer a operação. Lembre-se de que a garantia também poderá ser oferecida a partir de determinados investimentos que você tenha em carteira.

Na sequência, acesse uma plataforma operacional ou home broker para ingressar no ambiente de negociações da bolsa. Feito isso, analise e escolha o par de ativos que você pretende operar.

Se a operação for durar mais de um dia, você precisará alugar o ativo da posição vendida. Posteriormente, inicie a posição short (vendida) e use o dinheiro levantado para abrir a posição long (comprada).

Com ambas as pontas montadas, aguarde o resultado esperado para desfazê-las. Em caso de dúvidas ou dificuldades em realizar essas operações, uma alternativa é buscar informações junto ao atendimento da sua corretora.

Como aumentar as chances de ter bons resultados ao usar essa estratégia?

Aquele que especula na bolsa de valores precisa entender que não há fórmulas ou estratégias infalíveis para garantir lucro — mesmo porque se trata de renda variável. Porém, algumas práticas podem contribuir para que suas chances de obter resultados positivos aumentem.

Entre elas. Estão:

Descubra seu perfil de investidor

Muitas pessoas ingressam na bolsa de valores motivadas pela possibilidade de ganhar dinheiro rapidamente. Entretanto, muitas vezes elas não sabem ou ignoram o seu perfil e tolerância aos riscos. E, diante desse cenário, as chances de êxito tendem a diminuir.

Com isso, saber se você suporta o risco de ter perdas financeiras na busca por lucros com a especulação é fundamental. Portanto, realize o teste de suitability enviado por sua corretora, fornecendo informações verdadeiras para que seu perfil possa ser identificado com precisão.

Tenha objetivos e metas bem definidos

Outro ponto importante é ter objetivos bem definidos. De modo geral, quem busca a especulação visa lucros no curto prazo. Porém, para que isso se torne possível, vale a pena traçar com antecedência o que você espera obter de potencial de lucro — e qual é o prejuízo máximo tolerado.

Conheça e estude mais sobre o mercado

Quanto mais conhecimento você tiver sobre o mercado e sobre as estratégias utilizadas, maiores serão suas chances de obter bons resultados. Isso porque você saberá como agir em diferentes situações e ciclos do mercado.

Portanto, estude sobre a análise técnica e fundamentalista — ambas são formas de ler o mercado ou um ativo específico. Na primeira, são utilizados gráficos e indicadores para acompanhar as movimentações de preços. Na segunda, os fundamentos de uma companhia ou fundo.

Compreendendo os motivos que influenciam na alta ou baixa dos preços — bem como os dados e informações que atraem investidores para um negócio — será mais fácil de escolher os melhores ativos ou derivativos para operar.

Agora que você já sabe o que é e como funciona o long & short, não deixe de estudar mais sobre essa estratégia antes de começar a operá-la. Como você viu, é possível aproveitar diversas correlações existentes na bolsa de valores e lucrar no curto prazo, mas os riscos também estão presentes.

Quer colocar seu aprendizado sobre long & short em prática? Comece a investir com a Guide!

Relacionados

Conheça as principais ações do setor elétrico disponíveis na bolsa brasileira

As ações do setor elétrico são muito procuradas pelos investidores. Afinal, o recurso é essencial para o país, sendo fundamental para [...]

Guide Investimentos - 15/10/2021

4 estratégias de investimento para quem está começando na renda variável

Quem está começando a investir na renda variável precisa adotar estratégias de investimento. Isso é importante para reduzir riscos e ter [...]

Guide Investimentos - 14/10/2021

Entenda como são divididas as ações por setor na B3

As classificações do mercado financeiro servem para dividir os ativos de acordo com as suas características. No mercado acionário isso se [...]

Guide Investimentos - 14/10/2021
Logo o guia financeiro

Entrar

Como deseja continuar?

Abra sua conta

Preencha os campos abaixo
ou use uma das opções