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King Richard: a história de um pai obstinado pela vitória

3 de junho de 2022
Escrito por Terraco Econômico
Tempo de leitura: 4 min
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Tempo de leitura: 4 min

As trajetórias esportivas das irmãs Williams no tênis já são inspiradoras por si só. Vênus, a mais velha, conquistou pouco mais de 40 títulos individuais e liderou o Ranking da ATP por 11 semanas no início de 2002. Serena, 1 ano e meio mais nova do que Vênus, foi ainda mais longe: conquistou mais de 50 títulos internacionais, incluindo Grand Slams.

Se a rivalidade aflorava entre elas, com mais de 20 confrontos diretos em torneios e uma ligeira vantagem para Serena, quando jogavam junto ninguém era páreo para a dupla americana: foram 25 títulos conquistados, incluindo 14 títulos de Grand Slams e 3 medalhas olímpicas para os Estados Unidos.

Mas o que pouca gente sabia era a história por trás das raquetes. Um pai obstinado que imaginou toda essa glória antes mesmo das futuras rainhas do tênis nascerem. Um homem que adotou uma postura firme – e algumas vezes até questionável – para realizar o objetivo de criar tenistas imbatíveis dentro de casa.

E é essa a história que o filme ‘King Richard: Criando Campeãs’ mostra, com algumas adaptações em relação à história real, mas que traz enormes ensinamentos sobre foco e comportamento humano.

O início de tudo: um insight

Tudo começou quando Richard (estrelado por Wiil Smith) via um torneio de tênis passando na TV, e notou que a premiação para a campeã era superior a 40 mil dólares. A partir daquele momento, ele elabora um plano minucioso para criar campeãs dentro da sua casa.

E não eram apenas ideias ao vento; o pai das irmãs Williams escreveu de fato um documento de 78 páginas antes das filhas chegarem ao mundo. Poucos meses após colocar no papel esse plano detalhado nasce Venus em 1981 e logo em seguida Serena,  em 1982.

Para Richard, não havia a menor dúvida de que essas crianças seriam as novas campeãs do tênis mundial.

Uma metodologia nada ortodoxa

Na cabeça do pai, não seria possível ver sua profecia se realizar se ele não levasse as meninas ao limite no treinamento. E nisso ele foi até às últimas consequências: treinos debaixo de chuva intensa, horas ininterruptas de troca de bolas e até a colocação de cacos de vidro no fundo de quadra, para ‘forçar’ as irmãs Williams a não recuarem demais no meio do ponto.

Esse método nada usual chamou a atenção de vizinhos, que chegaram a chamar a polícia acusando Richard de abuso infantil. Ao falar com os policiais, Richard se defende dizendo que está protegendo as filhas do mundo das drogas e das más influências e que elas tinham boas notas na escola.

O treinador como mentor

No filme, Richard está sempre próximo das filhas, acompanhando nos treinamentos e dando conselhos para focar totalmente no jogo. Ele treinava a autoconfiança das Williams a todo momento, inclusive chegando a intervir em entrevistas para não afetar esse sentimento existente em Venus e Serena de que sempre era possível vencer a adversária.

Richard não permitiu a participação das Williams em campeonatos até certa idade, focando em treinamentos e técnicas de jogo. Antes dos primeiros torneios, alertou que o ambiente do tênis era pouco inclusivo, e que ninguém poderia diminuí-las. Uma cena do filme mostra a chegada da família em um torneio local, no qual só haviam pessoas brancas, que por sua vez olhavam da cabeça aos pés para as meninas recém-chegadas.

No fim das contas, Richard queria dar para as filhas o que ele nunca recebeu da sociedade: um sentimento genuíno de respeito e admiração.

E o que isso tudo tem a ver com economia?

A perseverança demonstrada por Richard e pelas filhas mostra que para atingir grandes objetivos é preciso foco e muita resiliência. As probabilidades jogavam contra a família, considerando a situação financeira e a descrença das pessoas em compartilharem desse grande sonho, sendo esse último ponto retratado na dificuldade que Richard tem em encontrar um treinador para Venus.

No mundo dos negócios, há muita gente que só opina e faz pouco para transformar alguma situação. Richard mostra como essas ‘forças externas’ podem tirar a concentração para atingir os objetivos, em uma cena na qual o pai quase perde a cabeça depois de um desentendimento com um membro de uma gangue local. Pequenas distrações não relacionadas ao nosso objetivo final tem uma enorme capacidade de nos distrair e tirar o plano dos trilhos.

E, mais do que isso, o filme destaca como King Richard era um ser humano imperfeito, com seus defeitos e atitudes questionáveis. Inclusive, vários pontos descritos na biografia foram omitidos no filme, dando mais espaço para a relação do pai com as filhas, e os desafios enfrentados até o início da carreira profissional das duas tenistas americanas.

Na história de grandes empreendedores, é quase impossível encontrar alguma biografia na qual não haja erros no meio do caminho. A diferença entre os que prosseguiram e os que sumiram é a resiliência em permanecer com seu objetivo mesmo com opiniões contrárias, com quase todo mundo dizendo ‘que não ia dar em nada’.

Mesmo para quem não gosta de tênis, o filme é um prato cheio. Aliás, apenas uma partida é mostrada ao longo de todo o filme, pois a história foca muito nas relações entre Richard e suas filhas e a busca incessante pelo objetivo de fazê-las as melhores do mundo na modalidade. O resto é história.

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