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iShares S&P Global Clean Energy – Conheça melhor o promissor mercado de energia renovável

Tempo de leitura: 6 minutos

É inegável que o mundo trilha, cada vez mais, em direção à mutação de sua matriz energética, preferindo a instalação e manutenção de formas verdes para a produção e distribuição de energia. Afinal, o aquecimento global e todos os riscos a ele associados ficam cada vez mais em evidência, e diversos governos ao redor do mundo – incluindo nomes de peso como EUA e China – já se comprometeram a tomar medidas concretas e drásticas para coibir a crise climática em curso. Não é à toa que, em 2019 com relação a 2018, o mundo expandiu a geração de energia eólica e solar em, respectivamente, 12,14% e 23,79% (Our World In Data). No que segue, citamos algumas das razões pela qual o setor global de energia limpa tende a apresentar uma tendência positiva.

O Acordo de Paris, iniciado em 2016 e que contou com a adesão de 175 países mais a União Europeia, é uma das principais razões para crer que a indústria de energia renovável tem muito a ganhar com os anos que seguem. Nele, os países que aderiram ao acordo se comprometeram a, conjuntamente, manter, por meio da expansão dos investimentos em formas de energia não poluentes, a temperatura do globo abaixo de 2 graus celsius, especificamente, em 1,5 até 2100.

Embora o cumprimento das metas siga lento, algum progresso foi feito. Antes do acordo, estimava-se (Climate Action Tracker) que a temperatura global aumentaria em 3,5 graus celsius até 2100. Com o acordo, esta estimativa, feita pelo mesmo grupo, caiu para 2,9 – patamar ainda elevado em relação à meta de 2,5, mas consideravelmente abaixo da expectativa pré-acordo.

A melhora está associada, de acordo com Bill Hare, físico e CEO da Climate Analytics, ao barateamento dos custos associados à energia renovável, assim como ao ambiente político global mais propenso à regulação da emissão de gases estufa. Na Europa, por exemplo, emissões caíram 23% abaixo do nível de 1990 em 2018. No ano passado, líderes do bloco acordaram um plano para levar este número para casa das 55% até 2030. Isto, obviamente, irá requerer massivos investimentos em formas de energia renovável, além da contínua presença de marcos regulatórios que inibiam a emissão de gases estufa.

A ING, uma casa de pesquisa econômica e financeira, estima que em 2021 os mercados europeus de energia eólica e solar devem crescer, respectivamente, 8% e 13%, com investimento projetado de EUR$ 60 bilhões. Vale salientar que, em relação à Europa, o ainda não implementando orçamento trilionário de reconstrução e o pacote bilionário de gastos prevê um investimento de EUR$ 373,9 bilhões em medidas direcionadas aos recursos naturais e ao ambiente. Ou seja, uma parcela relevante dos recursos visa sustentar a criação e manutenção de fontes de energia renovável, tornado um clima uma importante peça do próprio processo de recuperação econômica.  

Nos EUA, Joe Biden, cujo clima está no centro de suas ambições econômicas, também cria condições mais propícias para o avanço do setor de energia renovável nos EUA. Biden detalhou no início de seu mandato os principais pontos de sua agenda ambiental:

  • Reversão de medidas de Trump, com medidas agressivas para conter o avanço da poluição derivada do setor de óleo e gás;
  • Trabalhar com o Congresso para garantir que, ao final do mandato, os EUA estejam no caminho de ser um emissor líquido zerado de poluentes;
  • Utilização da força política para influenciar a política ambiental de outros países;
  • Investimento massivo de US$ 400bi em 10 anos em energia renovável, inovação, baterias e veículos elétricos;
  • Acelerar a implementação de tecnologia verde ao redor do país;
  • Colocar a justiça ambiental como prioridade para todas as agências federais;
  • Criação de 10 milhões de empregos ligados à renovação verde da infraestrutura do país.

Claro, a ambição é muito diferente do fazer político e, em um país como os EUA, onde o setor de óleo e gás exerce forte influência sobre a esfera pública, materializar tais ambições parece ser um feito Herculano. Ainda que isto seja verdade, compreendemos que existe apelo dentro do Congresso – principalmente entre os democratas – para levar a frente esta agenda. Devido à maioria democrata na Câmara e no Senado, entendemos que a agenda ambiental tenderá a ganhar maior atenção do que em outros momentos da história do país. Não se espera uma revolução verde da economia americana, mas também não existe a expectativa de avanço praticamente nulo, como foi feito durante a era Trump.

Já a China se comprometeu a reforçar ainda mais as medidas de combate à crise climática. Em setembro do ano passado, Xi Jinping, premiê, anunciou que o país reforçaria as metas climáticas para 2030.

A China é o país que mais consome energia elétrica (24% da produção global, segundo a BP), por conta de seu rápido crescimento populacional e econômico, além de sua intensa atividade industrial. Desde 2011, foi a nação que mais utilizou carvão, fazendo com que fosse responsável por, aproximadamente, um quarto das emissões mundiais de gases estufa.

Por outro lado, os investimentos em energia renovável colocam a China em destaque, já que, por exemplo, investiu 0,9% do seu PIB no setor, em 2015. Além disso, o país é o maior produtor de energia eólica, produzindo duas vezes mais que os EUA – o segundo colocado -, e detém um terço da capacidade instalada global de energia solar.

Porém, de acordo com os dados de 2019, apenas 23% do consumo de energia na China era proveniente de fontes renováveis, enquanto 58%, de carvão, uma das opções mais poluentes de todas. Assim, a nação ainda depende majoritariamente da matriz fóssil, para gerar a sua energia, mas entende que avanços contínuos ainda são necessários.

Devido a essa dependência dos combustíveis fósseis e alguns problemas causados por eles, como o aumento da poluição nas grandes cidades chinesas, o governo passou a desenvolver um plano para viabilizar as fontes alternativas de energia.

Consequentemente, em 2016, o Partido Comunista Chinês planejou, em 13º plano de cinco anos para a energia, aumentar a sua produção não-fóssil de energia elétrica para 39%, até 2020. Além disso, a Administração Nacional de Energia chinesa e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma planejavam gastar mais de US$360 bi no desenvolvimento de energias renováveis, e criar 13 milhões de empregos no setor, até o ano passado.

Para isso, algumas medidas já foram tomadas, como: investimento de US$3,2 bi em linhas de transmissão para energia solar e eólica, que não eram bem distribuídas pelo país; início, em 2017, de um plano nacional para desenvolver tecnologias de baterias, como a de lítio-íon, com o intuito de melhorar o armazenamento da energia renovável e a implementação de financiamentos para cientistas desenvolverem a energia limpa e subsídios na produção de energias eólicas e solares.

Em suma, o quadro geral para o mercado de energia renovável parece ser bastante promissor, pois aparentar contar com o comprometimento efetivo dos principais players globais. É nítido que muitos estão ligando o processo de recuperação econômica à reformulação da matriz energética, dando uma guinda em direção ao inevitável avanço de um mundo mais ambientalmente responsável.

Fontes:
https://think.ing.com/uploads/reports/Energy_Outlook_Jan_2021_%28RB%29.pdf
https://joebiden.com/9-key-elements-of-joe-bidens-plan-for-a-clean-energy-revolution/
https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/en/IP_20_2469
https://climateactiontracker.org/countries/china/
https://ourworldindata.org/renewable-energy
https://e360.yale.edu/features/why-chinas-renewable-energy-transition-is-losing-momentum
https://www.nature.com/articles/d41586-020-02464-5
https://www.csis.org/east-green-chinas-global-leadership-renewable-energy#:~:text=China%20is%20already%20leading%20in,outbound%20investor%20in%20renewable%20energy.&text=Four%20of%20the%20world’s%20five,by%20Chinese%20companies%20in%202016.
https://www.iea.org/data-and-statistics?country=CHINAREG&fuel=Energy%20consumption&indicator=TFCbySource

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