6 investimentos que valorizam com a alta da Selic

Tempo de leitura: 8 minutos

O Brasil vive um novo ciclo de alta de juros. Após a última elevação da taxa Selic para 5,25% ao ano, o Banco Central mostrou que o país passa pelo maior aperto monetário desde 2003.

O cenário atual favorece os investimentos em renda fixa que voltam a ter retornos mais atrativos e chamam a atenção dos brasileiros, em especial dos investidores conservadores.

Continue a leitura deste material e saiba quais as aplicações financeiras se beneficiam desse movimento de alta dos juros.

Confira o que veremos neste artigo:
Relembre o que é a Taxa Selic e o seu comportamento nos últimos anos
Qual é a influência da Selic na renda fixa?
Como investir com a alta da Selic?
Como fica a poupança com a alta da Selic?
E as aplicações na renda variável?
Considerações

Relembre o que é a Taxa Selic e o seu comportamento nos últimos anos

A Selic equivale a taxa básica de juros do Brasil e serve como referência em diversas operações no mercado financeiro, como empréstimos, financiamentos e investimentos.

Seu nome foi inspirado no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), local em que são registrados os empréstimos diários entre instituições financeiras que utilizam os títulos do tesouro como garantia.

A taxa Selic é uma ferramenta de política monetária utilizada para conter a inflação. A cada 45 dias, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) se reúne para definir qual será a taxa de juros brasileira. Logo, a Selic representa a taxa curta da curva de juros.

Infográfico como funciona na prática. Quando sobe os juros cobrados nos financiamentos, empréstimos e cartões de crédito ficam mais altos. Isso desestimula o consumo e favorece a queda da inflação. Quando cai a taxa Selic. Tomar dinheiro emprestado fica mais barato, já que os juros dessas operações ficam menores. Isso estimula o consumo.
Fonte: Banco Central

Em outubro de 2016, essa taxa era cotada a 14,25% ao ano. Desde então o país passou por um cenário de juros baixos chegando a atingir em agosto de 2021 a taxa de 2,0% ao ano.

Hoje, o Brasil está diante de um cenário de aperto monetário, em que o aumento dos juros se faz necessário para conter a inflação e depreciação do câmbio.

Qual a influência da Selic na renda fixa?

As aplicações em renda fixa normalmente tem o seu desempenho atrelado ao CDI e, consequentemente, à Selic. Isso explica esses ativos serem sensíveis às variações da taxa de juros.

Infográfico dos efeitos de mudanças na Selic. Quando o Banco Central altera a meta para a Taxa Selic, a rentabilidade dos títulos indexados a ela também se altera e, com isso, o custo de captação dos bancos muda. Uma redução da taxa selic, por exemplos, diminui o custo de captação dos bancos, que tendem a emprestar com juros menores.
Fonte: Banco Central

Os investimentos de renda fixa se diferenciam pela forma de remuneração e podem ser prefixados, pós-fixados ou híbridos.

Isso significa que a taxa de retorno pode ser definida no momento da aplicação (títulos prefixados), apenas no vencimento (pós-fixados) ou ainda mesclar as duas formas de remuneração (híbrido).Quando a taxa selic sobe, os títulos prefixados tornam-se menos interessantes. Já aqueles com remuneração pós-fixada conseguem acompanhar e se beneficiar dos movimentos de alta Selic.

Como investir com a alta da Selic?

Para lucrar com esse cenário de elevação dos juros, confira abaixo algumas possibilidades disponíveis no mercado acessíveis a todos os perfis de investidores:

1.    Tesouro Direto

O Tesouro Selic representa uma excelente alternativa para aqueles que querem surfar a alta dos juros brasileiros.

Como é um título público pós-fixado, ele consegue capturar os movimentos da Selic, além de ser uma ótima opção para o curtíssimo prazo, dada sua liquidez diária.

O Tesouro IPCA, por outro lado, pode ser utilizado para proteger o patrimônio. Ele é um título atrelado à inflação e como possui uma parcela “pré”, é possível que ele sofra com a marcação a mercado e tenha alta volatilidade.

Lembre-se: se o seu objetivo for permanecer com o título até o vencimento, não há necessidade de preocupação com a taxa de juros. Porém, no curto prazo, o governo pode emitir títulos com taxas de retorno mais atrativas e isso pode impactar a rentabilidade daqueles que já existem.

Isso explica porque os títulos públicos pós-fixados são os mais recomendados para preservação de capital em cenários de estímulo monetário como o que presenciamos.

2.    CDB

O Certificado de Depósito Bancário ou CDB é um título emitido por bancos para captar recursos para suas operações de crédito. Eles possuem diferentes formas de remuneração e podem ser utilizados tanto como reserva de curto prazo ou para horizontes mais longos.

Assim como a poupança, o CDB conta com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que assegura uma cobertura de até R$250 mil por CPF e instituição ou conglomerado financeiro, em caso de insolvência do emissor do título.

3.    CRA e CRI

Os Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRA) e Imobiliários (CRI) são títulos emitidos por securitizadoras para financiar os setores do agronegócio e imobiliário. Esses ativos, quando pós-fixados, beneficiam-se da alta dos juros.

Como maior exposição ao risco de crédito, em alguns casos, eles oferecem maior rentabilidade e podem ser destinados apenas a investidores qualificados.

Vale lembrar que os CRAs e CRIs não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito, porém são isentos de imposto de renda para pessoa física.

4.    LCI e LCA

As Letras de Crédito Imobiliárias e do Agronegócio são títulos emitidos por bancos para captação de recursos destinados a financiar o mercado imobiliário e o agronegócio.

Em geral, elas têm taxa de retorno pós-fixada e apresentam melhor performance nos momentos em que os juros brasileiros estão em alta. Esses títulos contam com a isenção fiscal para investidores pessoa física e garantia do FGC.

Um ponto de atenção dessa classe de investimentos está na baixa liquidez, uma vez que além do prazo de vencimento do título há a carência de 90 dias corridos determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

5.    Debêntures

As debêntures são títulos de dívida privada a fim de captar recursos para investir ou pagar dívidas. Em alguns casos, elas podem ser incentivadas, ou seja, livres de imposto de renda.

Esses ativos costumam ter vencimentos longos sendo destinados a investidores que buscam retorno no médio a longo prazo. As debêntures são uma opção para aqueles que aceitam mais risco em troca de maior retorno.

6.    Fundos de investimento

Os últimos anos foram desafiadores para os fundos de renda fixa. O baixo desempenho do CDI no período somado aos custos operacionais necessários para manter a estrutura dos fundos refletiu na rentabilidade e reduziu a atratividade desta classe de ativos.

Agora, com os juros em alta e prêmio de risco mais interessante, esses ativos têm se beneficiado e voltam a ganhar espaço.

Os fundos de crédito privado são excelentes opções para diversificação das carteiras. No entanto, é importante ficar atento à qualidade do crédito dos ativos utilizados.

Como fica a poupança com a alta da Selic?

Além das classes de ativos apresentadas, a poupança é outra modalidade de investimento cuja rentabilidade é atrelada à Selic.

Em cenários de juros acima de 8,5% ao ano, seu rendimento é de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Do contrário, ou seja, o retorno é de 70% da Selic mais TR.

Essa regra entrou em vigor em maio de 2012, quando o governo mudou as regras de cálculo de juros da poupança. Antes, o rendimento da poupança era corrigido em 0,5% ao mês acrescido da TR.

Sendo assim, cenários de alta de juros são favoráveis para o desempenho da poupança. No momento, seu ganho real ainda está negativo. Isso significa que seu rendimento é inferior à inflação e incapaz de preservar o poder de compra do dinheiro.

E as aplicações na renda variável?

Embora o cenário seja favorável ao crescimento dos juros brasileiros, isso não significa que os investimentos na bolsa de valores deixaram de ser interessantes.

O mercado de ações oferece inúmeras oportunidades, sobretudo para aqueles que buscam retorno no longo prazo. Sem contar que é possível aplicar em renda variável através dos fundos de ações e contar com a gestão de profissionais qualificados.

É comum que os investidores fiquem preocupados com o impacto da alta dos juros no desempenho dos fundos imobiliários. No entanto, é importante reforçar que a selic influencia, porém não determina a valorização ou não dos FIIs.

As variações nas cotas dos fundos imobiliários são definidas pelas taxas de juros longas, que representam a economia, níveis de inflação e o risco fiscal do país.

Portanto, o ideal é prezar por uma carteira de investimentos diversificada, capaz de se beneficiar de diferentes cenários.

Considerações

O cenário brasileiro exige cuidado! Além das questões políticas e fiscais que impactam a economia, recentemente o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, anunciou que deve lançar a maior operação de crédito do Brasil.

Caso isso se consolide, há grandes chances do Banco Central ter que aumentar os estímulos monetários para controlar a inflação, o que pode resultar em uma Selic de duas casas decimais. Isso provavelmente exigirá uma reconfiguração dos investimentos.

Portanto, fique atento às mudanças! Na dúvida, procure um assessor de investimentos da Guide para auxiliá-lo na escolha dos melhores investimentos com base em seus objetivos, necessidades e perfil de investidor. 

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