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Joel Greenblatt e o Investimento em Spin-offs

25 de agosto de 2021
Escrito por Suno Research
Tempo de leitura: 4 min
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Ilustração de uma tesoura cortando e desmembrando rementendo ao termo spin-of que significa desmembramento de empresas no mercado de ações
Tempo de leitura: 4 min

O investimento em spin-offs é algo recorrentemente citado pelos ícones do value investing, como o investidor Joel Greenblatt, fundador da gestora de ativos Gotham. Em seu livro “You Can Be a Stock Market Genius”, Joel dedica uma importante parte para comentar sobre o investimento em spin-offs. Neste artigo, abordaremos sobre o que é uma spin-off e alguns comentários de Greenblatt sobre esse assunto.

Spin-off

         Esse termo é utilizado para caracterizar o nascimento de uma empresa independente, que surge a partir do desmembramento de uma “empresa mãe”. Geralmente, um spin-off ocorre quando uma companhia possui uma subsidiária que atua em outra linha de negócio ou atende um nicho específico de mercado.

         Dessa forma, o intuito é que essa empresa acabe tendo mais independência, com uma equipe de gestão própria, para que consiga se desenvolver mais intensamente. Por conta de passar a obter um corpo técnico, que será incumbido de gerir somente aquele negócio, a empresa desmembrada consegue ter um maior foco em redução de custos e em otimização da sua operação, em geral.

         Outro motivo para um spin-off ocorrer, quando a “empresa mãe” possui capital aberto, é que se costuma precificar de uma maneira melhor a operação como um todo, com uma elevação do valor de mercado da “empresa mãe”.

         Por fim, os value investors possuem certo apreço pelo investimento em ocasiões de spin-offs, pois, como são operações complexas, muitas vezes o mercado demora para precificar corretamente as empresas e, assim, surgem oportunidades.

         Quando ocorre um spin-off em uma companhia já listada, os atuais acionistas dessa companhia recebem ações da empresa desmembrada, em geral, de maneira proporcional em relação à participação na “companhia mãe”. Muitos investidores acabam vendendo as ações recebidas nesse tipo de operação, por não entenderem o negócio ou pelo baixo volume de negociação nessa nova empresa, o que afasta investidores institucionais, que gerem uma elevada quantia de recursos. Esses são alguns dos motivos para o surgimento de oportunidades, como comentado previamente.

A Visão de Joel Greenblatt

         Em seu livro, citado anteriormente, Greenblatt comenta sobre três pontos que analisa em uma empresa que é desmembrada:

1 – Institucionais não o querem (por motivos que não sejam aspectos de fundamentos);

2 – Insiders (nesse caso, principalmente os executivos da nova empresa) o querem;

3 – Revelação ou criação de uma oportunidade de investimento que estava escondida.

         O primeiro ponto já foi comentado, mas o segundo é muito importante, pois demonstra uma confiança e “pele em jogo” dos executivos da nova empresa, já que passam a obter ações dessa companhia. Assim, haverá um grande alinhamento do corpo de administração com os acionistas minoritários. Já o terceiro ponto ressalta que, dependendo da reorganização da companhia, pode surgir alguma oportunidade que antes não era facilmente vista. No livro, Joel comenta sobre o caso do spin-off da Marriott Corporation, que pode elucidar esse terceiro ponto:

              “Durante a década de 1980, a Marriott Corporation expandiu agressivamente seu império, construindo muitos hotéis. No entanto, a nata de seu negócio não era possuir hotéis, mas cobrar taxas de administração para gerenciar hotéis de propriedade de outros. Sua estratégia, que tinha sido amplamente bem-sucedida, era construir hotéis, vendê-los, mas manter os lucrativos contratos de gestão para esses mesmos hotéis. Quando tudo no mercado imobiliário complicou, no início dos anos 1990, Marriott ficou presa com uma carga de hotéis, que apresentavam dificuldades para serem vendidos, e sobrecarregada com os bilhões em dívidas que tinha assumido para construir os hotéis.”

         Dessa forma, a solução encontrada para a empresa foi dividir a companhia em dois negócios: um que ficaria com os hotéis e as dívidas e outro com o lucrativo negócio de gestão de hotéis. Assim, os investidores acabaram não olhando para o primeiro negócio, já que ficaria com a parte ruim da Marriott. Entretanto, os insiders possuíam participação e os institucionais não o queriam, por apresentar um valor de mercado considerado baixo.

         A ação acabou sendo ofertada por um preço bastante interessante, o que chamou a atenção de Greenblatt. O investimento acabou apresentando um retorno tremendo, triplicando seu preço inicial em quatro meses. Dessa maneira, é possível observar, de fato, as oportunidades que surgem com spin-offs, mesmo que não sejam tão óbvias.

Conclusão

         Portanto, com este artigo, foi possível observar alguns dos motivos para um spin-off ser realizado, além de pontos que um dos expoentes do value investing observa nesse evento corporativo e um caso prático. Espera-se que o texto tenha aberto os olhos do leitor a essa possível oportunidade de investimento, que não é corriqueiramente comentada.

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