Inteligência Artificial: transformando o mundo na velocidade de uma epidemia

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Desde janeiro o mundo inteiro mantém-se alerta com as notícias provenientes da China, por um motivo que não tem nada a ver com a extraordinária pujança econômica chinesa ou pelo prelúdio de alguma guerra comercial iminente, mas sim ao surgimento de uma doença provocada pelo novo coronavírus. A nova enfermidade se espalhou rapidamente e se tornou em epidemia no território chinês, tendo surgido na região chinesa de Wuhan e, em questão de poucos dias, espalhou-se para outros países, como Estados Unidos, Japão, Coréia do Sul, Austrália, entre outros.

A velocidade de contágio do coronavírus foi tamanha que surpreendeu a todos, de autoridades chinesas a entidades internacionais de saúde, exceção feita a uma tecnologia que vem transformando o mundo na velocidade de uma epidemia: a inteligência artificial (IA). Uma semana antes de qualquer pronunciamento oficial da Organização Mundial de Saúde (OMS), um sistema de IA já havia emitido um alerta sobre a possível disseminação do coronavírus. Foi um algoritmo da BlueDot, empresa do ramo de tecnologia da saúde, que emitiu um alerta para organizações de saúde e companhias aéreas em 31/12/2019.

A tecnologia da Bluedot funciona a partir de machine learning e algoritmos de previsão, realizando o mapeamento de notícias com base em centenas de fontes internacionais em sessenta e cinco idiomas. A tecnologia também faz o rastreamento de redes de pesquisas em saúde, de dados provenientes de companhias aéreas, de comunicados oficiais feitos por empresas ligadas ao agronegócio e de fóruns de discussão sobre diferentes temas. Com esse enorme banco de dados, a BlueDot compila alertas acerca de possíveis áreas de risco para o surgimento de doenças, a exemplo do que foi realizado no caso do coronavírus.

A tecnologia da Bluedot, além de ter previsto a região de Wuhan como o epicentro da epidemia, também previu os países em que o coronavírus se espalharia. Cidades fora da China, como Seul, Taipei, Tóquio e Bangkok foram identificadas como locais prováveis de foco do coronavírus. Posteriormente essa informação seria confirmada, e, o que antes era apenas um alerta emitido por um código de machine learning, tornou-se uma realidade concreta.

Isso demonstra toda a força transformadora da IA, que se no início ficava restrita a decisões acerca de questões financeira, agora atua nos mais diversos – e inimagináveis – segmentos, como o jurídico, o esportivo, o educacional e, claro, o de saúde. Mas essa utilização da IA em diferentes campos não é uma exclusividade chinesa, dado que tem sido explorada também em outros países, inclusive no Brasil. Empresas e universidades brasileiras têm utilizado todo o poder preditivo da IA, como o uso de machine learning para prever o provável tempo de vida de um indivíduo.

Apesar do rápido alerta da tecnologia da Bluedot e de, posteriormente, todo o esforço de contingenciamento do governo chinês – para evitar a “exportação” do coronavírus – e de vários outros países – para impedir a “importação” do coronavírus -, a doença ainda continua se espalhando de maneira rápida por todo o mundo, a cada dia chegando em novos países. Entretanto, a velocidade de transformação e “contágio” da IA é maior, com potencialidades que ainda nem mesmo foram exploradas em sua totalidade.

Até que ponto o coronavírus irá chegar? É extremamente provável que algum código de machine learning já tenha feito alguma previsão, antes mesmo dessa pergunta ter sido feita e, talvez, até mesmo antes da existência do próprio coronavírus. A IA é uma epidemia que, como praticamente qualquer outra coisa, apenas a própria IA poderá prever.

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