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Índice de Treynor: descubra qual retorno da sua carteira com esse índice!

Tempo de leitura: 10 minutos

Um dos principais objetivos dos investidores é construir patrimônio. Nesse sentido, a rentabilidade da carteira é um dos critérios que devem ser analisados, pois acelera o alcance desse objetivo. Para avaliar esse fator, é possível utilizar indicadores, como o índice de Treynor.

Esse indicador financeiro ajuda a entender a relação entre risco e retorno da sua carteira. Ainda, é bastante utilizado para avaliar o desempenho do portfólio de fundos de investimento. Portanto, é uma ferramenta importante para embasar a tomada de decisão dos investidores;

Neste artigo, você conhecerá o índice de Treynor e entenderá como calcular o retorno da sua carteira de investimentos. Continue a leitura e confira!

O que é e como funciona o índice de Treynor?

O mercado financeiro conta com diversos indicadores que podem ajudar os investidores a tomarem decisões mais embasadas e acertadas. Logo, saber analisá-los é fundamental para montar uma carteira diversificada, mais segura e rentável.

Por isso, os investidores podem considerar parâmetros variados. Por exemplo, o índice de Treynor é o indicador que ajuda a mensurar a relação entre risco e retorno nos investimentos. Ele tem o objetivo de medir se os ativos mais arriscados possuem um retorno que justifique o maior risco.

Assim, o índice de Treynor é uma importante ferramenta de análise de carteiras e fundos de investimento. Ele considera os riscos sistêmicos e individuais dos ativos que compõem o portfólio para avaliar a sua performance geral.

Na prática, o índice de Treynor funciona por meio de um cálculo que considera o retorno da carteira analisada, o retorno da taxa livre de risco e o risco sistêmico.

Como calcular o índice de Treynor?

Como você viu, o índice de Treynor calcula o retorno de uma carteira em relação ao risco sistêmico. Para isso, utiliza-se a seguinte fórmula:

IT = (RA – Rf) / βA

Nesse caso, IT significa índice de Treynor, RA é o retorno do portfólio analisado, Rf é a taxa de retorno do ativo livre de risco e βA significa a medida do risco sistêmico (beta). Para compreender melhor, é essencial saber o que cada elemento da fórmula indica.

Confira:

Índice de Treynor

É o índice que será calculado e utilizado para analisar seu portfólio ou comparar fundos de investimento, por exemplo.

Retorno da carteira

O próximo componente da equação é o retorno da carteira que, vale lembrar, pode ser de um fundo de investimento. Ele é representado pelo número absoluto do rendimento do portfólio como um todo.

Em geral, as carteiras de investimento são compostas por diversos ativos que apresentam retornos distintos. Por esse motivo, é importante considerar cada retorno de acordo com a sua participação no portfólio. Isso permite chegar ao retorno médio.

Para entender melhor, imagine que a sua carteira de investimentos seja composta por ações da Vale, Itaú, Petrobras, Bradesco e B3 (a bolsa de valores brasileira) — empresas que compõem o Índice Bovespa. Ainda, suponha que esta é a proporção de ativos do seu portfólio:

  • 35% Vale;
  • 15% Itaú;
  • 15% Petrobras;
  • 25% Bradesco;
  • 10% B3.

Agora, é necessário conhecer o retorno que cada uma dessas ações teve no período. Para o cálculo, imagine que Vale tenha tido o retorno de 10% no ano, Itaú 5%, Petrobras 8%, Bradesco 5% e B3 15%.

Para obter o retorno global da sua carteira de investimentos, é necessário calcular quanto cada ativo contribuiu para o desempenho geral. Para isso, basta multiplicar a proporção de cada ação pelo retorno observado.

Ou seja, Vale contribui com 3,5% (0,35 x 0,10), Itaú com 0,75% (0,15 x 0,05), Petrobras com 1,2% (0,15 x 0,08), Bradesco com 1,25% (0,25 x 0,05) e B3 com 1,5% (0,10 x 0,15). Portanto, a carteira analisada teria um retorno de 8,2%.

Taxa de livre de risco

O retorno da taxa livre de risco é representado pelo investimento de menor risco disponível no mercado. É necessário entender que existem diferentes tipos de riscos, sendo eles o de mercado, de liquidez e de crédito.

O risco de mercado normalmente está associado à volatilidade de um investimento. Ou seja, à oscilação de preço em um determinado período. Por esse motivo, saiba que, quanto mais volátil o ativo é, mais arriscado ele tende a ser.

Já o risco de crédito está mais presente na renda fixa. Ele está ligado à possibilidade de o investidor não receber o pagamento devido pelo emissor de um título. Os motivos que levam a esse problema são vários, como dificuldades financeiras da empresa ou instituição emissora.

Por fim, existe o risco de liquidez. Ele se refere à maior dificuldade para se desfazer de uma aplicação ou ativo financeiro, transformando o valor aportado em dinheiro. Afinal, se você precisar resgatar o montante e não puder, estará em risco.

Também é importante ressaltar que não existe um investimento que cumpra de forma perfeita todas as condições para ser considerado uma alternativa livre de risco. No entanto, existem boas aproximações.

No mercado brasileiro, uma alternativa equivalente e muito utilizada é o Tesouro Selic. Esse é um título público cuja rentabilidade segue a taxa Selic, ou seja, a taxa básica de juros brasileira. Além disso, é garantido pelo Tesouro Nacional e tem liquidez diária.

Beta

O beta, por sua vez, é uma medida de risco em relação à carteira de mercado. Quando se trata do risco de maneira geral, existem duas grandes divisões: o sistêmico e o não sistêmico.

Nesse sentido, é importante pensar em fatores de dimensão macroeconômica. O risco sistêmico, por exemplo, afeta todos os tipos de investimentos. Afinal, as oscilações do mercado impactam diretamente todos os ativos, afetando a rentabilidade.

De forma geral, esse tipo de risco pode estar relacionado às reações da economia diante de grandes acontecimentos. Aqui, se destacam as políticas monetárias, crises econômicas, variações do câmbio etc.

Já o risco não sistêmico tem relação com o desempenho de um determinado setor econômico ou de uma empresa. A variação do preço do petróleo, por exemplo, impacta mais uma companhia petrolífera do que uma instituição financeira.

Beta igual a 1

Dessa maneira, um beta igual a 1 indica que um determinado ativo, ou uma carteira de investimentos, oscila de forma exatamente igual ao seu benchmark. Para o investimento em ações, considera-se que o portfólio de mercado é o índice Bovespa.

Sua medida de beta, então, é igual a 1. Logo, se uma carteira de ações tem beta igual a 1,10, por exemplo, significa que ela oscila 10% a mais que o Ibovespa. De maneira simplificada, seria possível dizer que ela é 10% mais arriscada que a carteira de mercado.

Beta menor que 1

Por outro lado, se o beta de um ativo é igual a 0,80, significa que ele oscila 20% menos do que a carteira de mercado. Por esse motivo, é considerado mais seguro. Investimentos com beta maior que 1, em épocas de alta da bolsa, tendem a subir mais que o mercado como um todo.

Em compensação, quando a bolsa está em queda, esses também são os ativos que mais caem. O inverso ocorre no caso dos ativos com beta menor que 1. Se a bolsa sobe, eles valorizam menos que o mercado. Contudo, se a bolsa tem uma queda, eles caem menos que as demais ações.

Beta igual a zero

Por fim, se o beta for igual a zero, significa que o ativo está descorrelacionado ao seu principal indicador de referência. Ou seja, o comportamento do mercado não tem influência no comportamento do ativo ou carteira avaliada.

Exemplo prático

Após saber mais sobre a fórmula utilizada para calcular o índice de Treynor e o que significa cada um dos seus elementos, vale conferir um exemplo prático. Pense que você deseja avaliar um fundo de investimento e encontrou uma alternativa que alcançou retorno de 15% no ano.

Depois, considere que a taxa livre de risco (a Selic), foi de 5% e que o beta seja de 0,90. Com esses dados, o cálculo é dado por:

IT = (0,15 – 0,05) / 0,90

IT = 0,11

Ao multiplicar o resultado por 100, temos que o índice de Treynor para esse fundo de investimento é de 11%. Isso significa que o fundo teve uma eficiência de 11%, ou seja, considerando o risco sistêmico, esse foi o retorno obtido pela modalidade.

Também é possível utilizar o indicador quando você deseja fazer a comparação entre fundos de investimento. Assim, se você pretende alocar seus recursos nesses veículos, calcular o índice de Treynor pode ser interessante.

Qual a importância de calcular esse índice?

Embora não seja o único aspecto a analisar na hora de investir, saber calcular o índice de Treynor é fundamental para ter uma carteira com um retorno atrativo. Nessa situação, o indicador permite analisar qual investimento traz mais retornos considerando os riscos envolvidos.

Isso possibilita ao investidor identificar quais ativos são mais eficientes e como deve ser a diversificação dos ativos na carteira ou no fundo de investimentos. Afinal, o portfólio pode ser composto por diversas alternativas com retornos variados.

Para realizar o cálculo do índice de Treynor, no entanto, é preciso entender o impacto de cada ativo na carteira. Isso permite chegar ao valor médio total. Ademais, o índice considera o risco sistêmico de todos os investimentos que compõem o portfólio.

Assim, ele mostra qual foi o retorno da carteira analisada, considerando a existência de um risco macroeconômico. Esse índice também é muito importante para os gestores de fundos. Com ele, você pode avaliar a performance da gestão.

Diante disso, ele se torna uma ferramenta bastante útil para os investidores, auxiliando na tomada de decisão. Por exemplo, se você estiver em dúvida entre dois fundos de investimentos, pode aplicar esse índice para ajudar na escolha.

Após fazer o cálculo, suponha que o fundo 1 tem rentabilidade de 15%, enquanto o retorno do fundo 2 é de 12%. Somente analisando essa informação, é esperado que você opte por investir no fundo 1, certo? Agora, suponha que você tenha calculado o índice de Treynor para as duas alternativas.

O resultado para o fundo 1 foi de 5%, enquanto para o fundo 2 foi de 7%. Nesse caso, qual ativo você escolheria para compor a sua carteira? Pelo ponto do risco sistêmico, o fundo 2 teve melhor eficiência, mesmo obtendo um retorno menor em comparação ao fundo 1.

Quais outros indicadores são utilizados?

Além do índice de Treynor, existem outros indicadores que são utilizados para analisar a relação entre risco e retorno dos investimentos. Confira algumas opções:

Índice de Sharpe

O índice de Sharpe consiste em um cálculo utilizado para comparar o ganho de um investimento com um retorno livre de risco. A diferença é analisada em relação à volatilidade da carteira. Por isso, o indicador é útil para medir o desempenho diante dos riscos.

Vale destacar que o seu principal objetivo é ajudar o investidor a decidir se vale a pena assumir determinados riscos para obter um certo retorno. Para tanto, ele permite identificar se aceitar riscos maiores resultou em uma rentabilidade maior e equivalente.

Além disso, o índice de Sharpe é utilizado para comparar investimentos. Ao fazer a comparação do indicador de dois fundos de investimento com o mesmo retorno, por exemplo, é possível saber qual assumiu menos riscos.

Se a comparação for feita com dois investimentos com o mesmo nível de risco, há chances de entender qual teve o maior retorno e foi mais eficiente em gerar resultados.

Índice de Sortino

O índice de Sortino é outra ferramenta que permite aos investidores fazer um comparativo entre a rentabilidade e a volatilidade da sua carteira de investimentos, por exemplo. Esse indicador financeiro foi criado para analisar a rentabilidade de um ativo em relação ao seu risco.

Para isso, é utilizada uma métrica estabelecida previamente. Assim, é necessário usar o chamado desvio padrão dos retornos negativos do ativo. Vale destacar que esse cálculo tem como finalidade desconsiderar os desvios positivos, pois eles são interessantes para a carteira porque geram lucro.

Agora você sabe como calcular o retorno da sua carteira a partir do índice de Treynor. Contudo, cabe ressaltar que esse indicador é apenas uma das muitas ferramentas disponíveis para a análise de investimentos.

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