Poucos dão a devida importância ao tempo

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Recentemente foi lançado o livro “A psicologia financeira: lições atemporais sobre fortuna, ganância e felicidade”, do autor Morgan Housel. Ele foi colunista do Wall Street Journal e do The Motley Fool, e atualmente é sócio de um fundo de venture capital.

Em um dos capítulos do livro, o autor faz reflexões sobre como os seres humanos têm dificuldade de entender alguns fenômenos que nos ocorrem. Um desses fenômenos é a composição, de forma mais clara, o efeito dos juros compostos. Uma pequena base pode levar a resultados quase inacreditáveis no futuro. Dessa maneira, neste artigo traremos alguns pontos sobre esse tema.

Uma característica de Buffett que poucos consideram

Que Warren Buffett é um exímio investidor, com um track record invejável, não é novidade. Entretanto, algo que poucos comentam é que Buffett não seria Buffett se não tivesse começado a investir tão cedo.

No momento que Housel estava escrevendo o livro, o patrimônio de Buffett era de 84,5 bilhões de dólares (atualmente é maior do que isso). O ponto é que, desse total, 84,2 bilhões de dólares foram conquistados após o investidor completar 50 anos.

Buffett investe há aproximadamente 75 anos, com uma performance fenomenal. O tempo é um fator chave para ele ter chegado aonde chegou. Housel destaca que se o megainvestidor tivesse começado sua carreira com 30 anos e aposentado aos 60, ele não teria sido tão conhecido.

Além disso, o autor propõe um exercício: se considerássemos que o patrimônio de Buffett, aos 30 anos, fosse de 25 mil dólares, ao invés da quantia que ele realmente atingiu nessa idade, que foi de 1 milhão de dólares (aproximadamente 9,3 milhões corrigidos pela inflação), a rentabilidade fosse de 22% ao ano (a que ele alcançou em sua carreira) e se tivesse se aposentado aos 60, qual seria seu patrimônio final?

A incrível resposta é que ele chegaria aos 60 anos, nessas condições, com um patrimônio de 11,9 milhões de dólares, um valor 99,9% menor em relação ao patrimônio realmente alcançado por Buffett.

Podemos concluir que a habilidade de escolher atrativas oportunidades de investimento, pelo consagrado investidor, é inegável. Porém, grande parte do seu sucesso e do patrimônio construído é efeito do tempo.

Rentabilidade vs. Tempo

Outra questão bastante interessante abordada por Morgan Housel, que explicita a importância do quesito tempo, é a comparação da rentabilidade de Warren Buffett com a de Jim Simons.

Buffet é o investidor mais rico de todos os tempos, entretanto, mesmo com uma rentabilidade incrível ao longo de tantos anos, é superado por Jim Simon em relação à média dos retornos anuais. Jim, que comanda o fundo Renaissance Technologies, tem um retorno de aproximadamente 66% ao ano desde 1988. Buffet, como já mencionamos, possui um histórico de retornos anuais de aproximadamente 22% ao ano.

Apesar da taxa apresentada pelo fundo de Simons ser consideravelmente maior em relação à rentabilidade de Buffett, sua fortuna de cerca de 21 bilhões de dólares está bastante atrás do patrimônio atingido por Warren Buffett.

Isso é explicado, novamente, pelo tempo. Jim Simons só apresentou esse nível de retorno após ter 50 anos de idade. Se ele mantivesse esses retornos pelo mesmo tempo que Warren investe, aproximadamente 75 anos, seu patrimônio seria absurdo.

Pensamento Exponencial

Em geral, nós, seres humanos, temos dificuldade em pensar de maneira exponencial. É muito mais fácil, para nós, somar uma sequência de números em relação a multiplicar essa mesma sequência. O pensamento linear é bem mais intuitivo.

Vários acontecimentos na humanidade possuem caráter de evolução exponencial. Housel dá o exemplo da mudança na capacidade de armazenamento de discos rígidos de computadores. Em 1990, um computador comum possuía cerca de 256 megabytes. Já em 2019 tivemos discos rígidos de 100 terabytes, um acréscimo de 100 milhões de megabytes. De 1950 para 2019, o armazenamento se tornou 30 milhões de vezes maior, algo impensável, até para os mais otimistas.

É desafiador aceitar essa evolução impressionante que pode acontecer por consequência dos efeitos da composição. Nos investimentos, o que podemos fazer é confiar no poder do tempo.

Conclusão

Para se ter sucesso nos investimentos, é necessário ter paciência e sobreviver. Paciência para entender que os resultados, às vezes, demoram anos para aparecer, mas, como o efeito é exponencial, assim que o “bolo” aumenta, o efeito da composição faz com que o capital aumente cada vez mais rapidamente.

Em relação à sobrevivência, é preciso que o investidor mantenha seu capital investido, ou seja, não venha a falência e não acabe realizando o prejuízo em momentos de queda da bolsa, para que consiga desfrutar do efeito exponencial do longo prazo.

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