Ideias de Economistas que Mudaram o Pensamento Econômico – Parte 2

Tempo de leitura: 6 minutos

6. O Impacto das Instituições na Prosperidade – Daron Acemoglu

Para quem não o conhece – se é que isto é possível – guarde este nome, pois ele é um dos prováveis ganhadores do Prêmio Nobel em Economia em um futuro próximo. Acemoglu se propõe a responder uma das questões mais legais e antigas de economia: por que, afinal, alguns países prosperam e outros não dão certo?

Alguns sugerem que são os acessos à recursos naturais. Assim, o Brasil deveria ser mais rico, pois tem mais recursos naturais do que o Japão, por exemplo. Não é isso que vemos.

Outros sugerem que doenças tropicais têm forte impacto no crescimento econômico. Países tropicais como Venezuela seriam mais pobres do que países que não apresentam este tipo de doença, como a Dinamarca, por exemplo.
O professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e seu parceiro inseparável, James Robinson, vão na contramão e dizem que são as instituições que determinam as chances de um país prosperar. Os seus papers vão nessa linha e viraram um livro, intitulado “Por que as Nações Fracassam: As Origens do Poder, Prosperidade e Pobreza”.

Eles dizem que não adianta um país ter recursos naturais abundantes, clima favorável, ou uma população determinada a trabalhar duro, se não houver uma base que garanta a distribuição de poder político e oportunidades econômicas ao maior número possível de cidadãos (denominadas instituições “inclusivas”).

A Coréia do Sul é uma nação rica porque as instituições daquele país garantiram a propriedade privada e o estado de direito, o que gerava incentivos para os empresários investirem ao longo do tempo. Diferentemente da Coréia do Norte que – mesmo sendo muito semelhante aos seus vizinhos – não desenvolveu instituições que dessem essa mesma garantia. O resultado é a riqueza de um e o fracasso de outro.


7. O pai da análise das instituições – Douglas North

Na mesma linha institucionalista de Daron Acemoglu, mas alguns bons anos antes, temos Douglass North. Ganhador do Nobel em 1993 (ao lado do colega Robert William Fogel) por sua contribuição ao campo da história econômica, North foi pioneiro ao unir duas variáveis frequentemente negligenciadas ao estudar-se economia – e, mais especificamente, o desenvolvimento econômico de diferentes nações: as lições da história e a importância das instituições. E o mais legal? Ele fez isso aplicando métodos quantitativos, usando-os para explicar padrões e mudanças econômicas e institucionais.

Para North, instituições vão além de direitos de propriedade, que apesar de essenciais não são suficientes para explicar quão rico ou pobre um país é ou se tornou ao longo do tempo. Instituições são todas as formas de incentivos de uma economia, como por exemplo a estrutura legislativa e regulatória de um país ou mesmo aquelas informais, como costumes e cultura. Ao focar nisso tudo, North inovou ainda mais, trazendo a importância da ideologia na economia e mostrando que os agentes econômicos não são tão racionais assim.

Segundo North, eleitores no geral tem memória curta – ele só vai lembrar o que foi feito (de bom ou de ruim) antes da eleição ou logo depois. Assim, a importância de como é desenhado o sistema político e eleitoral de um país torna-se bem clara no que ele chamou de ciclos eleitorais – se as regras do jogo político permitem que um político mude tudo um mês ou depois antes da eleição (trocar o presidente do banco central por alguém que seja a favor de usar a taxa de juros para dar uma falsa sensação de riqueza no curto prazo), por exemplo, elas certamente terão um impacto negativo no desenvolvimento econômico do país no longo prazo. Em suma, instituições importam; e como elas mudam e evoluem ao longo do tempo igualmente.


8. A matemática do comportamento competitivo – A mente brilhante de John Nash

Nash criou uma solução para um problema de competição clássico. Qual a melhor jogada quando o adversário sabe que eu sei que ele sabe? Essa solução, quando possível, ficou amplamente conhecida como o equilíbrio de Nash.

O equilíbrio de Nash representa uma situação em que, em um jogo envolvendo dois ou mais jogadores, nenhum jogador tem a ganhar mudando sua estratégia unilateralmente.
Segundo este conceito, apesar de os participantes não cooperarem, é possível que a busca individual da melhor solução conduza o jogo a um resultado em que se verifique estabilidade, não havendo incentivo para que nenhum deles altere o seu comportamento.

Para melhor compreender esta definição, suponha que há um jogo com n participantes. No decorrer deste jogo, cada um dos participantes seleciona sua melhor estratégia, ou seja, aquela que lhe traz o maior benefício. Então, se cada jogador chegar à conclusão que ele não tem como melhorar sua estratégia dadas as estratégias escolhidas pelos seus adversários (estratégias dos adversários não podem ser alteradas), então as estratégias escolhidas pelos participantes deste jogo definem um “equilíbrio de Nash”.

Apesar de ser um matemática puro, Nash ganhou o prêmio Nobel de economia em 1994 e teve sua vida retratada no filme Uma Mente Brilhante.


9. Os mercados são realmente eficientes? Eugene Fama

Eugene Fama é um dos principais economistas financeiros, dedicou toda sua carreira a analisar o funcionamento dos mercados financeiros. Uma das grandes perguntas que o trabalho de Fama busca responder é se os preços dos ativos financeiros refletem toda a informação possível.

Em outras palavras, se o preço de uma ação já tem embutido o bom resultado que a empresa irá divulgar nas próximas semanas, então de nada adianta comprar a ação hoje para ganhar com essa informação. Para Fama os mercados rapidamente incorporam as expectativas e informações nos preços, o que torna os mercados eficientes.

A hipótese do mercado eficiente, que começa com a sua tese de doutoramento. Em um artigo influente da edição de maio de 1970 do Journal of Finance, Fama propõe dois conceitos essenciais que têm definido a conversa sobre a eficiência dos mercados desde então.
Fama ganhou o prêmio Nobel em 2013. Atualmente é professor da Booth Business School da Universidade de Chicago.


10. Quem ganha o que e quando? A economia das trocas

Alvin Roth é um dos principais estudiosos da área de Desenho de Mecanismos. Algumas transações econômicas não dependem apenas de preço, mas também de compatibilidade.
Como criar um sistema eficiente que aloque os recursos, de forma que os ofertantes e demandantes sejam perfeitos para si? Como em um transplante de órgãos.

Como combinar os diferentes jogadores da melhor maneira possível é um problema econômico chave. Lloyd estudou teoricamente diferentes métodos de correspondência e, a partir dos anos 80, Alvin Roth utilizou os resultados teóricos de Lloyd Shapley para explicar como os mercados funcionam na prática.

Através de estudos empíricos e experiências de laboratório, Alvin Roth demonstrou que a estabilidade era fundamental para métodos de correspondência bem-sucedidos. Roth também desenvolveu sistemas para combinar médicos com hospitais, escolares com escolas e doadores de órgãos com pacientes.
Alvin Roth ganhou o prêmio Nobel em 2012, atualmente é professor da Universidade de Stanford.

 

Se você não leu a parte 1 da nossa lista, acesse aqui.

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