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Ibovespa B3: o que é e qual sua importância para a economia

Tempo de leitura: 6 minutos

Quando falamos sobre investimentos em renda variável, é preciso que o investidor entenda como o mercado funciona, porque ele oscila, quais são seus riscos e, por fim, mas não menos importante, como o Ibovespa B3 se comporta.

Há mais de 50 anos vemos a mesma cena se repetir. Quando o mercado do dia fecha, todos querem saber a pontuação do Ibovespa B3, se ele subiu, se ele caiu, quantos pontos atingiu no pregão. É tradição.

Então, nada melhor do que começar explicando o que é o Ibovespa B3, quais empresas compõem esse índice e porque ele é o principal indicador do mercado de ações do país, um termômetro da saúde da nossa economia que influencia diretamente o dia a dia dos brasileiros.

Como nasceu o Ibovespa B3?

O Ibovespa B3 foi criado em 1967, mas começou a ser divulgado no pregão de 2 de janeiro de 1968, como parte de uma iniciativa da bolsa do Brasil de oferecer um instrumento mais técnico para avaliação do mercado financeiro do país. Antes, eram divulgadas apenas as cotações de cada ação.

Isso em uma época em que o sistema de pregões era do tipo corbeille, no qual os operadores se reúnem presencialmente em torno de um balcão circular. Não havia painéis eletrônicos para divulgar as cotações e tudo era feito manualmente, em uma grande lousa com giz.

Mas não demorou muito para ele se tornar uma referência para a avaliação de investidores de todo o mundo, ao mesmo tempo em que acompanhou as transformações econômicas vividas pelo país. E olha que legal, foi em março de 2019, que pela primeira vez o índice atingiu a histórica marca de 100 mil pontos.

Como o índice Ibovespa B3 é calculado e como funciona?

O Ibovespa B3 é formado pelas ações com maior volume negociado na bolsa. O valor representa a quantia, em moeda corrente, de uma carteira teórica de ações a partir de uma aplicação hipotética, atribuindo o valor-base de 100 a um lote-padrão de uma carteira. Cada ponto equivale a 1 real.

Se o índice fecha em 100 mil pontos, significa, hipoteticamente, que a cesta de ações de compõem essa carteira vale R$ 100 mil. E esse sobe e desce que acompanhamos diariamente reflete justamente a valorização ou desvalorização desse conjunto de ações. Em outras palavras, o índice espelha o comportamento dos investidores, nacionais e estrangeiros, em relação aos papéis mais negociados na B3.

Quais ações podem compor o Ibovespa B3?

Principal termômetro do desempenho médio das ações mais negociadas e mais representativas da Bolsa, o índice é composto pelos ativos que movimentam em torno de 80% do total diário negociado no pregão da bolsa brasileira. A porta de entrada, que vai definir se um papel será incluído ou não no índice é a liquidez, ou seja, a capacidade que esse ativo tem de ser comprado ou vendido rapidamente se transformando em dinheiro.

A cada quatro meses (janeiro, maio e setembro) a composição da carteira do Ibovespa B3 é revisada, com a possibilidade de entrada e saída de empresas do índice. A B3 divulga três prévias de como essa carteira está se formando: no primeiro pregão do último mês de vigência da carteira; no pregão seguinte ao dia 15 do último mês de vigência da carteira e no penúltimo pregão de vigência da carteira, para que gestores de fundos, por exemplo, consigam fazer os ajustes necessários no peso de cada papel para a composição desse indicador.

+ Conheça outros índices da B3

E para compor a carteira do Ibovespa B3, as companhias listadas precisam cumprir alguns requisitos como a negociabilidade da ação nos últimos 12 meses, o volume dos negócios, o número de pregões que a ação participou, além da ação não ser classificada como uma penny stock, que são as ações com valor abaixo de R$ 1,00.  

Hoje, a carteira vigente conta com 84 ativos de 81 empresas. Há empresas do setor financeiro, de bebidas e alimentos, do varejo, de infraestrutura, de bens de consumo, de minério e de outras commodities. Quando o Ibovespa B3 sobe, significa que as empresas que compõem o índice estão atraindo o interesse dos investidores e, com a demanda crescente, o valor de suas ações sobe, ou seja, valorizam. Essa valorização é medida em pontos.

E sabe por que é tão importante para uma empresa estar na carteira do Ibovespa B3? A empresa ganha visibilidade, com uma exposição diária em jornais e sites, e os investidores e gestores usam esse indicador como um referencial para formação de suas carteiras. 

Da tela de negociação para o nosso dia a dia

Como já explicamos, o Ibovespa B3 reflete o comportamento da economia e das empresas listadas conforme as condições de mercado (liquidez, juros, câmbio, valorização acumulada etc.) e o nível de confiança dos investidores, tanto no Brasil quanto em outros países.

Em momentos de euforia econômica e de confiança nas políticas econômicas, esse indicador tende a ter um desempenho positivo. Já momentos de incerteza econômica e política, como uma pandemia mundial, por exemplo, podem levar o índice a recuar. Isso só comprova como ele se transformou em um importante termômetro do comportamento dos investidores em ações. 

Como investir no Ibovespa B3?

Para investir em qualquer índice de qualquer bolsa de valores do mundo, é necessário que isso seja feito por meio de um produto. Ao longo dos anos, aumentou o número de produtos atrelados ao Ibovespa B3 e os investidores podem usá-lo de três maneiras:

1 – Um investidor que deseja obter exposição a um índice de ações pode comprar as ações que compõem o índice no mercado, papel por papel no pregão;

2 – O investidor pode adquirir cotas de um fundo de ações, um fundo multimercado, com gestão ativa ou passiva, ou um ETF, que são os fundos de índices, ou seja, produtos que se baseiam na oscilação do índice para performar. Se o índice sobre o ETF sobe, se cai, o mesmo acontece com o fundo. Hoje, há cinco ETFs listados na B3, que refletem o Ibovespa B3, além de diversos fundos abertos que também usam este índice como referência.

3 – No mercado futuro, o investidor pode ter acesso aos contratos-padrão e ao minicontrato de Ibovespa B3, seguindo seu perfil de risco.

Performance do Ibovespa B3

No final de abril de 2021, a Economatica divulgou um estudo mostrando que o Ibovespa B3 teve uma rentabilidade real, descontada a inflação, superior à obtida em outros mercados latino-americanos e, em alguns períodos, aos índices de bolsas americanas.

No acumulado de cinco anos, até 20 de abril, por exemplo, o índice da bolsa brasileira teve rentabilidade real de 81,9%, ficando atrás apenas do Nasdaq Composite, da bolsa de tecnologia de Nova York, que teve rentabilidade de 150,5%.

Para efeito de comparação, o S&P 500 e o Dow Jones registraram performance de 76,8% e 68%, respectivamente. Em 12 meses, o Ibovespa acumulou uma rentabilidade de 43,3%, acima do Dow Jones (39,4%), S&P 500 (42,7%), e de todos os índices de bolsas da América Latina.

Viu só como falar do Ibovespa B3 é falar um pouco da própria história do mercado de capitais no Brasil e das empresas brasileiras?

Se você quiser saber mais sobre esse importante indicador e como funciona o mercado de ações acesse os conteúdos gratuitos que prepararmos para você em nosso Hub de Educação.

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