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Candlestick: entenda como funciona esse gráfico

Tempo de leitura: 11 minutos

Existem diferentes maneiras de obter lucro na bolsa de valores, sendo que uma que vem se destacando é a especulação. No entanto, o sucesso nessa atividade depende de análises criteriosas e precisas sobre a movimentação dos preços das ações e de outros ativos ou derivativos.

Uma das formas de fazer essa avaliação é utilizando a análise gráfica com candlestick. Desse modo, se você pretende começar a especular no mercado, vale a pena aprender mais sobre o assunto.

Neste artigo, você verá o que é um candlestick, como funciona, os principais tipos e diversas outras informações que podem ser úteis na sua jornada como trader.

Confira!

O que é candlestick?

Os termos ingleses “candlestick” ou “candle”, traduzidos significam “castiçal” ou “vela”. No mercado financeiro, ambos se referem a uma figura gráfica que mostra ao especulador o histórico de movimentação de preços de ativos e derivativos financeiros.

Com base na formação de um candle ou uma sequência deles, então, o trader tem acesso a dados importantes para embasar suas decisões. Vale destacar que a análise de gráficos para compreender as movimentações no mercado e traçar projeções também é conhecida como análise técnica.

Já em relação ao candlestick, como figura gráfica de leitura de mercado, é interessante saber que ele surgiu no Japão no século XVIII. O comerciante de arroz, chamado Munehisa Honma, criou o hábito de anotar os preços de negociação dos cupons de arroz do mercado de Dojima.

Suas anotações contemplavam o preço do primeiro e último negócio do dia, além da mínima e máxima alcançadas. Para facilitar esses registros, ele desenhava uma figura de uma lanterna oriental, com sombras e pavios — semelhantes a uma vela, justificando os nomes candle ou candlesticks.

Contudo, após reunir diversas dessas figuras gráficas, Honma percebeu que muitos padrões se repetiam. E, por meio da leitura das velas desenhadas, o mercado se tornava mais previsível. Isso permitia que ele se antecipasse aos movimentos dos preços.

Segundo a história, ele conseguiu acertar mais de 100 trades seguidos com a técnica, o que o tornou famoso na região. O sucesso foi tamanho que ele foi chamado para ocupar o cargo de consultor financeiro do Japão, além de receber o título de Samurai — uma das mais altas honrarias do país.

Como funciona o candlestick?

Após conhecer o conceito, saiba que o candlestick funciona de um modo bastante simples. Como você viu, seus principais elementos são o preço de abertura e de fechamento, a máxima e a mínima.

Ademais, com o avanço da tecnologia, o trader consegue determinar o intervalo de tempo que observará (minutos, horas, dias, semanas, etc.). Nesse sentido, o preço de abertura representa a primeira negociação do intervalo escolhido.

Já o preço de fechamento retrata a última negociação. Em relação às máximas e mínimas, elas mostram o maior ou menor valor alcançado naquele intervalo.

O corpo do candle é formado pelos preços de abertura e fechamento, sendo representados por uma linha, caixa ou retângulo — conforme seu tamanho. Já as máximas e mínimas são representadas por sombras ou pavios, que são linhas plotadas abaixo ou acima do corpo do candle.

Também há uma coloração que ajuda a identificar se os preços subiram ou caíram. Normalmente, o verde é utilizado para indicar a alta dos preços, enquanto a vermelha representa a baixa. Entretanto, também são usadas as combinações de azul e vermelho, amarelo e branco, branco e preto, preenchido e opaco, entre outras.

Na prática, uma sequência de candles verdes, por exemplo, pode indicar a existência de uma tendência de alta — ou seja, que os preços estão subindo ou tendem a subir. Já a visualização de diversos candles vermelhos em sequência, pode ser sinal de uma tendência de baixa em vigor.

Quais são os principais tipos de candle?

Sabendo agora o conceito de candle, um pouco de sua história e funcionamento, vale a pena conferir os principais tipos conhecidos. Você viu que Munehisa havia identificado que a repetição de alguns candles ou padrões auxiliava em suas decisões.

Porém, após a popularização da sua técnica, muitas pessoas passaram a buscar padrões para realizar suas operações. Assim, foram criados diversos tipos de candle para auxiliar nas análises.

Conheça os principais!

Martelo

O martelo é um dos padrões de candle mais conhecidos no mercado. Ele é formado por uma vela com o corpo na parte superior e uma grande sombra inferior (cerca de 3 vezes o tamanho do corpo).

Sua ocorrência tende a indicar a possibilidade de reversão de uma tendência de baixa, especialmente se aparecer na região de fundo do gráfico.

Estrela cadente

A estrela cadente é a figura contrária à do martelo, também chamada de martelo invertido. A diferença é a posição do corpo e da sombra do candle.

O corpo estará localizado na parte inferior e a sombra na parte superior, sendo 3 vezes maior que o corpo. Quando ela é plotada no gráfico pode sugerir que a tendência de alta está próxima ao fim, principalmente se estiver em regiões de topo.

Marubozu

O marubozu é uma figura gráfica representada por um candle com um grande corpo e sem nenhuma sombra — ou, caso tenha, será muito pequena. Ele pode ser de alta ou de baixa e, quanto mais longo for seu corpo, maior será a credibilidade do padrão criado.

Seu aparecimento pode marcar o início de uma tendência ou a dominância de uma força no mercado — seja ela compradora ou vendedora.

Doji

O doji é um candle que marca a indecisão do mercado. Normalmente, é uma vela sem corpo e com sombras para cima e para baixo.

A ausência de corpo representa que o preço abriu e fechou no mesmo valor, mostrando que o mercado não teve força suficiente para subir, nem cair. Na análise, o surgimento de um doji pode significar o fim de uma tendência.

Harami de alta ou baixa

O chamado harami, que pode ser de alta ou de baixa, é um padrão formado por 2 candles. O posterior, de corpo pequeno, está contido dentro do candle anterior, de corpo grande.

Ele não costuma ser um padrão de reversão de tendência tão forte como o martelo. Porém, se constar em regiões de topos e fundos, poderá indicar o enfraquecimento da tendência atual e uma possível reversão.

Estrela da manhã (shooting star)

O padrão estrela da manhã é um conjunto de 3 candles. O primeiro é de baixa, o segundo é um doji e o terceiro é de alta. Normalmente, ele indica a reversão de uma tendência de baixa e o aumento no volume de negociações pode ser usado como confirmação do início de uma reversão.

Estrela da noite (evening star)

A estrela da noite é o padrão inverso à estrela da manhã. Ou seja, o primeiro candle será de alta, o segundo o doji e o terceiro de baixa. Quando ele aparece pode ser sinal de que a tendência de alta chegou ao fim, dando início a uma de baixa, sendo que o volume servirá como confirmação.

Além disso, existem formações gráficas que podem ser ainda mais complexas e depender de um grande número de candles. Entre elas, as mais mencionadas por especuladores são:

  • bandeira;
  • flâmula;
  • triângulo simétrico;
  • triângulo assimétrico;
  • retângulo (ou caixote);
  • ombro cabeça ombro;
  • cunha;
  • entre outros.

Portanto, entender como essas figuras são formadas, o que representam e o ponto de entrada ou saída de uma operação após o surgimento delas tende a ajudar o trader a operar com mais precisão. Ou seja, realizar esse tipo de análise gráfica ajudará na tomada de decisão.

Contudo, é importante lembrar que o mercado é soberano, então existem chances de ele não se movimentar como o esperado — mesmo após a ocorrência de um padrão gráfico. Com isso, saiba como manejar os riscos e use ferramentas para limitar os prejuízos, como o stop loss.

Como interpretar um gráfico candlestick?

Como você deve ter percebido, os candlesticks mostram rapidamente a evolução dos preços de um ativo ou derivativo financeiro. Assim, o trader consegue se inteirar do histórico das movimentações mais recentes para fazer suas projeções.

O objetivo do trader é observar algumas tendências nas movimentações dos preços e perceber possíveis oportunidades para as suas operações. Assim, ao visualizar os candles coloridos, você pode se deparar com os seguintes formatos:

  • com corpo e sem sombra: nessa hipótese, os preços de abertura e fechamento são diferentes e não há variação entre máximas e mínimas;
  • sem corpo e com sombra: indica que o preço de abertura foi igual ao de fechamento, com alguma diferença entre o menor e o maior preço do intervalo;
  • com corpo e com sombra: os preços de abertura e fechamento são diferentes e existe uma divergência maior entre o de fechamento e os valores de máxima e mínima do intervalo;

Logo, com o gráfico de candlestick é possível identificar se um ativo está caindo ou subindo, a direção da tendência, a força dominante naquele momento etc. Com base nisso, o trader terá mais dados para definir se o momento é oportuno para comprar ou vender o ativo ou derivativo analisado.

Quais os motivos para utilizar o candlestick?

Quem especula no mercado visa lucros no curto ou curtíssimo prazo. Nesse sentido, suas operações são mais dinâmicas e arriscadas. Então aproveitar o timing correto de abrir e encerrar uma operação pode representar uma grande diferença nos seus resultados.

Nesse sentido, a utilização do candlestick é uma das maneiras mais simples e rápidas de identificar oportunidades. Isso porque, por meio dele, você terá fundamentos para decidir operar, os possíveis pontos de reversão, a força da tendência, zonas de suporte ou resistência e assim por diante.

Por outro lado, operar sem nenhuma orientação do tipo costuma ser bastante arriscado para o seu patrimônio. Afinal, nesse cenário você estará contando apenas com a sorte. Dessa forma, utilizar a leitura de candlestick poderá aumentar as suas chances de sucesso na especulação.

Qual é a importância dos candles na análise gráfica?

Depois de conhecer mais sobre os candles e conferir alguns padrões, fica mais fácil de entender a importância deles na análise gráfica. Ainda que existam outros tipos de gráfico, como o de linha ou de barra, eles não trazem as mesmas informações que os candlesticks.

O gráfico de linha, por exemplo, somente liga os pontos de abertura ou fechamento entre os períodos selecionados, com uma linha contínua. Apenas essa informação não costuma ser o bastante para encontrar os melhores pontos para entrar em uma operação.

Já o de barras, embora também possa trazer informações de abertura, fechamento, máximas e mínimas, não é tão visual quanto o gráfico de candles. Afinal, o corpo das barras não é preenchido.

Também há o gráfico de pontos, o gráfico de blocos (renko) e outras classificações, por exemplo. No entanto, os candlesticks ainda são o tipo de gráfico mais completo e utilizado por especuladores e analistas técnicos do mercado.

Como usar candlestick nas suas operações?

Ao chegar até aqui, você já reúne bastante conhecimento acerca dos candlestick. Porém, ainda precisa saber como usá-los nas suas operações.

Para utilizar um gráfico de candles você precisa ter acesso a uma plataforma trader. A contratação dessa ferramenta pode ser feita diretamente com seu desenvolvedor ou junto a uma corretora de valores. Inclusive, existem instituições que a fornecem gratuitamente, trazendo uma opção atrativa.

Dentro dessa plataforma, digite o código de negociação do ativo que pretende operar, o tempo gráfico e a opção por candlestick. Além disso, algumas plataformas possibilitam modificar a coloração dos candles, permitindo a customização pelo trader.

Após devidamente configurado, você já poderá fazer suas análises, marcações, procurar por padrões, e se preparar para iniciar uma operação. Ainda, vale a pena aplicar a análise gráfica com indicadores técnicos e estratégias de manejo de risco, buscando evitar perdas financeiras.

Como você viu, o gráfico de candlestick pode ser bastante útil para quem busca especular no mercado. Por meio dele, é possível fazer leituras para tomar decisões fundamentadas. Porém, não deixe de avaliar se o seu perfil de investidor e objetivos financeiros se alinham aos riscos da especulação na renda variável antes de começar a operar.

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